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Património de Portugal

Castro da Cola – Ourique

Posted by mjfs em Outubro 23, 2007

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A presente classificação refere-se ao importante sítio arqueológico do Castro da Cola, nas proximidades de Ourique.
Desde há largos séculos que este Castro tem sido objecto da curiosidade e estudo por parte de diversos investigadores, alguns dos quais chegaram, mesmo, a realizar o seu levantamento cartográfico. Na verdade, a primeira referência de que há memória em relação à existência destes vestígios arqueológicos, encontramo-la na obra do humanista português, André de Resende, que teria estado neste Castro no ano de 1573. Seria, no entanto, Abel Viana a dar início a um estudo sistemático destes vestígios arqueológicos, já em pleno século XX, com base em todo um imaginário popular da região eivado de lendas e tradições referentes à possível existência de tesouros das denominadas “mouras encantadas”. As campanhas arqueológicas começaram, então, em 1958, tendo sido, infelizmente, interrompidas em 1964, no seguimento do falecimento deste nosso arqueólogo.
Embora tivesse tido uma ocupação desde o Neolítico até à época medieva, a parte mais significativa do espólio exumado na altura permite concluir que os períodos de maior actividade humana neste sítio terão decorrido ao longo da Idade do Ferro (representada pelos resquícios de uma curta espada de antenas, urnas cerâmicas e pela presença de diversas contas de colar realizadas, quer em vidro – de tipo fenício ou púnico -, quer em ouro) e, sobretudo, na Idade Média, com especial destaque para o período islâmico, do qual abundam inúmeros exemplos, tendo-se encontrado apenas dois fragmentos de lucernas relativos à ocupação romana, mas que não bastam para se falar de romanização deste povoado.
Quer pela análise do espólio encontrado durante as escavações correspondente ao período islâmico, quer pelo estudo da sua localização no terreno, e, sobretudo, pelo numeroso conjunto de artefactos conectados com a actividade da tecelagem (cujos padrões parecem obedecer a uma gramática decorativa aproximada à do mundo islâmico), poder-se-á concluir que o Castro da Cola constituiu um importante complexo comunitário, cuja base económica deveria repousar sobre uma economia essencialmente agro-pastoril, a condizer com o potencial da região envolvente.
Na realidade, estas potencialidades naturais explicarão o facto de serem conhecidas nesta vasta área geográfica diversas estações arqueológicas com vestígios ocupacionais desde o Neolítico até à Idade Média, numa evidência da sua ocupação contínua por parte de agricultores, pastores e mineiros, que aí encontraram as condições essenciais ao exercício das suas actividades e à sobrevivência das povoações onde viviam.
Do período islâmico fará, ainda, parte um conjunto bem representativo de cerâmica de variadísimas espécies, numerosas agulhas de fusos de fiação e cossoiros de chumbo, entre outros materiais. Além disso, reportar-se-á também a esta época, ou ao período imediatamente a seguir à Reconquista Cristã, a existência de um complexo sistema defensivo, do qual faziam parte uma fortificação principal e fortificações secundárias, bem como uma ampla área de habitat e diversas necrópoles.

(Texto: IPPAR)

 

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