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Património de Portugal

Citânia de São Julião

Posted by mjfs em Outubro 26, 2007

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Implantação de Acessos

A Serra Amarela constitui um dos relevos de maior altitude do Minho (1361 metros), separando as bacias hidrográficas dos rios Lima e Cávado. Num dos últimos contrafortes sudoeste da serra, ergue–se a Citânia de S. Julião, entre as freguesias de Coucieiro e S. Vicente da Ponte. O povoado localiza–se num relevo em esporão, granítico, de cujo topo se domina o curso final do vale do rio Homem, bem como a sua confluência com o Cávado. Este tipo de posicionamento, articulando áreas de montanha (recursos silvo–pastoris) e o acesso ao vale (agricultura), com um amplo domínio visual e controlo geo–estratégico, é um dos mais aspectos mais expressivos dos grandes povoados castrejos.
Para aceder Citânia, saindo de Vila Verde, deverá tomar–se a Estrada Nacional 308 em direcção a Caldelas e Amares. Cerca de 4 km adiante deverá cortar–se à esquerda —ou seja, em frente, visto que a estrada curva para a direita no cruzamento— na direcção de Pico de Regalados, voltando–se a cortar à direita cerca de 500 metros depois, já na direcção de S. Vicente da Ponte. Ao chegar a esta freguesia já se divisa o monte de S. Julião. De Vila Verde até Ponte, o trajecto é efectuado em cerca de 10 minutos. Junto à igreja paroquial de S. Vicente corta–se à esquerda —cruzamento sinalizado como «Lugar do Crasto», entre outros topónimos— e segue–se por caminho asfaltado em cerca 1 km (2 minutos), ao fim do qual se corta à esquerda (na direcção da encosta). Deverá seguir–se mais 1 km em caminho de terra batida, razoavelmente transitável, (cerca de 3 minutos) até atingir a plataforma cimeira do monte, onde se encontra a capela de S. Julião. O trajecto é acessível por automóvel ligeiro.

O que ver

 A Citânia de S. Julião constitui um marco paradigmático na Arqueologia portuguesa, porquanto nela se efectuaram investigações fulcrais para o estudo da ocupação humana no Minho e na bacia do Cávado no primeiro milénio a. C. No topo aplanado do monte, assim como nos tabuleiros da encosta voltada a Este, dispõem–se variados vestígios arquitectónicos do antigo povoado. Distinguem–se três linhas de muralha e vestígios de uma quarta no quadrante leste/nordeste, assim como restos de estruturas habitacionais dispostas na encosta leste e na plataforma superior do monte. O povoado apresenta uma cronologia de ocupação bastante ampla, desde o Bronze Final até ao período romano. Dos inícios do povoado (séculos XI/IX a. C.) detectou–se uma estrutura defensiva circundante —talude de terra com pedras na base e fosso adjacente— assim como pisos de cabanas do Bronze, localizadas no cume da elevação. Os aglomerados do Bronze Final seriam relativamente pequenos, embora com uma dinâmica de crescimento da primeira para a segunda fase desse período. Contudo, os vestígios mais expressivos, observáveis, correspondem à Idade do Ferro, sendo visíveis as linhas de muralha de pedra e as ruínas de um torreão, bem como casas castrejas circulares, ligadas por pátios lajeados. Algumas estruturas apresentam alçados com aparelho poligonal.
O local foi inicialmente investigado —se bem que existindo já anteriores referências ao local—, pelo Padre João Martins de Freitas, na década de 30 do século XX. Foi contudo nos anos 80 que o local ganhou maior expressividade, com a classificação como Imóvel de Interesse Público (1982) e com as sucessivas intervenções arqueológicas da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, primeiro dirigidas por Manuela Martins e depois por Ana Bettencourt.
No derrube de uma das muralhas, na década de 80, foi descoberta uma estátua de guerreiro galaico, de grande qualidade artística, com o saio profundamente decorado, bem como o cinturão, embora sem a cabeça. No escudo redondo (caetra) foi gravada a seguinte inscrição: MALCEINO DOVILONIS F(ilius). O significado destas estátuas é muito discutido, podendo representar antepassados míticos ou príncipes, responsáveis pelo governo das capitais de povos e dos respectivos territórios.
Tendo em conta este achado, bem como a dimensão do povoado e o seu posicionamento num ponto geoestratégico dominante e central, a Citânia de S. Julião é considerada a capital de um povo cujo nome se ignora. O território desse povo seria delimitado a Norte pelos cimos da Serra Amarela; a Leste pela Serra do Gerês; a Sul pelo rio Cávado; e a Oeste pelas cumeadas que do Maciço da Boalhosa (721 metros) descem para sul, terminando no Monte do Castelo, onde também se ergue um esplêndido castro com várias linhas de muralha.
A ocupação tardia da Citânia de S. Julião foi documentada pela recolha de cerâmica romana, prolongando–se de forma residual até ao século III.

(Fonte: www.castrenor.com)
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