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Património de Portugal

O Balneario Prerromano de Braga

Posted by mjfs em Novembro 7, 2007

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IMPLANTAÇÃO DE ACESSOS

Na periferia do Centro Histórico de Braga, no sopé noroeste da colina onde foi edificada a cidade de Bracara Augusta, foi descoberto, durante as obras de acompanhamento arqueológico da nova Estação de Caminhos–de–Ferro, um balneário castrejo. A estrutura foi estudada e musealizada, encontrando–se actualmente visitável, pois foi integrada no edifício da nova Gare.
O monumento fica na Estação de Caminho de Ferro de Braga, pelo que a melhor maneira de aceder ao local é seguir as placas indicativas da Estação, existentes na cidade. O caminho, para quem vem de Guimarães ou do Porto é a variante que arranca do nó de Celeirós. Para quem abandona a auto–estrada na saída de Braga Oeste, o acesso faz–se pela mesma variante, mas a partir do nó de Maximinos. O trajecto é o mesmo que conduz ao Estádio Municipal de Futebol, mas logo após a saída do túnel, o automobilista deve cortar para a direita de acordo com a placa que indica Centro e a partir daqui seguir a sinalética que marca o trajecto até à Estação.

 

O QUE VER

A primeira referência a estas construções —os balneários castrejos— deve–se a Estrabão, um geógrafo grego que viveu na transição da Era Cristã. Segundo este autor os povos do norte da Península Ibérica tinham por costume tomar banhos de sauna e de água fria, por esta sequência. Todos os balneários já descobertos obedecem a um modelo tripartido: sala de sauna, aquecida por um forno adjacente; sala intermédia de transição, com bancos laterais; pátio destinada ao banho frio. No forno eram colocadas pedras, aquecidas em lume vivo, sobre as quais se vertia água, a fim de induzir os vapores da sauna. Entre o compartimento de sauna e a sala intermédia erguia–se uma pedra, talhada num único bloco, com uma pequena passagem semicircular de reduzida dimensão, de forma a evitar a fuga de calor, mas suficiente para permitir a passagem de uma pessoa.
O balneário de Braga, edificado em granito local, foi implantado com uma orientação sensivelmente este/oeste, ocupando uma área de cerca de 72 metros quadrados e com uma altura máxima conservada de 1’20 m. Parcialmente mutilado, talvez em finais do séc. XIX, aquando das obras de construção da Estação, o monumento conserva ainda boa parte da sua estrutura original. Observam–se os restos dos muros laterais norte da câmara, bem como a «pedra formosa», sem decoração. Este elemento tem 1’74 m de largura, 0’83 m de altura e 0’31 m de espessura, com o recorte típico semicircular na parte inferior (0’43 m de largura e 0’38 m de altura). A antecâmara, de planta sub–rectangular tem 1’70 m de comprimento interno e 2 metros de largura. Distinguem–se tanto o pavimento original, constituído por pedras de média dimensão, como dois monólitos lavrados, utilizados como bancos. Destacam–se, também, as ombreiras de entrada e o respectivo lintel, recortado no centro superior em forma de U, onde apoiava a viga em madeira que por sua vez suportava a cobertura do monumento. O átrio, pavimentado em grandes lajes de granito, tem uma planta rectangular com 4’72 m de comprimento e 2’80 m de largura, apresentando–se escalonado, de forma pouco pronunciada, em dois patamares, cuja diferença é de 15 a 20 cm. O nível mais elevado ocupa o quadrante sudoeste e parece marcar a entrada e saída do monumento; o nível inferior, indicia que o pátio seria continuamente invadido por regolfos de água. Refira–se que duas das lajes que integram o pavimento, uma localizada a norte, e a outra no enfiamento da entrada para a antecâmara, foram talhadas em forma de pia, sendo que a primeira é mais ampla e profunda com 18 cm de profundidade. Esta pia teria ali sido colocada com o propósito de receber as águas que alimentariam o balneário, eventualmente através de uma caleira entretanto desmantelada. A drenagem realizava–se através de uma pequena abertura a sul, limitada por dois elementos circulares, toscamente talhados. De facto, na faixa que se dirige para a boca de saída, não há lajes, mas sim um espesso sedimento arenoso de origem aluvionar. Na proximidade do cunhal noroeste deste compartimento, a toda a altura e na face interna da parede oeste, eleva–se um monólito de pouca espessura, talhado em forma semi–cónica, cuja parte superior ligeiramente ovalada apresenta alguns raios incisos com origem num pequeno orifício central, desenhando metades de gomos com algum rigor simétrico.
Com base nos materiais cerâmicos exumados, bem como no aspecto arcaico dos seus elementos, considera–se que este balneário foi construído na Idade do Ferro. Estratos relacionados com o seu uso, apenas forneceram materiais cerâmicos de produção indígena, datáveis da Idade do Ferro recente.
A descoberta deste balneário pré–romano «ressucista» a questão da origem da cidade de Braga. No entanto, até ao momento, nunca foram detectadas, em mais de três décadas de trabalhos arqueológicos intensivos na cidade, estruturas da Idade do Ferro. Deste modo não é possível afirmar–se que, no local da futura Bracara Augusta, teria existido, previamente, um castro. Também é possível que tivesse sido edificado pelas comunidades indígenas que colaboraram nas primeiras obras da nova cidade. Assim o monumento que se conserva na gare da EFC de Braga constitui uma interessante questão científica em aberto, tanto pelo seu posicionamento como pela circunstância de ser a mais antiga de todas as estruturas deste tipo.

(Castrenor)

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