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Património de Portugal

Citânia de Sanfins

Posted by mjfs em Novembro 9, 2007

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IMPLANTAÇÃO E ACESSOS

O relevo da zona sudoeste do Entre Douro e Minho, embora com uma média de altitude relativamente baixa, é muito fragmentado. Entre as diversas unidades geomorfológicas destacam–se alguns cumes que, pela sua imponência, dominam a paisagem envolvente numa extensão de muitos quilómetros. È o caso do monte (570 metros), onde foi implantada a Citânia de Sanfins. O seu posicionamento entre os limites das bacias hidrográficas do Douro e do Ave deve ser sublinhado, explicando a sua relevância estratégica, no quadro da paleo–geografia da Callaecia. Para norte as linhas de água dirigem–se para o Ave. Para sul convergem para o rio Eiriz, tributário do rio Ferreira que por sua vez desemboca no Sousa, próximo da confluência deste último no Douro. O cume onde foi erguido o castro é aplanado, o que facilitou a organização do sistema defensivo e o ordenamento proto–urbano.
Partindo da cidade de Paços de Ferreira deve tomar–se a Estrada Nacional 319, em direcção a Santo Tirso. Ao fim de 1’7 km (cerca de 5 minutos), na localidade de Trindade deve cortar–se à direita para a estrada municipal 513, na direcção de Sanfins de Ferreira. Passados 7’7 km (aproximadamente 13 minutos), seguindo a sinalização disponível para o local, chega–se à Citânia de Sanfins.

O QUE VER

A Citânia de Sanfins é um dos locais mais emblemáticos da Cultura Castreja do Noroeste Peninsular. Sendo uma das grandes citânias do Entre Douro e Minho, é um dos melhores exemplos do proto–urbanismo da II Idade do Ferro, com uma organização funcional do espaço urbano, que se estende por uma vasta área planáltica. A Citânia é circundada por três linhas de muralha, mais um quarto alinhamento complementar. Notam–se várias portas nas muralhas, reforçadas por fossos a Norte e a Sul. Junto de uma das portas, na segunda muralha, foi localizada uma estátua de guerreiro, actualmente representado por uma réplica. A relevância desta descoberta foi, mais tarde, confirmado pelo achado do guerreiro de S. Julião (Vila Verde), igualmente detectado junto da segunda linha de muralha.
A área intra–muros ocupava pelo menos 15 hectares. A estrutura urbana do povoado é ordenada por um grande eixo Norte/Sul, atravessado por diferentes eixos perpendiculares, naquilo que constitui um notável ensaio de ortogonalidade na ordenação do espaço urbano. Delimitadas pelos arruamentos e muros limítrofes observam–se várias unidades domésticas com casas circulares, com ou sem vestíbulo, e rectangulares, em redor de um pátio central, por vezes lajeado. Pelas suas características morfológicas Sanfins é um dos melhores locais para se observar este modelo de proto–urbanismo. Uma das unidades encontra–se reconstruída, de tal forma que permite aos visitantes compreender melhor a importância da família extensa como núcleo básico da sociedade castreja. No centro da plataforma, duas grandes construções são interpretadas como estruturas proto–históricas de carácter ritual.
Um dos maiores pontos de interesse da Citânia é o balneário castrejo, localizado fora da área urbana posto a descoberto, mas intra–muros, junto de uma pequena nascente de onde ainda brota água. O balneário apresenta uma estrutura comum às restantes construções do género, com fornalha de secção circular, câmara de sauna, vestíbulo —separado da câmara pela pedra formosa decorada— e pátio exterior lajeado, onde ainda se conservam dois tanques, assim como as canalizações de abastecimento e esgoto. Distingue–se, também, uma fonte de mergulho. A descoberta deste equipamento, na década de 70, do século XX, foi decisiva para a interpretação subsequente destes monumentos, anteriormente considerados como fornos crematórios desde o achado de estrutura idêntica em Briteiros, na década de 30. No ponto mais elevado da Citânia, junto do marco geodésico, subsistem os alicerçes de uma capela medieval (dedicada a S. Romão), enquadrada no espaço de uma necrópole de inumação.
A Citânia de Sanfins, Monumento Nacional desde 1946, foi primeiramente identificada em 1895 por Martins Sarmento e Leite de Vasconcelos. As maiores intervenções seriam contudo efectuadas a partir de 1944 e 1967 por Eugénio Jalhay (este apenas até 1950) e Afonso do Paço. A partir de 1968 a Faculdade de Letras da Universidade do Porto assumiu, através de Carlos Alberto Ferreira de Almeida o estudo do povoado, prosseguido por Armando Coelho F. Silva que dirigiu sucessivas campanhas, em conjunto com Rui Centeno, até 1993. A partir deste ano elabora–se um projecto de musealização, incluíndo o restauro de estruturas arqueológicas e a construção de uma estrutura de apoio à visita. Actualmente é responsável pelo estudo da Citânia de Sanfins,  Armando Coelho F. Silva, Director do Museu Arqueológico de Sanfins e Professor da FLUP.

 

(Castrenor)

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