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Património de Portugal

Cividade de Âncora

Posted by mjfs em Novembro 17, 2007

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IMPLANTAÇÃO E ACESSOS

A Serra de Santa Luzia é o último relevo ocidental do Alto Minho, sobranceiro à faixa litoral que se estende da foz do Lima à do Âncora. Num dos últimos contrafortes noroeste desta serra, ergue–se a Cividade de Âncora, no limite entre os concelhos de Viana de Castelo e Caminha. Situado a uma altitude de cerca de 187 metros, controla um fértil anfiteatro a sul, bem como toda a linha de costa e o estuário do Âncora. Este rio tem uma bacia hidrográfica autónoma, com nascentes situadas na zona noroeste da Serra da Arga, onde fica uma área geológica rica em jazidas de estanho e de ouro. Assim, tal como o Castro do Coto da Pena, a Cividade de Âncora controlava o acesso às principais ocorrências mineiras do Alto Minho, integrando, por outro lado a expressiva série de grandes povoados que não só dominavam o litoral como também os rios que conduziam para o interior: Santa Tegra; Coto da Pena; Santa Luzia; São Roques; São Lourenço; Terroso; Bagunte.
Seguindo a EN 13, no sentido Viana do Castelo – Caminha, na freguesia de Âncora, cruzamento da Gelfa, deve–se virar à direita (leste), em direcção ao centro do lugar da Lage. Percorrendo a estrada que atravessa este lugar, chega–se a um entroncamento onde existe já a indicação de Cividade, devendo o visitante seguir pela direita. Algumas centenas de metros mais à frente, aparece uma nova indicação para a Cividade. Neste pequeno largo é onde se deve estacionar o veículo. A partir deste ponto terá de prosseguir a pé, pois o acesso motorizado não é viável.
O percurso pedestre demora cerca de 20/30 minutos por um estreito caminho de fácil acesso, que até ao final do casario encontra–se ainda empedrado e depois continua em terra batida, tendo nas encruzilhadas placas em madeira indicando o caminho correcto. Passados 15 minutos, o visitante chega a um largo, onde foi aberto um estradão, devendo–se seguir–se pela esquerda onde existe nova indicação, para que se suba ao topo da Cividade onde se encontram as ruínas do povoado.

O QUE VER

As primeiras escavações na Cividade de Âncora foram realizadas por Francisco Martins Sarmento, em finais do século XIX. Na década 50 do século XX, Christopher Hawkes, professor da Universidade de Oxford e Mário Cardoso, da Sociedade Martins Sarmento, efectuaram novos trabalhos. Nestas campanhas puseram–se a descoberto várias estruturas circulares e tramos das três linhas de muralhas, que circundam o povoado. Todavia as mais significativas campanhas foram orientadas por Armando Coelho da Silva na década de 80 do século XX, tendo sido recolhido relevante informação científica, incluindo a descoberta de um conjunto de 11 pequenos sepulcros, em forma de cista, no exterior de uma casa, mas integrados na unidade habitacional.
A Cividade de Âncora, quer pela sua posição geográfica e suas dimensões, quer pela sua organização urbana, enquadra–se no grupo dos grandes povoados castrejos proto–urbanos da fase mais recente da Idade do Ferro, tal como a Cividade do Terroso e a Citânia de Sanfins. De facto, embora as suas origens remontem a períodos tão remotos como os séculos VI/VII a. C., a sua maior ocupação e importância terá ocorrido por volta dos séculos II/I a. C., prolongando–se pela fase inicial do período romano.
A área da Cividade hoje visível, apesar de reduzida, é assaz representativa deste tipo de povoados. Na ascensão ao núcleo escavado o visitante atravessa dois taludes, correspondentes a duas das três linhas de muralhas, apontadas por Mário Cardoso. Na área escavada podem observar–se várias estruturas circulares e ovais, restos de lajeados de granito e condutas para escoamento das águas. Na área estudada por Armando Coelho da Silva destacam–se, como pormenores relevantes, uma fonte de mergulho e um forno de cozer pão, que serviam a família que habitava a unidade construtiva centrada em redor do pátio lajeado. É possível ver, também, duas estruturas, uma circular e outra oval, esta de grandes dimensões, com banco corrido no interior, onde, segundo Estrabão, se realizariam as assembleias dos anciãos.
Algumas destas estruturas conservam as soleiras de entrada, sendo o espaço exterior coberto de lajes de granito. O afloramento rochoso estende–se por uma grande área, sendo visível o aproveitamento da rocha como pavimento.
No Museu Municipal de Caminha, situado no centro da sede de concelho, existe exposto espólio proveniente da Cividade de Âncora, assim como mais informações como chegar e o que ver. No Museu da Sociedade Martins Sarmento podem observar–se lintéis e ombreiras, recolhidos neste castro*, com belíssimas decorações geométricas idênticas às registadas em Briteiros e noutros sítios.

(Castrenor)

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