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Casa de Santa Maria – Cascais

Posted by mjfs em Dezembro 16, 2007

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Nos finais do século XIX, a vila de Cascais, vista até então como vila de pescadores e importante praça de armas, torna-se “vila da Corte” durante os meses de Setembro a Novembro. Esta mudança assiste-se em 1871, quando D. Luís, grande apreciador das artes de marear, transforma o velho Paço dos Governadores da Cidadela em residência real. A partir desta data todos os anos, depois de passar o Verão em Sintra, a família real desloca-se a Cascais durante os meses de Setembro a Novembro, arrastando consigo o círculo próximo da corte.
A Casa de Santa Maria foi encomenda de Jorge O’Neill, em 1902, àquela época proprietário da Torre de S. Sebastião (Museu Condes de Castro Guimarães) ao arquitecto Raúl Lino para a oferecer à sua filha D. Teresa. Por venda de Jorge O’Neill, chega à posse de José Lino, por sua vez irmão de Raúl Lino que procede à ampliação do imóvel. Posteriormente, veio a pertencer à família Espírito Santo Silva, sendo o primeiro proprietário desta família o Dr. Manuel Espírito Santo Silva, casado com D. Isabel Pinheiro de Melo Espírito Santo Silva, filha do Conde de Arnoso.
A 15 de Maio de 1902, Jorge O’Neill faz o pedido de licenciamento da casa ao mesmo tempo que é apresentado o projecto do arquitecto Raúl Lino. Em 1914 é apresentado o projecto de ampliação da casa, realizado pelo mesmo arquitecto.
O imóvel atravessou duas fases de construção: a primeira fase “corresponde à Ala Sul, onde Raúl Lino conjuga painéis de azulejos de Marvila, originalmente com um desenho definido e disposto à sua maneira Art Deco. Os corpos apresentam uma escala menor, comparativamente com os da segunda fase. Esta primeira fase distingue-se pelos elementos manuelinos, da fase mourisca de Raúl Lino – arco em ogiva, pavimento com encastramento.
Perante o espaço incerto – um alongado rectângulo entre o mar e o farol de Santa Marta – Lino concentrou-se primeiro na planta, organizada a partir de um amplo corredor, a casa é constituída por uma sucessão de compartimentos e, nas pontas, por duas destacadas salas que articulavam os jogos controlados da luz. O sentido de espacialidade assim criado revela uma compreensão íntima e quase física daquilo que são considerados os valores de habitar específicos de Raúl Lino.
O estreito corpo alongado era harmonizado com diversidade dos desenhos dos vãos, alguns de arcos ultrapassados e enquadrados por tijolo cru, com os telhados tradicionais de quatro águas e a expressividade dos espaços de transição entre interior e exterior, quer nas varandas alpendradas, quer nos átrios de entrada, encarados como lugares de frescura. Factores que exprimiam a organicidade vivencial da planta, reflectindo assim sobre a arquitectura tradicional do sul do país, marcando paralelamente fortes influências mouriscas.
Em 1918 a residência foi significativamente ampliada pelo novo proprietário José Lino, irmão de Raul Lino. É nesta data que José Lino compra o recheio azulejar de uma antiga capela existente na Quinta da Ramada em Frielas, e o adapta à sua propriedade de Cascais, e com isso certamente determinado a traça a seguir nas novas alas da Casa de Santa Maria (azulejos de 1698, de António de Oliveira Bernardes.), destaque também para o tecto da sala de jantar, onde se encontra adaptada uma tela também da autoria de António de O. Bernardes, e quer pertencia à Capela da Ramada.
O resultado das duas fases de obras destaca-se na sua organização, apresentando planta rectangular, no sentido longitudinal, com cerca de 50 metros de fachada e 10 metros de alçado. Desenvolve-se por dos pisos mais cave, embora com algumas variações.
No interior, o aparato sombrio dos tectos e das portadas de madeira é refrescado pelos lambris de azulejos. Destacando-se contudo a modelação da luz, tratada com raro cuidado na arquitectura desta época, e na articulação dos espaços de estar e circular que apresentam uma dimensão orgânica de conforto.

(Fonte: IPPAR)

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