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Património de Portugal

Pelourinho de São Lourenço do Bairro – Anadia

Posted by mjfs em Março 1, 2008

Sao Lourenco do Bairro  - Anadia

A primeira referência conhecida a São Lourenço do Bairro é bem anterior à nacionalidade, datando de 883, quando D. Afonso III e D. Ximena, monarcas de Leão, fazem doação deste território ao bispo de Coimbra, D. Sisnando. Esta doação é confirmada em 1112, na pessoa do então bispo D. Crescónio, e dos cónegos de Santiago da cidade. É suposto ter recebido foral de D. Afonso III, em 1255, embora tal não esteja confirmado, nem pareça provável. O foral veio finalmente com D. Manuel, em 1514, criando um concelho que se manteria até 1835. À data do foral manuelino, o novo concelho pertencia ao senhorio de D. Pedro de Castro, 3º conde de Monsanto. Foi autónomo até 1853, data em que foi integrado no concelho de Anadia.
O pelourinho de São Lourenço terá sido construído na sequência do foral manuelino, embora se possa prolongar a sua cronologia durante a primeira metade do século XVI, como se depreende da análise tipológica do monumento. Levantado diante dos antigos Paços do Concelho e cadeia comarcã, sofreu diversos acidentes e subsequentes reconstruções, sendo a primeira conhecida aquela que refere Nogueira Goncalves no Inventário Artístico de Portugal; segundo o autor, “o pelourinho foi reerguido em frente dos antigos paços do concelho no meado do decénio de 40, aproveitando os fragmentos da antiga coluna”. Desta forma, depreende-se que do original restaria apenas a citada coluna, sendo de factura moderna os restantes elementos, incluindo a base. Mais tarde, em 1985, um camião derruba novamente o conjunto, que é reerguido apenas para ser mais uma vez deitado por terra. Em 1989, no local resta apenas a plataforma e a base da coluna. Por fim, em 1993 a Junta de Freguesia local procede à colocação de uma réplica, supostamente rigorosa, do monumento quinhentista. As pedras originais haviam sido recolhidas pela mesma entidade em 1990.
O pelourinho é constituído por um soco de quatro degraus quadrangulares, de rebordo, sobre o qual se ergue o conjunto da base, coluna e remate. A coluna assenta numa peça quadrangular com o rebordo superior moldurado, encimada por plinto. O fuste, cilíndrico e liso, possui base circular encimada por bocel, e é decorado a curta distância do topo e da base por duas finas molduras em meia-cana. Logo abaixo da moldura superior está um escudo com as armas nacionais, apontado. Nele assenta por sua vez o remate, composto por uma peça tronco-piramidal truncada, saliente, com rebordo superior, encimada por uma pinha sobre pequeno pedestal.
Uma fotografia do monumento levantado na década de quarenta, ainda integrando o fuste original, e reproduzida na obra acima citada, revela que este seria mais alto que o actual. A análise do pelourinho, quer de acordo com a reconstrução moderna, quer com base na fotografia indicada, revela tratar-se de obra da primeira renascença, cuja simplicidade clássica lhe confere alguma elegância.

(Fonte: IPPAR)

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