ÍCONES DE PORTUGAL

Património de Portugal

Igreja de São João Baptista – Figueiró dos Vinhos

Posted by mjfs em Março 10, 2008

Da fundação quatrocentista, levada a cabo pelos religiosos do Convento de Santa Cruz de Coimbra, nada resta, e a igreja que hoje conhecemos é o resultado da intervenção manuelina, do século XVI, e da campanha decorativa barroca, que dotou a capela-mor de um conjunto de azulejos dedicados à vida de São João Baptista, orago do templo. Outras obras contemporâneas, executadas por artistas naturais de Figueiró, foram enriquecendo o património da matriz, evidenciando-se, neste contexto, os trabalhos dos escultores de apelido Simões de Almeida, tio e sobrinho.

A construção da igreja, no século XVI, coincide com o desenvolvimento económico de Figueiró, depois da renovação do Foral em 1541, também visível no conjunto de habitações dessa época, erguidas na zona mais antiga da vila. A fachada da matriz é franqueada por duas torres, destacando-se a do relógio, pela balaustrada e coruchéu.

O portal, característico da renascença tardia, é coroado por um frontão de volutas, interrompido pelo nicho onde figura uma imagem de São João Baptista, executada pelo escultor Simões de Almeida (tio) (1844-1926). A empena é interrompida por um óculo, desenvolvendo-se, na zona superior da frontaria, um remate rectangular, decorado com flores de lis. Na secção da torre, rasgam-se janelas de linguagem neogótica, consequência da intervenção revivalista de final do século XIX.

O interior do templo é constituído por uma dupla arcaria de colunas jónicas, que divide o espaço em três naves, de cinco tramos, a central elevada em relação às restantes. Destaca-se, à entrada, sob o coro alto, o túmulo do Senhor de Figueiró, Rui Vasques Ribeiro, e de sua mulher, D. Violante de Sousa, obra da segunda metade do século XIV, assente sobre leões, com figuras de anjos a segurar os brasões e legenda de caracteres góticos.

A nave apresenta dois altares e uma capela do lado do Evangelho e um altar do lado da Epístola. No primeiro, em arco apontado, encontra-se a imagem de Cristo Crucificado, e noutro existe uma representação da Santíssima Trindade, obra do final do século XV.

O altar-mor, com retábulo de talha dourada de estilo nacional, exibe uma tela pintada, em 1904, por José Malhoa, com o baptismo de Cristo. Salienta-se, ainda, o Cristo Crucificado de Simões de Almeida (sobrinho), que se encontrava sobre o painel do Gólgota, atribuído a Malhoa.

Ainda na capela-mor, importa referir o conjunto de painéis de azulejo, azuis e brancos, cujo programa iconográfico é dedicado à vida de São João Baptista. Distribuídos em dois andares, com molduras de folhagens, os mais altos ilustram São João Baptista brincando com o Menino e o cordeiro e a Dança de Salomé. Na zona inferior, encontra-se o nascimento de São João, Visitação e Anunciação. Do lado oposto, em cima, Circuncisão e um escriba escrevendo numa fita IOANNIS EST NOMENSUUM. Na zona inferior Decapitação, Baptismo, e São João pregando.

O conjunto é datado de 1706, conforme se pode ler na cartela sobre a porta. Contudo, a sua autoria permanece por esclarecer. Gustavo de Matos Sequeira atribui o conjunto aos Oliveira Bernardes, mas Santos Simões refuta esta ideia, defendendo uma execução a diferentes mãos, que acaba por aproximar do trabalho do denominado Mestre P.M.P., relacionando, mesmo, estes painéis com outros existentes na igreja de Santa Cruz, em Santarém, atribuídos ao referido monogramista.

 

Texto: IPPAR

Fotos: Rogério Leitão/IPPAR

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