ÍCONES DE PORTUGAL

Património de Portugal

Igreja de São João Baptista de Ponte da Barca

Posted by mjfs em Março 19, 2008

(Foto: Antonio Coutinho)

 

A construção da igreja matriz de Ponte da Barca, dedicada a São João Baptista, teve início no século XVI. Neste processo, desempenharam um papel fundamental as principais famílias da região ao mandar construir as capelas funerárias. Num período marcado por uma forte religiosidade, no decorrer do qual a preocupação com a morte dominava a vida, este género de edificações eram muito frequentes, testemunhando, simultaneamente, o poder e o prestígios de quem assim podia dispor do espaço sagrado.

As incursões do exército espanhol na segunda metade do século XVII provocaram fortes danos ao templo, obrigando mesmo à deslocação do culto para a igreja da Misericórdia. D. Pedro II autorizou tributos especiais para ajudar na reconstrução da principal igreja de Ponte da Barca, cujas obras começaram em 1703. Todavia, a morosidade dos trabalhos e o consequente agravar dos problemas no templo obrigou a confraria de Nossa Senhora da Conceição a abandonar o espaço, em 1711. Foi necessária a visita do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles para conferir um novo impulso e uma outra dinâmica a esta reconstrução que, tal como a edificação primitiva, crescia sem planificação. Sob as suas ordens, o arquitecto Manuel Pinto de Vilalobos apresentou nova planta em 1714, dando-se início aos trabalhos em 1717. O corpo do templo estava terminado em 1723, mas menos célere foi o acabamento da fachada, com uma torre levantada em 1728, remontando o frontão a 1738 e aproveitando o painel antigo com a representação de São João Baptista.

Antecedida por uma escadaria de vários lanços, a fachada principal é seccionada por pilastras que a dividem em três corpos – os laterais correspondestes às bases das torres e o central à nave. Este, exibe portal de verga recta, encimado por frontão de volutas interrompido por nicho. Sobre a cornija, um bloco central com o painel do padroeiro da igreja é enquadrado por volutas e rematado por frontão triangular, com pináculo. Os alçados laterais são marcados pelos volumes salientes das capelas laterais, de dimensões e alturas diferenciadas.

No interior, as capelas comunicam com a nave através de arcos de volta perfeita, abrindo-se um conjunto ritmado de janelões no registo seguinte. No tecto, uma curiosa abóbada de falsa cruzaria de ogivas. A capela-mor, mais baixa e estreita separa-se da nave por arco triunfal de volta perfeita com retábulos colaterais colocados na diagonal. Alguns dos azulejos de padrão que se observam na nave são seiscentistas. O retábulo-mor foi executado em 1727 pelo entalhador de Barcelos Miguel Coelho. Simultaneamente, há registos de reformas e reconstruções das capelas laterais.

A igreja matriz de Ponte da Barca constitui, assim, um dos vários testemunhos da acção mecenática do Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.

(Texto: IPPAR)

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