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Património de Portugal

Igreja de São Domingos em Amarante

Posted by mjfs em Março 26, 2008

Sao Domingos - Amarante

Sao Domingos 2- Amarante

Sao Domingos 1- Amarante

Sobranceiro ao rio, e junto à igreja de São Gonçalo, encontra-se um templo de pequenas dimensões dedicado ao Nosso Senhor dos Aflitos. Contudo, a designação mais comum é a de Igreja de São Domingos, por ter sido fundado pela Venerável Ordem Terceira do Patriarca São Domingos. Estava concluído em 1725 e a sua planimetria centralizada (circular com dois volumes laterais rectos) revela um gosto barroco de tradição seiscentista. A fachada, que ocupa um dos volumes salientes e rectangulares, é aberta por portal encimado por frontão triangular, interrompido pela janela superior. Remata o alçado um outro frontão triangular, com brasão no tímpano.

A janela da fachada ilumina o coro alto, sobre a entrada do templo, e este é delimitado por uma balaustrada que incluí o órgão no seu interior. Neste espaço centralizado, ganha especial importância a talha setecentista dos diferentes altares, que extravasa o âmbito dos retábulos para surgir nas sanefas e molduras dos diferentes vãos, ou ainda do arco triunfal. Por sua vez, também a imaginária contemporânea que a acompanha se reveste de grande significado, não apenas por ilustrar a invocação de cada altar, como também pelo seu valor artístico. A mais importante é a do orago da igreja, que originalmente se encontrava na Capela do Pópulo, na igreja de São Gonçalo, e que foi transferida para São Domingos no ano da conclusão do templo.

O altar de Santa Rosa Lima (lado da Epístola) e o de Nossa Senhora do Ó (lado do Evangelho) remontam a uma data próxima de 1739, apresentando grandes semelhanças entre si. As imagens que aí se encontram são também do século XVIII. Já no que respeita ao retábulo da capela de São Vicente Ferrer é conhecido o entalhador, Manuel Pereira da Costa Noronha.

Ladeiam o arco triunfal duas figuras-tocheiros, de madeira estofada a ouro e policromada. A capela-mor, cujo volume rectangular corresponde à entrada, separa-se da nave através de uma grade baixa, e é revestida por talha dourada, de estilo nacional, incluindo o tecto, em abóbada de caixotões. O cadeiral é de talha mas sem douramento. O retábulo, da mesma época, exibe a já referida imagem de Cristo Crucificado, integrada num conjunto que representa o Calvário, para além de outras imagens também do século XVIII.

Nesta igreja de reduzidas dimensões observamos a preferência pela planimetria centralizada, cujo gosto, bastante difundido no nosso país, principalmente durante o século precedente, radica, em última analise, na devoção ao Santíssimo Sacramento. Esta, foi aqui complementada pelo recurso aos inúmeros elementos de talha dourada, que com o seu brilho, contribuíram para a desmaterialização e ampliação do espaço interno, num constante apelo aos sentidos, tão caro ao período barroco.

(Fotos: JohnnyMass)

(Texto: IPPAR)

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