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Património de Portugal

Mosteiro de S. Bento de Singeverga – Santo Tirso

Posted by mjfs em Abril 28, 2008

S Bento de Singeverga - Foto cm-santo-tirso

O Mosteiro de S. Bento de Singeverga fica situado na freguesia de Roriz, concelho de Santo Tirso, num recanto, na propriedade de Singeverga, onde antes existia a Casa e Quinta do mesmo nome, e que pertenciam a Manuel Gouveia Azevedo e suas duas filhas D. Miquelina e D. Maria Isabel.

Os Beneditinos são a única ordem religiosa do ocidente anterior ao ano Mil. Até hoje os Beneditinos vivem segundo a Regra de São Bento do século VI, que tinha como valores fundamentais a oração comunitária e individual, a Lectio Divina, a fraternidade, o trabalho e a hospitalidade.

Desde a Idade Média, os monges beneditinos foram os mentores espirituais e culturais da Europa, fomentando as artes e a agricultura.

A cruz, a charrua e a pena foram os instrumentos da sua acção.

Chegados a Portugal no período da Reconquista, participaram na fundação da nacionalidade e a sua acção desenvolveu-se mormente na região Entre Douro e Minho, para chegar depois até Lisboa e Angola.

O Mosteiro de Singeverga é uma construção relativamente recente, mas nem por isso perde a imponência dos velhos idifícios. No corredorda entrada, consegue-se sentir o peso da História. Ao fundo domina o Brasão da antiga Congregação Portuguesa, que existiu até 1834. Três painéis narram a formação da Congregação benedita em Portugal:

“EL-REI D. SEBASTIÃO, DE GLORIOSA MEMÓRIA, FVNDOV ESTA CONGREGAÇÃO BENEDITINA DE PORTVGAL VNINDO OS MOSTEIROS DEBAIXO DE UM SÓ GERAL, E CEDENDO À MESMA CONGREGAÇÃO POR UMA DOAÇÃO ONOROSA, O PADROADO QUE TINHA DOS MESMOS MOSTEIROS, DAS SVAS RENDAS, IGREJAS E CAPELAS, FICANDO DESTA SORTE A CONGREGAÇÃO DONATÁRIA DA COROA”

“O CARDEAL D. HENRIQUE FOI EXECVTOR DAS BVLAS DE REFORMA E VNIÃO DOS MOSTEIROS”

“O S.MO P. XISTO V CONFIRMOV A FVNDAÇÃO DE VMA NOVA CONGREGAÇÃO BENEDITINA A INSTANCIA DE EL-REI D. FELIPE II POR BULA SUA DATADA DO ANO DA INCARNAÇÃO 1857”.

Em 1834, a implementação do Liberalismo em Portugal determinou a expulsão das ordens religiosas e consequente confiscação dos seus bens e propriedades. A então Congregação de S. Bento de Portugal foi extinta, tendo perdido vinte e três mosteiros, e sido obrigada a buscar exílio em Espanha, um degredo que durou cinquenta e oito anos.

Em 1892, os beneditinos vieram para Singeverga. A família Gouveia Azevedo ofereceu a Quinta de Singeverga onde os religiosos se instalaram. Nesse mesmo ano, corria o dia da graça se 25 de Janeiro, foi fundado o Mosteiro de Singeverga, por iniciativa do Abade do Mosteiro de S. Martinho de Cucujães, D. João de Santa Gertrudes Amorim. A fundação de Singeverga, nos finais do séculoc XIX, foi considerada o ponto de partida para a restauração da Ordem Beneditina em Portugal.

Pouco mais de uma década volvida, eis que a implantação da Primeira República, em 1910, atira, mais uma vez, a Ordem de S. Bento para o exílio e para a clandestinidade. De novo, os bens são confiscados, mas valeu o facto de tanto a Casa como a Quinta de Singeverga se encontrarem ainda registados em nome da filha D. Maria Isabel Azevedo, viva ainda na altura, e que desta forma logrou manter as propriedades.

Em 1922, melhores dias chegaram à Casa de Singeverga que foi elevada pela Santa Sé ao grau de Priorado Conventual, sendo o seu primeiro prior o D. Manuel Baptista de Oliveira Ramos, o monge que até então havia exercido as funções de capelão da Casa.

Em 1926, com o advento do chamado Estado Novo, os Beneditinos puderam regressar desta ausência forçada na Europa, e então retomar a sua vida conventual, primeiro na Falperra, em Braga, e finalmente, em 1931, em Singeverga.

O título de Abadia foi concedido ao Mosteiro de S. Bento de Singeverga em 1938, numa graça concedida pela Santa Sé, sendo nomeado seu primeiro Abade D. Plácido de Carvalho. As décadas de trinta, quarenta e cinquenta foram de grande incremento e difusão em Portugal e nas colónias ultramarinas. As vocações surgiam em grande número, tornou-se indispensável a ampliação dos edifícios e a fundação de novas comunidades: as Missões do Moxico, em Angola, onde chegaram a trabalhar cerca de cinquenta monges; o Mosteiro de S. Bento da Vitória, no Porto; o Colégio de Lamego, e a Cela de Nossa Senhora da Graça, em Lisboa.

Entretanto a primitiva Casa de Singeverga mostrou-se demasiadamente pequena para albergar um tal senda de desenvolvimento.

Por esse motivo foi construído o novo Mosteiro de S. Bento para o qual os monges se mudaram ainda em 1957, durante o abaciado de D.Gabriel de Sousa. Secederam-lhe no cargo abacial, D. Teodoro Monteiro, D. Lourenço Moreira da Silva e D. Luís Aranha, este último desde 1995.

Texto de Patrícia Ribeiro

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Uma resposta to “Mosteiro de S. Bento de Singeverga – Santo Tirso”

  1. Alexandre said

    O mosteiro representado na foto não é o mosteiro de Singeverga, mas sim o antigo mosteiro beneditino de Santo Tirso e actual igreja matriz dessa mesma cidade, mas continuando a ser um monumento de grande interesse turístico-religioso e ainda hoje é grande a afluência de pessoas a este mosteiro principalmente no dia 11 de Julho, dia litúrgico de S. Bento, abade e padroeiro da europa.

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