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Torre de Grade ou Torre de Faro – Arcos de Valdevez – Viana do Castelo

Posted by mjfs em Julho 9, 2008

Torre de Grade - Arcos Valdevez - www.monumentos.pt - 2

 

A Torre da Grade é uma das muitas casas-torres que pontuaram a paisagem do Entre-Douro-e-Minho nos finais da Idade Média. Na actualidade, e apesar das múltiplas transformações ocorridas, a sua silhueta modesta recorda ainda esse passado medieval, ao mesmo tempo que comprova o estatuto relativamente secundário da propriedade ao longo da história.

As suas origens recuam ao século XV, mais precisamente à altura em que Álvaro Pires de Grade (marido de D. Branca Lopes Pacheco, pertencente a uma das mais importantes famílias portuguesas da segunda metade do século XIV) mandou construir a torre senhorial para sua residência. Dessa altura, conserva-se ainda parte da estrutura acastelada, tipicamente baixo-medieval.

È uma torre quadrangular, implantada isoladamente no alto de uma colina dominante, e compõe-se de três pisos, cujos vãos e organização interior foram grandemente adulterados pelas obras modernas. A coroá-la, a todo o redor do edifício, subsiste uma composição de ameias chanfradas, harmonicamente dispostas, que reforçam o carácter militarizado que a construção fundacional pretendeu evidenciar.

A lista de proprietários da quinta é extensa, tendo passado para a posse dos morgados da Andorinha nos finais do século XVII, altura em que era detida por Francisco Pereira de Castro. Deverá datar dessa época, ou das décadas seguintes, a profunda remodelação do espaço residencial. Não só se patrocinaram reformas na velha estrutura medieval, como se optou por construir um segundo corpo, adossado ao primeiro. Este, é de planta rectangular de dois pisos e recorreu a um aparelho “anárquico”, alternando os grandes silhares com abundante pedra miúda consolidada com argamassa. Edificação modesta e de fracos recursos económicos, o espaço divide-se em dois andares claramente diferenciados em termos funcionais: o piso térreo foi destinado a serviços de apoio, enquanto que o andar nobre impõe uma certa simetria ao alçado, com porta central (de arco recto e com acesso através de uma escadaria axial, com patim protegido por corrimão de ferro) ladeado por janela rectangular de guilhotina, faltando a do lado oposto.

Terá sido no mesmo momento em que se edificou este segundo corpo que se realizaram algumas alterações na torre. A porta principal, rasgada ao nível do segundo piso, é de arco recto e é encimada por brasão rectangular com as armas do proprietário. Sobrepõe-se-lhe uma janela de guilhotina semelhante à do corpo moderno, tipologia de vão que se repete noutras fachadas da torre. A face do último piso, voltada ao corpo residencial, possui uma janela de guilhotina ligeiramente desviada do eixo, que rompe com a simetria da fachada principal da torre.

Na posse de privados desde a sua construção, a Torre da Grade permanece como uma referência baixo-medieval na paisagem, evocadora da organização senhorial do espaço e das múltiplas alterações que se sucederam nos edifícios residenciais da nossa nobreza fundiária.

Texto: IPPAR – PAF

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3 Respostas to “Torre de Grade ou Torre de Faro – Arcos de Valdevez – Viana do Castelo”

  1. Artur Caldas said

    o Estado deveria poder intervir em situações como esta, é puro abandono e desleixo por parte dos seus proprietarios, assim sendo deveria ser expropriado e entregue oa poder lucal, tenho a certeza de que muitas coisas não estariam assim, o turismo é uma grande aposta para esta região, falo em turismo de qualidade, seria uma boa opção, e certo que seria benéfico para toda a gente, e porque não, fazer desta um hotel? fica a proposta

    • bruno fernandes said

      e uma terra linda arcos de valdevez.tudo e lindo principalmente a freguesia de grade.

    • Nelson Pereira said

      Não sou natural de Grade, mas gostei do local e das suas gentes e recuperei uma casa nesta freguesia.
      Achava bem que fizessem alguma recuperação da casa da Torre, tenho sido procurado por algumas pessoas que em passeio por o belo Alto Minho, desde que a câmara colocou uma placa indicando a casa, por cá tem passado.
      Infelizmente este e outro monumentos inclusive de maior imponência, estão despresados por todo o país, o IPAR não tem capacidade de resposta, por falta de apoio dos sucessivos governos e por uma grande carga burocrática, quando se pretende fazer qualquer recuperação.

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