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Archive for the ‘Gótico’ Category

Castelo de Abrantes ou Fortaleza de Abrantes – Santarém

Posted by mjfs em Abril 30, 2009

Castelo de Abrantes

A cidade de Abrantes, no distrito de Santarém, possui um poderoso e austero castelo. A silhueta das suas muralhas domina uma elevação da cidade e vigia atentamente a proximidade do extenso caudal do rio Tejo.

Pensa-se que a antiga fortaleza pré-romana terá sido conquistada no ano de 130 a. C. pelo cônsul romano Décio Júnio Bruto. Abrantes revelava-se um ponto estratégico fundamental, dado que esta cidade estabelecia a confluência de várias redes viárias, posição táctica que manteve a sua posterior validade, como o comprovam as sucessivas alterações da sua fortaleza militar.

Esta cidade ribatejana foi conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques em 1148. Posteriormente, seria alvo de dois longos e desgastantes cercos levados a cabo pelos Almorávidas, o primeiro dos quais aconteceu 21 anos mais tarde. Contudo, as forças cristãs sob o comando do primeiro rei português defenderam valorosamente este castelo.

No século XIII, D. Afonso III procedeu a melhoramentos substanciais nas muralhas da cidade, para D. Dinis cumprir a tarefa de concluir o perímetro defensivo, ao mesmo tempo que terminava a remodelação da Torre de Menagem.

O mestre de Avis, futuro D. João I, recebeu o apoio desta praça-forte durante a crise de 1383-1385, tendo sido aqui tomada a decisão de enfrentar o exército castelhano em Aljubarrota.

Na segunda metade do século XVI, a fortaleza de Abrantes entrou em acentuada decadência, particularmente durante a dinastia filipina. Ao longo da ocupação espanhola, o seu interesse estratégico foi considerado nulo.

Contudo, no último quartel do século XVII, D. Pedro II mandou reedificar a praça-forte de Abrantes, pois as Guerras da Restauração voltaram a colocá-la no centro da estratégia defensiva do território nacional. As grandes obras de remodelação seiscentistas basearam-se no moderno sistema de fortaleza à Vauban. Foram acrescentados ao castelo medieval dois meios-baluartes, enquanto se procedia à adaptação e alargamento das muralhas, preparando-as para os impactos destruidores da pirobalística.

No século XVIII, as instalações do castelo foram adaptadas a quartel, para darem guarida a um regimento de cavalaria real. Alguns anos mais tarde, entre 1792 e 1799, foi ampliado e ocupado pela legião comandada pelo marquês de Alorna. No virar do século, Abrantes seria um dos palcos da denominada Guerra das Laranjas, conflito luso-espanhol que arrastou para a guerra algumas localidades portuguesas. Em 1807, as invasões napoleónicas aconteciam pela mão de Junot; com ele estendeu-se todo um cortejo de violência e humilhações. O marechal francês ocupou esta cidade a 22 de Novembro e “recebeu” o título de duque de Abrantes. Contudo, menos de um ano depois, a cidade foi recuperada por um grupo de militares e populares portugueses. Reocupada no decurso da terceira invasão francesa, Abrantes voltou a ser martirizada pelas tropas comandadas por Massena, após a derrota deste nas Linhas de Torres Vedras.

Desactivado em termos de aquartelamento militar, o castelo de Abrantes conserva ainda a beleza dos volumes castrenses do seu passado. Envolta por um parque elegante e verdejante, a fortaleza deixa ver dois distintos panos de muralha, reforçado o primeiro por cilíndricos torreões e rasgado por algumas aberturas rectangulares. A porta principal abre-se no ângulo nordeste de fortaleza. O elemento que maior destaque alcança é a extensa Loggia do Paço dos Marqueses de Abrantes, varanda de grandes e poderosos arcos de volta perfeita, ladeada por dois torreões cilíndricos.

O interior da praça de armas possui ainda as antigas dependências palacianas, marcadas pela grandiosidade das suas estruturas arquitectónicas. Emerge destas construções a antiga Igreja de Santa Maria do Castelo, convertida em museu onde se expõem belas colecções de escultura romana, escultura tumular dos século XV e XVI, para além de notáveis painéis de azulejos sevilhanos e outras significativas obras de arte.

In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-03-21].

Outros Links:

 

 

Castelo de Abrantes em obras depois de desabamento de parte da muralha

16 DEZ 08 às 19:00

Uma parte da muralha do castelo de Abrantes cedeu durante o fim-de-semana e depois do alerta que foi lançado pela autarquia sobre o mau estado da muralha daquele monumento nacional de 900 anos. Na sexta-feira, a câmara assinou um protocolo para a recuperação parcial da muralha com a Direcção Regional da Cultura, mas logo a seguir, as chuvas causaram o desabamento de parte da estrutura.

As obras tiveram início, esta terça-feira, com a colocação dos andaimes, mas os técnicos terão de rever o plano de actuação, pois uma parte da muralha cedeu parcialmente pela base durante o passado fim-de-semana. Desta forma, o escoramento que estava previsto já não vai ser feito.

Castelo de Abrantes - Rui Miguel Silva

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Nelson de Carvalho, afirmou que o trabalho pode ser mais demorado do que o inicialmente previsto.

Castelo de Abrantes  - Rui Miguel Silva

Este desabamento afectou uma pequena área com cerca de cinco metros de comprimento por dois de altura, que foi entretanto vedada ao público, não colocando em risco a segurança dos visitantes.

Castelo de Abrantes  - Rui Miguel Silva

O castelo continua aberto, sendo desta forma possível entrar nas muralhas e visitar o jardim, a igreja, a torre de menagem e o palácio do governador.

O Castelo de Abrantes data do século XII, tendo sido mandado construir por Dom Afonso Henriques.

Ao longo dos seus 900 anos de existência já foi alvo de seis intervenções, a última das quais entre 2002 e 2004.

Apesar do orçamento inicial para esta intervenção de emergência ser de 80 mil euros, divididos entre a autarquia e o Ministério da Cultura, a câmara acredita que este valor será ultrapassado.

Desta forma, não há um preço certo e um espaço de tempo definido para a conclusão destas obras na muralha do Castelo de Abrantes.

(Citação: Rui Miguel Silva / TSF)

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Castelo de Alenquer – Lisboa

Posted by mjfs em Março 29, 2009

Castelo Alenquer  

O castelo gótico de Alenquer organizava-se em dois recintos diferenciados: no nível superior, ajustando-se à topografia do terreno, localizava-se a alcáçova; no inferior, abrangendo uma área mais vasta, desenvolvia-se a cerca que protegia o primitivo aglomerado urbano.

Sobre a configuração das anteriores fases da fortaleza nada sabemos, à excepção de alguns dados históricos que confirmam a sua existência. Assim, é de presumir que a primeira forma tenha sido dada pelos muçulmanos, que terão fortificado a povoação. Ela foi conquistada pelas forças cristãs em 1148, no mesmo processo militar que levou à tomada de Lisboa, Sintra, Almada e Palmela. Consta que D. Afonso Henriques ordenou uma campanha restauradora do conjunto, mas nenhum elemento material certifica a sua consumação.

No troço de muralha voltado a Norte conservam-se duas torres quadrangulares avançadas em relação à cerca, numa solução que se aproxima das torres albarrãs islâmicas, embora sem se autonomizarem da muralha. Este facto pode indicar uma anterioridade deste sector da cerca mas, quer o aparelho construtivo, quer a forma de enrocamento da estrutura, não apresentam pontos de contacto com a arquitectura islâmica.

Certo é que, nos primeiros anos do século XIII, o castelo era uma das mais importantes praças fortes da região imediatamente a Norte de Lisboa. D. Sancho I mandou construir um paço que doou a sua filha, D. Sancha. Esta, perante a recusa de seu irmão em reconhecer a doação, viu-se obrigada a refugiar-se no interior das muralhas, as quais foram imediatamente cercadas pelo futuro D. Afonso II. Neste processo de luta entre os irmãos desavindos, o Papa Inocêncio III interveio e cedeu o castelo à Ordem do Templo, prova da relevância militar da estrutura naquela conjuntura.

A partir desse período, Alenquer passou a ser parte integrante do património das rainhas, sendo sucessivamente doada às soberanas do reino. As obras de edificação do conjunto que actualmente resta devem situar-se pelos inícios do século XIV, altura em que a Rainha Santa Isabel detinha a vila. Com efeito, os escassos vestígios materiais conservados indicam uma cronologia plenamente gótica. A planta da alcáçova é genericamente oval e não consta que integrasse torre de menagem isolada no pátio, mas sim adossada a uma das frentes de muralha. A cerca era corrida por adarve protegido por merlões quadrangulares e, perto do rio, aparentemente com funções defensivas sobre uma antiga fonte que abastecia a população, ergue-se a Torre da Couraça. Esta deverá ser de cronologia posterior à edificação do castelo e é uma imponente estrutura, de mais de 18 m de altura, bastante modificada nos séculos seguintes, tendo sido aproveitada para fins habitacionais privados.

Residência real no final da Idade Média, o castelo foi parcialmente destruído em 1385, quando D. João I subiu ao trono e o alcaide de Alenquer havia jurado fidelidade à causa castelhana. A torre de menagem foi destruída e parte das muralhas seguiram o mesmo caminho. Só em 1439, continuando a localidade a pertencer ao património das rainhas, D. Leonor Teles ordenou levantar a cerca derrubada.

No século XVI, o estado de abandono do castelo levou a que se entulhasse a cisterna e, a partir de 1580, abraçando novamente o seu alcaide o lado errado da História (neste caso o partido de D. António, prior do Crato), o castelo entrou em definitiva decadência, não voltando a ser reconstruído. Paulatinamente, passou a ser utilizado como pedreira e, no século XIX, foi a própria Autarquia a determinar a demolição de algumas parcelas.

Em 1927, Hipólito Cabaço procedeu à limpeza parcial da cisterna e identificou espólio que permite situar a construção da fortaleza entre 1350 e 1385, lapso temporal que urge definir com maior clareza. Em 1940, a DGEMN demoliu a capela por cima da Porta de Nossa Senhora da Conceição e procedeu ao restauro de parte da muralha, mas o processo de restauro ficou inacabado, assim permanecendo até hoje.

Texto:  PAF/IPPAR

OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Castelo de Alenquer (Pesquisa de Património / IPPAR)
  • Castelo de Alenquer (pt.wikipedia)
  • Castelo de Alenquer (cm-alenquer)
  • Castelo de Alenquer (Guia da Cidade)

     

     

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    Castelo de Porto de Mós – Leiria

    Posted by mjfs em Março 22, 2009

    Castelo Porto de Mos - Foto Adrian Diaz 

    À semelhança do que acontece com o vizinho Castelo de Ourém, também não estão esclarecidas as origens do local, em particular durante o período de nominal domínio árabe. Tem-se sugerido a existência de uma atalaia islâmica, conquistada por D. Afonso Henriques em 1148 (apenas depois das conquistas de Lisboa, Palmela e Santarém?), mas os vestígios materiais dessa realidade tardam em aparecer.

    Mais certo é a iniciativa edificadora dos nossos primeiros monarcas. A D. Sancho I atribui-se uma primeira construção militar, posteriormente alargada e reforçada no reinado de D. Dinis, numa campanha que chegou a cercar toda a povoação.

    Mas o mais importante contributo construtivo para a história de Porto de Mós ocorreu já no século XV, altura em que a localidade entrou na posse do Conde de Ourém e 1º Marquês de Valença, D. Afonso. Em Ourém, o conde promoveu avultadas obras, ao abrigo de um italianismo ímpar no nosso país. O majestoso paço que construiu no castelo de Porto de Mós inscreve-se neste mesmo movimento e constitui o segundo capítulo escrito por D. Afonso de uma história de real importância na evolução da arte quatrocentista nacional.

    O monumento apresenta uma evidente racionalidade arquitectónica, ao alicerçar-se numa planta pentagonal, cujos vértices são reforçados por torreões (três de secção quadrangular e um outro pentagonal). A fachada principal, voltada a Sul, é de feição harmónica, com corpo central ladeado por duas torres coroadas com terminações piramidais. O portal é de arco de volta perfeita, encimado por elegante loggia panorâmica, mais característica da arquitectura palaciana que da militar. O interior apresenta um pátio central (onde se escavou a cisterna), a partir do qual se acede a todos os espaços do conjunto.

    A loggia corrida ao longo do andar nobre do paço e o coroamento piramidal das duas torres que ladeiam a entrada fazem com que este castelo seja uma das mais importantes peças de cenografia arquitectónica do século XV português. Por essa altura, viveram-se tensões entre casas nobres, com uma guerra civil pelo meio, mas o paço de Porto de Mós foi concebido com preocupações mais artísticas e socialmente prestigiantes do que propriamente militares.

    Texto: PAF / IPPAR

    Castelo Porto de Mos - Foto ESPortoMós

    OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Castelo de Porto de Mós (Pesquisa de Património / IPPAR)
  • Castelo de Porto de Mós a 3D no Google Earth
  • Castelo de Porto de Mós (Guia da Cidade)
  • Castelo de Porto de Mós (pt.wikipedia)
  • Castelo de Porto de Mós (wikimedia – fotos)
  • Castelo de Porto de Mós (IPPAR – fotos)
  • Castelo de Porto de Mós (Colecção Sec. XXI – Fotos)
  • Posted in Arquitectura, Castelos, Gótico, História, Imagens, Monumentos, Património, Portugal, Renascentista | Leave a Comment »

    Castelo e Muralhas de Óbidos – Leiria

    Posted by mjfs em Março 20, 2009

     Castelo de Óbidos - Osvaldo Gago - fotografar.net - wikimedia

    Há uma relação de afectividade neo-romântica para quem visita a vila de Óbidos. Serão poucos os casos no país onde a busca deliberada de um ideal cenográfico de Idade Média foi tão efectivo, razão da aparente atemporalidade das ruas do conjunto intra-muralhas, que, na sua sinuosidade, nas suas fachadas brancas e no vislumbre das inventadas ameias, nos transportam para um tempo mítico de um Portugal em formação.

    São ainda obscuras as origens da fortaleza. Ao que tudo indica, a sua posição dominante em relação à extensa lagoa a ocidente, favoreceu a instalação de um primitivo reduto fortificado de origem romana. A Alta Idade Média não deixou vestígios aparentes da sua presença, e será, apenas, na viragem para o século XII que Óbidos voltará a merecer referências documentais precisas. No mesmo impulso expansionista que levou as fronteiras de Portugal até à linha do Tejo, em 1147, a vila passou para a posse de D. Afonso Henriques, ficando para a posteridade uma tradição de tenaz resistência por parte dos muçulmanos. Anos mais tarde, na sequência das investidas almóadas de final do século, coube a D. Sancho I reconquistar a localidade, dotando-a, então, de condições mais efectivas de povoamento e de organização.

    1210 é uma das datas mais marcantes da vila. Nesse ano, foi doada às rainhas, passando a figurar como uma importante localidade da casa das soberanas nacionais. Com presença assídua dos casais régios ao longo das Idades Média e Moderna, Óbidos floresceu e foi sucessivamente enriquecida por obras de arte. O mecenato artístico patrocinado por D. Leonor (século XV) e, especialmente, por D. Catarina (século XVI), marca, ainda hoje, a paisagem arquitectónica da vila.

    O castelo e as muralhas de Óbidos evocam a importância da localidade na Baixa Idade Média. Apesar de, em grande parte, serem obra inventiva do século XX, asseguram a todos os que se dirigem à vila a identidade daquele passado emblemático. Desconhecemos a configuração do perímetro amuralhado inicial, contemporâneo da acção dos nossos primeiros monarcas. A torre do Facho, no limite Sul das muralhas e ocupando um pequeno monte, tem vindo a ser atribuída à reforma de D. Sancho I, mas a verdade é que os vestígios materiais inviabilizam uma análise mais pormenorizada. A ser assim, a ligação deste espaço ao monte do castelo ter-se-á dado logo no século XII.

    Mais consensual é a expansão urbana verificada na viragem para o século XIV. Com D. Dinis, Óbidos cresceu para fora das muralhas, ocupando o espaço em torno da igreja de São Pedro. Paralelamente, deu-se a reforma do sistema defensivo, e consequente actualização do dispositivo militar, campanha que deverá ter conferido a actual configuração ao perímetro amuralhado. Anos mais tarde, D. Fernando terá patrocinado novas obras, tendo a torre de menagem ainda o seu nome.

    Dividido em duas zonas essenciais (o castelejo, onde séculos mais tarde se instalou a Pousada, e o bairro intra-muros), a cerca define um perímetro bastante irregular, de feição rectangular e não oval, como seria mais frequente na castelologia gótica nacional. Entre o castelo propriamente dito (a Norte) e a Porta da Vila (a Sul), a Rua Direita estabelece a comunicação e aparece como o eixo de circulação privilegiado dentro da vila. Sensivelmente a meio, a Praça de Santa Maria é o principal largo do conjunto, ocupando um espaço quadrangular que corresponde ao adro da igreja tutelar da vila.

    A reinvenção do castelo deu-se na década de 30 do século XX. Por acção da DGEMN, que visava reverter o conjunto à sua imagem medieval, todos os parapeitos foram dotados de ameias, assim como se reedificaram torres e troços que, entretanto, haviam sido destruídos. No final dos anos 40, construiu-se a pousada, no local do antigo paço, e toda a vila foi dotada de uma homogeneidade estética que passou pelo revestimento de cal das fachadas e pelo pavimento uniforme de todas as ruas.

    Texto: PAF/IPPAR

    Muralhas Obidos - wikimedia - Paulo Juntas

    Outros Links:

  • Castelo de Óbidos (IPA / DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Castelo de Óbidos (Pesquisa de Património / IPPAR)
  • Fotografias do Mercado Medieval de Óbidos
  • Castelo de Óbidos (wikimedia-fotos)
  • Castelo de Óbidos (IPPAR-fotos)
  • Castelo de Óbidos (pt.wikipedia)
  • Castelo de Óbidos (Guia da Cidade)
  • Muralhas de Obidos (wikimedia-Fotos) 

     

     

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    Igreja Matriz de Martim Longo – Faro

    Posted by mjfs em Março 14, 2009

     Igreja Martim Longo

    A matriz de Martim Longo é um templo edificado na viragem para o século XVI. De acordo com as Visitações da Ordem de Santiago, a quem o território estava confiado, sabemos que, em 1518, a igreja estava praticamente terminada, faltando apenas edificar o campanário e estando a capela-mor "derribada". Esta última informação faz supor que a campanha construtiva que então se verificava correspondia a uma reforma de um edifício anterior, pois o mais comum era iniciar-se a edificação pela cabeceira. Disso mesmo dá testemunho a mesma Visitação, quando refere que a igreja foi feita "de novo", pelos "moradores desta alldea de Martim Longuo" e "aa sua custa" .

    Na avaliação do templo, temos, portanto, que o corpo é a parte mais antiga. Ele compõe-se de três naves de quatro tramos, marcados por colunas que suportam arcos formeiros apontados, sendo a nave central mais alta que as restantes. O facto de os capitéis serem oitavados prova o marco cronológico tardo-gótico, que nos parece ainda mais conotado com a linguagem quatrocentista que com a do ciclo manuelino, faltando aqui a exuberância decorativa deste último. O próprio portal principal revela essa longa duração artística, na medida em que é de perfil quebrado composto por ligeira moldura interna que descarrega sobre um único colunelo adossado à caixa-murária.

    A capela-mor, por ser mais tardia, integra-se já num outro complexo artístico. A Visitação de 1518 assegura que ela seria edificada à custa do Bispo e Cabido de Silves. No entanto, em 1534, em nova Visitação, a cabeceira ainda se encontrava "derrubada" e só o campanário estava terminado. Só vinte anos depois, em 1554, a obra se completou e foi possível erguer uma capela-mor de dois tramos, coberta com abóbada presumivelmente de cruzaria de ogivas, com bocete central, a que se acedia através de um arco triunfal "de ponto". Desta campanha, resta a arquitectura, uma vez que o recheio se perdeu. Pela Visitação de 1565, a última efectuada a esta aldeia, sabemos que o retábulo-mor era de madeira dourada e que continha cinco painéis que enquadravam a imagem tutelar da igreja, uma Nossa Senhora de vulto .

    Nos inícios do século XVI, a parede fundeira do corpo, que ladeia o arco triunfal, era decorada com várias pinturas murais, de que restam ainda algumas parcelas. Elas não foram mencionadas em 1518, mas em 1565 já se diz que "na parede do cruzeiro está pintada a imagem do crucifixo e a de Nossa Senhora e a de São João e outros Santos, já velho tudo e mui despintado". Por esta descrição, vê-se que o Painel do Calvário, que seria ladeado por outras representações, era antigo e denunciava já grande desgaste. Ainda no interior, importa salientar a pia baptismal, manuelina, cuja bacia cilíndrica repousa sobre base decorada com carrancas.

    Mas é, sem dúvida, no exterior, que reside uma das mais importantes características do templo: a série de torreões cilíndricos que amparam o edifício pelo lado Sul. A torre de maior secção é parcialmente ocultada pela torre sineira, o que permite supor tratar-se de uma pré-existência em relação à obra dos inícios do século XVI. Já se aventou a hipótese de se tratarem de vestígios de uma hipotética mesquita, mas nada se pode assegurar e é mais credível, no momento actual, atribuí-los a uma fase construtiva tardo-gótica conotada com o mudejarismo meridional, que, presumivelmente, não englobaria a torre sineira, sendo esta resultado de uma intenção posterior.

    O templo foi objecto de algumas obras ao longo dos séculos, em particular o janelão rectangular do segundo registo da frontaria (edificado após estragos causados pelo Terramoto de 1755), e o retábulo-mor barroco, mandado fazer pelo Bispo D. Francisco Barreto II em 1581, e suprimido já nos nosso dias. EM 1968, encontrava-se em estado de ruína, procedendo-se, então, a um amplo restauro, a cargo da DGEMN, que conferiu ao conjunto o seu aspecto actual.

    Igreja Martim Longo

    Texto: PAF / IPPAR

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    Castelo de Longroiva – Meda – Guarda

    Posted by mjfs em Fevereiro 28, 2009

     Castelo de Longroiva - Meda - Guarda - Foto John

    O que resta do castelo medieval de Longroiva constitui uma das mais importantes realizações de arquitectura militar templária da Beira Interior e, simultaneamente, um dos melhores testemunhos de castelo românico nesta zona. A afirmação do reino de Portugal enquanto estrutura autónoma de poder havia determinado a defesa activa da capital, Coimbra. Para essa tarefa, D. Afonso Henriques havia escolhido os Templários, que se encarregaram de fortalecer os acessos a Sul e a Leste do Mondego. Em 1145, são-lhes doadas várias localidades, como Mogadouro e Penas Róias, já em Trás-os-Montes. Anos depois, o seu património fundiário estende-se à Beira Baixa, com a doação de Idanha-a-Velha e Monsanto.

    A origem da fortaleza românica de Longroiva inscreve-se neste contexto. Precisamente nessa década de 40, um primitivo castelo (integralmente desconhecido na sua forma e estilo, referido, pela primeira vez em 960) estava nas mãos da família dos Braganções. Coube a D. Fernão Mendes de Bragança a sua doação aos Templários, que então executaram uma fortificação modelar.

    A sua torre de menagem, o único elemento original que ainda resta, está epigraficamente datada de 1174, ano relativamente precoce para o aparecimento deste tipo de soluções arquitectónicas no nosso país. Com efeito, como vem defendendo Mário Barroca, é aos Templários que se deve a introdução da torre de menagem nos nossos castelos, aparecendo, em primeiro lugar, no de Tomar, nos inícios da década de 60. Longroiva é, assim, o produto das numerosas fortalezas promovidas por D. Gualdim Pais enquanto Mestre da Ordem em Portugal, e é contemporânea de obras tão importantes como as de Almourol e Pombal, ambas igualmente da década de 70 do século XII.

    O castelo foi bastante modificado ao longo dos séculos, o que determinou, por exemplo, o encurtamento da sua cerca. No entanto, por uma Visitação de 1505 (GOMES, 1996, pp.128-129), sabemos que a torre de menagem era uma estrutura isolada no pátio central, característica que define o seu carácter plenamente românico. Nessa altura, tinha três andares e já a janela manuelina mainelada, que ainda possui. Para além disso, é possível perceber que, originalmente, foi rodeada por um hurdício, uma galeria de madeira (de que ainda restam os apoios a toda a roda da torre) que protegia superiormente a estrutura e permitia o ataque vertical sobre os inimigos.

    Nesse ano de 1505, o pátio central românico havia sido quase integralmente ocupado pelo paço do comendador da Ordem de Cristo. A Visitação refere que algumas partes são novas, o que remete para uma empreitada contemporânea da janela manuelina da torre de menagem. A sua reconstituição virtual foi tentada, em linhas muito esquemáticas, pelo Arquitecto José Daniel Santa Rita, de que se publicaram alguns desenhos no volume Castelos da Raia dedicado à Beira Interior.

    Infelizmente, a importância de Longroiva decaiu consideravelmente na Idade Moderna. Dois séculos depois da descrição do paço “novo” do comendador, as suas casas “encontravam-se já destelhadas e em ruína”, a cisterna, que abastecia o interior, entupida, e as portas do castelo, que no passado haviam defendido o acesso, não possuíam já qualquer grade ou portão de madeira.

    Mais recentemente, na viragem para o século XIX, o castelo foi transformado em pedreira local, desmantelando-se, sucessivamente, as suas muralhas. Esta ruína provocada coincidiu com a extinção do concelho de Longroiva, facto que prova a extrema decadência deste território e a pouca atenção de que era alvo. Posteriormente, o pátio central foi convertido em cemitério da povoação. No século XX, com a nova consciência patrimonial, as investigações aqui efectuadas revelaram algumas das estruturas originais, como a cisterna. No entanto, e apesar de algumas tentativas para reabilitar o monumento, ele chegou até nós como uma ruína.

    Texto: PAF / IPPAR

     

    OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Castelo de Longroiva (Pesquisa de Património / IPPAR)
  • Castelo de Longroiva (pt.wikipedia)
  • Castelo de Longroiva (Guia da Cidade) 
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    Castelo de Leiria

    Posted by mjfs em Fevereiro 14, 2009

    Castelo de Leiria 

    Monumento emblemático da história da cidade e do país, a configuração actual do castelo de Leiria resulta de quatro grandes períodos interventivos: o Românico do século XII; o Gótico dionisio, da primeira metade do século XIV; Gótico joanino, de inícios do século XV, e as correntes restauradoras de finais do século XIX e primeira metade do século XX.

    Pouco sabemos acerca das primeiras obras do castelo. A sua relevância militar, numa zona de transição entre Coimbra e Lisboa, determinou a construção de um dos principais redutos defensivos do tempo de D. Afonso Henriques, mas a verdade é que o que hoje podemos observar é muito mais fruto de campanhas posteriores. A torre de menagem, de robusta secção quadrangular, é disso um exemplo, tendo sido iniciada apenas em 1324, em pleno final de reinado de D. Dinis.

    A dinastia de Avis escolheu este castelo como um dos principais monumentos simbólicos da sua autoridade e poderio. O paço de D. João I é uma construção exemplar, de grande rigor construtivo e estético. Impõe-se sobre a muralha medieval, que aproveita como parede e alicerce, e organiza-se em quatro andares, de estudada racionalidade e operatividade. Os dois pisos inferiores, destinados a arrecadações e serviços domésticos, praticamente não se vislumbram do exterior, ocultados pela robusta massa pétrea do castelo. Os dois superiores possuem tal impacto visual que se assumem como imagem de marca do próprio castelo e, até, da cidade.

    Destinados à família real e às recepções por si patrocinadas, são um dos mais impressionantes conjuntos de arquitectura palaciana de carácter real que nos chegaram da Idade Média. Na face virada ao burgo, sobre a muralha, uma ampla e muito restaurada loggia, de oito arcos de capitéis geminados, foi concebida como espaço de lazer e de convívio, aproveitando a panorâmica sobre a cidade . Para esta loggia acedia-se através de uma sala de cerca de 130m2, designada por Aula Régia ou Salão Nobre, espaço destinado, pelo monarca, à audiência e recepção. Contrapondo-se à loggia, um vestíbulo antecedia a entrada nesta sala, formando-se, assim, uma primeira linha de simetria do conjunto.

    Um segundo eixo de simetria era formado pelas dependências extremas do paço, destinadas aos quartos de dormir e de privacidade da família real, dotados de andar superior (que formavam duas torres harmónicas na silhueta do conjunto) e providos de lareiras e latrinas .

    Do paço à capela palatina acedia-se por um passadiço. Essa capela não era mais que a igreja de Nossa Senhora da Pena, ou de Santa Maria do Castelo, o primeiro templo da cidade, documentado logo na década de 40 do século XII  e que, no reinado de D. João I, foi totalmente refeita. É um pequeno templo, de nave única, com alto arco triunfal apontado, capela-mor poligonal relativamente iluminada e entrada principal lateral, enquadrada por um gablete.

    A obra da igreja revela grande homogeneidade para com a do paço e constitui um dos monumentos de referência da arte gótica de inícios do século XV, ao reflectir fielmente os esquemas estéticos do grande monumento dessa centúria: o Mosteiro da Batalha. Com efeito, são muitas as características batalhinas que aqui encontramos, desde a semelhança da capela-mor para com os absidíolos de Santa Maria da Vitória, os capitéis vegetalistas a dois registos e de folhagem exuberante, até às marcas de canteiro, a maioria repetindo outras da Batalha .

    No reinado de D. Manuel, fizeram-se obras no templo, como o prova a flora e perfil das mísulas que suportam a abóbada da sacristia, mas os séculos seguintes caracterizaram-se por um progressivo abandono de toda a estrutura militar leiriense. Na segunda metade do século XIX, quando Ernesto Korrodi pertendeu intervir no conjunto, grande parte do complexo medieval estava em ruína e a sua feição actual data das grandes campanhas restauradoras conduzidas nos anos 40 do séc. XX.

     

    Texto: PAF / IPPAR

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    Paço Ducal de Vila Viçosa – Évora

    Posted by mjfs em Fevereiro 11, 2009

     Paço Ducal - Vila Viçosa

    Antecedido pela moderna estátua equestre de D. João IV, escultura realizada por Francisco Franco, o Paço Ducal de Vila Viçosa ergue-se no topo de um amplo terreiro nesta vila alentejana. O Palácio pertence à fundação da Casa de Bragança e foi um empreendimento começado por D. Jaime no século XVI, de acordo com os cânones do gótico final. Dessa primitiva fundação restam alguns elementos arquitectónicos, materializados no claustro do paço e em alguns compartimentos do rés-do-chão, com algumas coberturas abobadadas e portas de inspiração mudejar. Posteriormente, nos séculos XVII e XVIII, o Palácio dos Duques de Bragança foi remodelado e aumentado, sobretudo ao nível da fachada principal e da decoração das diversas dependências palacianas.

    Iniciada pelo duque D. Teodósio II (1568-1630), a sua frontaria é severa e marcada por elegantes linhas maneiristas, repartida por três pisos rasgados por portas, janelas e varandas, estruturando-se com pilastras distribuídas segundo os preceitos das ordens clássicas – dórico no piso inferior, jónico no intermédio e coríntio no último -, harmonia quebrada no reinado de D. Maria I quando lhe foi acrescentado um corpo compósito na parte axial da cobertura do palácio.

    A entrada do actual museu da Fundação da Casa de Bragança conduz a uma imponente escadaria, cujas paredes apresentam frescos do século XVI, alusivos à tomada de Azamor em 1513, por D. Jaime de Bragança. Do acervo de artes decorativas deste imenso palácio, destacam-se algumas secções que decoram as diversas dependências – a tapeçaria de produção belga ou holandesa; variadíssimas peças de mobiliário provenientes de diversos países; cerâmica oriental e europeia; ourivesaria sacra, com relevo para a Cruz-Relicário do Santo Lenho, em ouro, com aplicações de esmaltes e de 6200 pedras preciosas, obra seiscentista encomendada por D. João IV ao atelier de Filipe Valejo, ou ainda a pintura, com a vastíssima colecção que vai desde o século XVI até ao século XX, incluindo alguns dos mais famosos pintores nacionais e ainda pinturas do rei D. Carlos.

    A Sala dos Tudescos ou dos Duques abre a ala norte e revela-se um magnífico compartimento do palácio, ostentando um tecto barroco de caixotões dourados, contendo as pinturas de todos os duques de Bragança, desde o século XIV até D. José, algumas das quais foram pintadas pelo artista francês Pierre Antoine Quillard e outras pelo pintor saboiano Domenico Duprà. A parede central tem um fogão em mármore, enquanto os outros panos expõem diversas tapeçarias setecentistas. Predomina a pintura de frescos e de painéis de cobertura nas Salas das Virtudes e de Hércules, com as suas pinturas mitológicas, ou ainda na Sala das Duquesas.

    No lado oposto, virado a sul, apresentam-se a Sala da Rainha, que se estende para a Sala de David, decorada com cenas históricas pintadas, bem como um soberbo silhar de azulejos dos inícios de Seiscentos, produzidos por Talavera de La Reina e concebidos por Fernado de Loyaza. O oratório privado de D. Catarina expõe um soberbo pano do século XVI, trabalho flamengo que representa o Descimento da Cruz. Seguem-se-lhe outras dependências, terminadas no flanco sul pelas Salas do Príncipe do Brasil e de D. Maria.

    Orientada para o jardim do palácio situa-se a ala evocadora da memória de D. Carlos e de D. Amélia. Nesta ala transversal encontra-se a capela real, decorada por finos e coloridos estuques dos séculos XVIII e XIX, começados no reinado de D. João V e terminados por D. João VI. Neste espaço são visíveis pinturas italianas de Maratta ou Rosselini, ou ainda do francês Quillard. Expõe-se também o tríptico quinhentista do Calvário, que veio do Convento das Chagas de Cristo e que actualmente se encontra na Sala da Tribuna, e ainda uma tela de S. João Baptista, pintada em 1793 por Domingos António de Sequeira.

    Das dependências deste vasto palácio, destaca-se ainda a excelente e enorme colecção de armaria, exposta nos antigos compartimentos quinhentistas de D. Jaime; a cozinha do palácio com a sua imensa parafernália de utensílios em cobre, de todos os tamanhos e feitios; a cocheira real, com os seus admiráveis coches, berlindas ou liteiras; finalmente, a biblioteca, com os seus mais de 50 mil volumes, alguns dos quais verdadeiras raridades adquiridas por D. Manuel II.

    Fonte: In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-02-10].
    Disponível em: Infopédia

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    Paço Ducal - Vila Viçosa

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    Fonte de Nossa Senhora da Conceição de Atouguia da Baleia – Peniche

    Posted by mjfs em Fevereiro 6, 2009

     Fonte Nossa Senhora da Conceição - Atouguia da Baleia - jfreguesia

     

    A Fonte de Nossa Senhora da Conceição, construída no Século XIV (provável), encontra-se a poucos metros da Igreja com o mesmo nome sendo conhecida também por Fonte Gótica, Fonte do Infante (topónimo constatado em documentação setecentista) ou Fonte dos Gafos, devido à existência de uma Gafaria à data da sua construção.

    A fonte, cujo serventia é enquadrada por um arco de ogiva, coroado por um brasão ostentanto as antigas armas da vila, apresenta traços de uso como lavadouro, beneficiando hoje no seu repouso, do enquadramento do ajardinamento que lhe foi oferecido.

    Cronologia

    1165 – Povoada a vila por Wilhelmo Lacorne, fidalgo francês, como prémio de ter ajudado D. Afonso I na tomada de Lisboa;

    1167 – Foral dado por D. Afonso I;

    1218 – Foral confirmado por D. Afonso II;

    1313 – provável da construção da fonte, mandada erigir pela Rainha Santa Isabel, que viveu na Atouguia nessa data; também conhecida por Fonte dos Gafos, por ter sido construída perto da fonte uma Gafaria, onde existia um grande tanque no qual eram banhados os doentes antes de entrarem no albergue;

    1373 e 1376 – Cortes celebradas no reinado de D. Fernando;

    1510 – Foral novo dado por D. Manuel em Santarém;

    1759 – D. José I manda justiçar o último conde d’Atouguia donatário do condado, passando-o para a Coroa;

    1949 – pedido de classificação da fonte.

     

    Fonte: IHRU
    Mais informações: www.monumentos.pt

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    Igreja de Santa Clara (Largo do Monte) – Vila do Conde

    Posted by mjfs em Janeiro 18, 2009

    Igreja Santa Clara - Vila do Conde - Paulo Almeida Fernandes - 2006 - IPPAR - 1

    Mandado edificar em 1318 por D. Afonso Sanches (filho bastardo de D. Dinis) e sua mulher, D. Teresa de Menezes, o Convento de Santa Clara é um templo fundamental do Gótico português a Norte do Douro, não obstante as numerosas alterações a que foi sujeito ao longo dos séculos. O conjunto monumental domina o centro histórico da vila – edificando-se no local onde se pensa ter existido o castelo dos Condes de Cantanhede, senhores do burgo, com a igreja a ser secundarizada pelo majestoso corpo sul neoclássico, construído em 1777 pelo arquitecto Henrique Ventura Lobo, um dos mais importantes nomes do chamado ciclo neoclássico portuense.

    Logo em 1319 os fundadores doaram o espaço às clarissas, tendo sido este braço feminino dos franciscanos o responsável pela construção do complexo, um processo que conferiu à igreja a configuração que ainda mantém e que significou um exemplo pioneiro de implantação mendicante na região, a par das conturbadas histórias de S. Francisco do Porto e de S. Domingos de Guimarães. A austeridade e monumentalidade exteriores lembram, em parte, os primeiros exemplos de arquitectura mendicante clarissa do país, especialmente a fachada ocidental, onde o único elemento é a rosácea radiante, inscrita num enorme muro compacto, delimitado por dois contrafortes. A organização interna, no entanto, difere substancialmente. Enquanto que, por exemplo, no Convento de Santa Clara de Santarém a construção clarissa marca o triunfo do discurso mendicante numa cidade fortemente urbanizada, explicando-se por isso o longuíssimo corpo de três naves, a de Vila do Conde apresenta somente uma nave, de tal forma pequena que a construção do coro ocidental (verificada na época moderna) provoca uma sensação de planta em cruz grega interna.

    A cabeceira e a sua implantação num terreno irregular é outro aspecto interessante da igreja. Exteriormente, apresenta-se como uma fortaleza, com as janelas muito altas e a estrutura coroada por ameias, sugestão reforçada pela existência de poderosos contrafortes, que ajudam a vencer o desnível do terreno. Interiormente, porém, a rigidez formal é assumida de forma proporcional, com os absidíolos bastante mais baixos que a capela-mor.

    A marcha das obras góticas do Convento revelou-se bastante demorada, não estando o conjunto terminado em 1354, altura em que D. Afonso Sanches pede ao seu filho, por testamento, que as conclua. Deste último período é o que resta da Sala do Capítulo, organizada de forma tripartida, como era usual, com porta axial ladeada por duas janelas (aqui tratadas de forma idêntica, com finos colunelos e pequenos capitéis vegetalistas que provam a sua tardia cronologia) e alçado coroado de ameias.

    Muitas foram as alterações que se efectuaram no conjunto ao longo dos séculos seguintes. A mais importante verificou-se nos primeiros anos do século XVI, sob o impulso das abadesas D. Isabel de Castro e D. Catarina de Lima. A elas se deve a construção da capela dos fundadores, aberta por arco apontado de moldura inferior cairelada, e coberta por abóbada polinervada estrelada. No seu interior, as abadessas mandaram colocar os túmulos dos fundadores, refeitos para o efeito, de acordo com a estética do tempo manuelino. Dotados de jacentes ainda plenamente medievais, com D. Afonso a segurar a espada e com um leão aos pés e D. Teresa vestindo o hábito de clarissa, são das mais impressionantes obras de tumulária manuelina, saídas da oficina de Diogo Pires-o-Moço.

    Outros enterramentos existem neste convento, que evidenciam a deliberada procura de alguns poderosos nomes da sociedade baixo-medieval por instituições mendicantes. De c. 1415 é o túmulo de D. Brites, decorado com motivos heráldicos, e da década de 40 de Quatrocentos é o moimento duplo dos Condes de Cantanhede, D. Fernando de Meneses e sua mulher, D. Brites de Andrade, obra claramente filiada no modelo inaugurado por D. João I e D. Filipa de Lencastre na Batalha.

    Fonte: PAF / IPPAR

    Igreja Santa Clara - Vila do Conde - Paulo Almeida Fernandes - 2006 - IPPAR - 2

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