ÍCONES DE PORTUGAL

Património de Portugal

Archive for the ‘Slides’ Category

Pousada de São Gonçalo em Amarante

Posted by mjfs em Março 28, 2008

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O edifício da Pousada do Marão encerra as duas vertentes que trespassaram a arquitectura portuguesa praticada durante a vigência do Estado Novo. Por um lado, este edifício integra em si a exaltação da ruralidade, quer pela localização, quer pela solução dos materiais e das técnicas empregues na sua construção: a opção pelo granito e pela telha que convivem com janelas guilhotinadas e arcos de volta perfeita. Por outro lado, a colaboração de Januário Godinho está já bem patente nesta obra, tendo em linha de conta a preocupação com as pré-existências, bem patentes na forma como o edifício de adapta à paisagem, de tal forma que o risco da sua concepção passa pela sua integração na malha traçada pela própria montanha. Assim se estabelendo a continuidade com uma tradição que se funda na revalorização da relação entre construção e natureza.

(Fonte: IPPAR)

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Igreja de São João Baptista em Alcochete – Setúbal

Posted by mjfs em Março 24, 2008

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No século XV, em pleno período de afirmação da dinastia de Avis, Alcochete era uma vila ribeirinha próspera. Dispunha de um paço real (muito provavelmente destruído aquando do terramoto de 1755) e era um dos mais importantes centros da Ordem de Santiago, cujos principais nomes, incluindo o seu mestre, aqui tinham casa e aqui residiam durante largas temporadas do ano. A actual igreja Matriz é o mais singular produto dessa favorável conjuntura e data dos meados da centúria, do período de mestrado de D. Fernando (1443-1470), irmão de D. Afonso V e pai de D. Manuel. Sobre o portal principal, as duas cruzes do seu duplo mestrado, de Avis e de Santiago, são uma marca inequívoca deste marco histórico e cronológico, anunciando, no presente como no passado, a tutela do empreendimento.

Artisticamente, a igreja é um templo heterogéneo, cuja deliberada busca de monumentalidade não disfarça a vigência de correntes estéticas díspares, tão características do século XV português.

O plano arquitectónico geral representa uma forma de arquitectura religiosa gótica tradicional, cuja origem recua aos primeiros exemplos do século XIII, mais precisamente à obra de Santa Maria do Olival, de Tomar, e aos ensaios mendicantes de Santarém e de outras cidades do reino. A opção por um corpo de três naves (neste caso com quatro tramos), separadas por arcarias longitudinais, e tecto de madeira, e por uma fachada principal ad triangulum, com portal inscrito num alfiz e uma rosácea axial a coroar o segundo andar, são características essenciais do Gótico paroquial nacional, tipologia arquitectónica e espacial que, partindo do século XIII, teve grande impacto nos séculos da Baixa Idade Média e foi ainda bastante utilizada nos alvores da modernidade.

Mas, se esta é a impressão geral imediata, existe uma segunda tendência estética, menos perceptível, é certo, mas igualmente relevante. Ela testemunha-se, entre outros locais, no portal lateral Sul – a única parte do templo que foi assinada por um enigmático mestre A. (Afonso?). O recurso a capitéis de dois andares e, principalmente, o perfil cairelado do seu arco, são marcas inconfundíveis do tempo tardo-gótico de ascendência batalhina, o que prova como o projecto quatrocentista de Alcochete detinha recursos económicos suficientes para atrair homens formados no maior estaleiro do país – o Mosteiro da Batalha.

Ao longo do século XVI, e seguindo uma tendência visível na maior parte do reino, o interior da igreja foi progressivamente enriquecido com capelas devocionais e funerárias. Das várias então construídas, resta a de Pero Lourenço e sua mulher, do lado Norte do tramo oriental do corpo, espaço quadrangular abobadado e com acesso através de um arco quebrado encimado pela cruz da Ordem de Cristo. A da família Mascarenhas, cuja lápide evoca ainda a sua memória, foi completamente destruída pelas reformas posteriores.

No século XVII, a história deste templo conheceu um período importante, na sequência da descoberta de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, que logo se instituiu como uma das principais referências devocionais da comunidade. O projecto então concebido determinou a substituição da velha capela-mor gótica por um compartimento rectangular profundo, iluminado lateralmente e com espaço suficiente para integrar um retábulo monumental. Um documento prova que, em 1740, o estaleiro era dirigido por Carlos Mardel, mas, até ao momento, não se conhece suficientemente bem a natureza dos trabalhos por si desenvolvidos. Por essa altura, pensamos que as obras de arquitectura há muito estariam terminadas – existe a data de 1678 na parede exterior da capela-mor que poderá datar a sua conclusão – e que o projecto se resumia a dotar o interior das imprescindíveis realizações de talha (retábulo-mor proto-barroco ainda do século XVII) e de azulejo (grandes painéis alusivos à vida de Cristo e de São João Baptista) obras que datam, efectivamente da primeira metade do século XVIII.

(Fonte: IPPAR)

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Santo Ildefonso – Porto

Posted by mjfs em Outubro 17, 2007

350 ANOS DE HISTÓRIA É sobremaneira difícil falar-se, com um mínimo de profundidade, de uma freguesia urbana como a de Santo Ildefonso. Essa dificuldade resulta de muitos e díspares motivos. É a freguesia de Santo Ildefonso caracterizada por aspectos típicos de uma grande cidade, situada que está no coração dela. Uma grande área, uma área onde acontece a maior parte da fenomenologia urbana, onde os habitantes são de fluxo dinâmico, onde os moradores residentes não ocupam um leque percentual idêntico (por defeito) ao de outras freguesias do Porto, mas ainda assim, eivada de circunstancialismos de fundamental importância para a vivência de uma cidade de trabalho e de cultura: é na freguesia de Santo Ildefonso que residem as maiores actividades comerciais, um número soberbo de serviços, os centros culturais predominantes, a tradição da difusão informativa, nomeadamente através dos jornais diários do Porto, prestigiados e prestigiosos, com raro paralelo no restante território nacional. Espantosamente, é a Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, uma das que menos se conhecem em termos de origem histórica. Para um estudo prévio, elaborado pela actual Junta de Freguesia, no sentido de ser conseguida a publicação deste trabalho, detectaram-se três linhas num exemplar da revista «O Tripeiro» n.0 19 (1º Ano), de 1 de Janeiro de 1909. A págs. 14, sob o título «VÁRIA» imprimiram-se algumas bases de informação. A terceira referia: «FREGUEZIA DE SANTO ILDEFONSO – A FREGUEZIA DE SANTO ILDEFONSO NO PORTO FORMOU-SE A 24 DE JUNHO DE 1634». Apenas assim, sem mais qualquer outra fundamentação. Prosseguindo a leitura de exemplares sucessivos de «O TRIPEIRO», cuia redacção, nessa época, se localizava curiosamente em espaço geográfico pertencente a esta freguesia (Rua Formosa, 199), encontrou-se ainda algumas notas e referências, no entanto por demais insuficientes, numa perspectiva de análise histórica. Assim: um mês depois («O Tripeiro» n.0 22, de 1 de Fevereiro de 1909) era publicado: «AINDA NAQUELA DATA (11/9/1759), A FREGUESIA DE SANTO ILDEFONSO DESCIA ATE AO DOURO E COMPREENDIA TUDO O QUE E HOJE D’ESTA FREGUESIA DE SÃO NICOLAU, DESDE OS MUROS DOS GUINDAES ATE AOS LIMITES DE CAMPANHÁ». E no final do mesmo ano, em 1 de Dezembro de 1909, em «O Tripeiro» n.0 52, um texto assinado por Ricardo Jorge estabelecia: «… ATE 1836 CONSTA O PORTO PROPRIAMENTE DE SETE FREGUESIAS, SE, VICTÓRIA, 5. NICOLAU, SANTO ILDEFONSO, MIRAGAlA, MASSARELOS E CEDOFEITA.. PELO DECRETO DE 26/11/1836 FORAM-LHE ANEXADAS LORDELO DO OURO, CAMPANHÃ e S. JOÃO DA FOZ; E POR CARTA DE LEI DE 27/8/1837, NOVA ANEXAÇÃO,A DE PARANHOS. A DESIGUAL DISTRIBUIÇÃO DESTAS FREGUESIAS PEDIA REFORMA DAS SUAS CIRCUNSCRIÇÕES; DESTE PLANO TOMOU A INICIATIVA O BISPO ELEITO, E APROVADO SUPERIORMENTE O SEU PROJECTO DE PORTARIA DE 13/2/1838, PROCEDEU-SE A NOVA DEMARCAÇÃO, FIXADA POR UMA COMISSÃO ONDE ENTRAVA O BISPO, A CÂMARA E DELEGADOS DAS JUNTAS DE PARÓQUIA. SANTO ILDEFONSO, DE UMA ÁREA ENORME, FOI DESMEMBRADA, CREANDO-SE À SUA CUSTA UMA NOVA FREGUESIA, A DO SENHOR DO BONFIM. O ARREDONDAMENTO PAROQUIAL DE 1838 SÓ FOI SANCIONADO PELO DECRETO DE 11/12/1841, SOB O REFERENDO DE COSTA CABRAL.. . » Todavia, parece-nos importante salientar aqui a data de 1623 há uma referência – D. Rodrigo da Cunha avançava dessa data um quantitativo da que chamou «Santo Ildefonso»: 1150 habitantes, sendo 1000 de maioridade e 150 menores». Um estudo de Domingos A. Moreira, sobre as «Freguesias da Diocese do Porto» confere à freguesia de Santo Ildefonso um nascimento que foi operado entre esse ano de 1623 e o ano de 1687. Passemos, entretanto, a uma Pública Forma datada de 6 de Maio de 1828, certidão atestada pela Câmara no sentido de: «À VISTA DOS RESPECTIVOS TÍTULOS OU DOCUMENTOS HAIJA DE ATTESTAR-LHES OU CERTIFICAR-LHES DE NARRATIVA SE CONSTA OU EXISTE MEMÓRIA QUE DESIGNE O TEMPO EM QUE HAVIA HUMA SÓ FREGUESIA NESTA CIDADE». Trata-se de uma certidão da Câmara a pedido do Juiz e Mesários da Confraria do Santíssimo Sacramento e Senhor Jesus da freguesia de Santo Ildefonso, solicitando a precisão, que a certidão da Câmara apontava para o ano de 1551. Transcrevemos o texto. A data de 1584 é citada, no entanto, como desdobramento de freguesias na cidade. CERTIDÃO RODRIGO FREIRE DE ANDRADE PINTO DE SOUSA, ESCRIVÃO DA ILLUSTRISSIMA CÂMARA DESTA CIDADE DO PORTO E SEU TERMO POR SUA MAGESTADE FIDELISSIMA QUE DEOS GUARDE, FAÇO CERTO QUE DO LIVRO DAS VEREAÇOENS DO ANNO DE MIL E QUINHENTOS E SINCOENTA E HUM, A FOLHAS SETE VERSO, CONSTA SER A PARROCHIA DA SÉ A UNICA EM TODA A CIDADE DANDO MOTIVO A ESTA DECLARAÇÃO TOMADA EM CAMARA EM CONGRESSO DE POVO SE SIM OU NÃO DEVERIÃO HAVER CONFRARIAS DO Santíssimo SACRAMENTO NOS CONVENTOS DE SAM FRANCISCO E SAM DOMINGOS PARA O POVO PODER ASSISTIR AS PROCISSOENS DOS DOMINGOS TERCEIROS, VISTO QUE NÃO CABIA NA SÉ NESSES DIAS E NÃO HAVIA OUTRA PARROCHIA OU CONFRARIA NO ANNO DE MIL E QUINHENTOS E SECENTA E HUM EM HUMA SENTENÇA NO LIVRO SEGUNDO DELLAS A FOLHAS CENTO E QUARENTA CONSTA HAVER FREGUEZIA EM SANTO ILDEFONÇO ARRABALDE DA CIDADE ASSIM COMO O HAVEREM JÁ AS NOVAS IGREJAS NA CIDADE NO ANNO DE MIL E QUINHENTOS E OITENTA E QUATRO E NELLAS ESTABELLECIDAS AS CONFRARIAS DO SANTISSIMO SACRAMENTO PARA AS QUAES PERTENDIA O SENHOR BISPO CONCORRESSE A CONFRARIA DO SANTISSIMO SACRAMENTO DA SÉ COM QUATRO TOCHAS PARA CADA HUMA AO QUE SE OPOZERÃO EM CAMARA NEGANDO-SE AQUELLA REQUEZIÇÃO». Estes dados dispersos não podem, com rigor, dizer-nos muito sobre a formação e os circunstancialismos que a determinaram, da freguesia de Santo Ildefonso. Um ou outro aspecto são, no entanto, irrefutáveis. Por exemplo, a sua vasta extensão, que a tem vindo a caracterizar desde sempre. E a fundamental importância de que alguns dados apontam: Em 12 de Setembro de 1983, o Presidente da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, Albino Alves Teixeira, endereçou um ofício ao Chefe de Divisão do Arquivo Histórico da Câmara Municipal do Porto. Nesse ofício foi salientado: «Sabemos que nos fins do século passado, um prédio onde estavam instaladas as Escolas Paroquiais de Santo Ildefonso e a respectiva secretaria da Junta, prédio esse que pertencia ao Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, ardeu numa noite de Santo António, não existindo portanto livros de actas ou outros documentos que nos certifiquem da formação legal da Junta de Freguesia». Assim, e a partir das informações disponíveis, inquiria-se da possibilidade de confirmar-se aquela data de 24 de Junho de 1634 através dessa via. A resposta pouco avançou: ao ofício da Junta seguiu-se o ofício do Chefe da Divisão do Arquivo Histórico que referia: «1. Não parece existir neste Arquivo Histórico qualquer documento alusivo à criação da paróquia de Santo Ildefonso; 2. Foi percorrida vária bibliografia, mas as informações encontradas continuam a ser muito vagas. Por exemplo, do estudo de Domingos A. Moreira, sobre as «Freguesias da Diocese do Porto» (pág. 126) apenas se pode confirmar que o seu nascimento se deu entre 1623 e 1687; 3. Todavia, num livro editado em 1869, da autoria de J. M. Pinto, e sob o título «Apontamentos para a História da Cidade do Porto» (pág. 104) volta-se a indicar que «no anno de 1634, a confraria do Senhor Jesus juntou-se à do Santíssimo Sacramento. Foi elevada a freguesia em 1634, contando então 1790 almas». Num outro estudo encontramos a indicação que isso se deu por desmembramento da freguesia da Sé»; 4. É provável que esteja correcta a informação de «O Tripeiro». Na página 104 de «Apontamentos para a Cidade do Porto» pode. pois, ler-se: Data de grande antiguidade a fundação da sua primeira Igreja. Consta que já em 1519 existia uma Igreja com a invocação de Santo Ildefonso, a qual era extramuros, próximo da Porta do Cimo da VilIa e aonde era também venerada a imagem do Senhor Jesus, que tinha a sua respectiva Confraria. Já em tempos imemoráveis se sepultavam no Adro desta Igreja as entravadas e em 1592 a confraria concedeu sepultura aos pobres da Freguesia. No anno de 1634 a Confraria do Senhor Jesus juntou-se à do SS. Sacramento. Foi elevada a Freguesia em 1634, contando então 1790 almas». Estes são, grosso modo, os únicos pontos em que podemos assentar. O arrabalde de Santo Ildefonso, extramuros, é portanto antiquíssimo. Como paróquia suburbana era a mais extensa. Ladeando sempre a muralha Fernandina, principiava no Senhor do Bonfim e ia terminar nos assentos das Virtudes, limitando com Campanhã, Paranhos, Cedofeita e Miragaia. Incluía já no seu âmbito as Ruas de Santo Ildefonso e de Santa Catarina, a Neta, o Bonjardim, as Hortas, a Natividade e a Rua do Almada, até à Igreja de Nossa Senhora da Lapa. Voltando pelo lado poente do Largo de Santo Ovídio dividia com Cedofeita e Miragaia pela Rua da Sovela, Ferradores, Cordoaria e Virtudes. A Igreja de Santo Ildefonso encontra-se lá mencionada em documento do século 13. Ainda em 1560 se erguia no meio de um campo junto de um souto de Carvalheiras, «fora da Porta de Cima da Vila». Era templo pequeno e estava, nos princípios de setecentos, muito arruinado; foi mandado reedificar em 1730. Próximo ficava um casal, que antes de 1443 se chamava de João Ramalde e depois, lugar do Pinheiro. Logo adiante, na actual Praça da Batalha, junto da Porta de Cima de Vila, o devoto Baltasar Guedes mandou edificar, em 1590, a elegante capela de N.Sª da Batalha, demolida em 1924. Mais abaixo, ficava o lugar dos Carvalhos do Monte; quase encostada ao Postigo do Penedo (que João de Almada transforma, em 1768, na Porta do Sol) erguia-se a ermida de Santo António do Penedo, com seu adro de galilé, e ao lado, a casa solarenga dos Brandões. Era um dos mais pitorescos recantos do velho Porto, infeliz e inutilmente destruído em 1887. Ficava em frente do palácio do visconde de Azevedo (onde está instalado o Governo Civil). A Rua das Fontainhas chamou-se em algum tempo Rua do Regato. Ali estiveram o Recolhimento das Entrevadas (já existente em 1498), o Hospital dos Lázaros e Lázaras (1558), e o Recolhimento de N. Srª das Dores (Velhas do Camarão) fundada em 1819 no Largo do Camarão e viela de N.8 Sr.8 das Dores, por detrás do Recolhimento das Órfãs, em S. Lázaro. A alameda deve-se a Francisco de Almada (1790). Entre as Ruas das Fontainhas e do Sol, onde funcionaram os matadouros, chamava-se outrora Vale de Donas, e existia uma quinta, depois denominada das Fontainhas, que pertenceu sucessivamente às famílias Pereira de Melo (capitães-mores de Penafiel), Fontana, Vanzeller e Alpenduradas. A Rua de Alexandre Herculano, que liga as Fontainhas à Batalha, foi aberta em 1877: chamou-se primeiro Rua Nova da Batalha. Junto da capela de Sant’llafom e de uma velhíssima Albergaria dos Peregrinos de Cima de Vila», havia, em 1590, o Campo do Pombal, que entestava com «a estrada que vai entre as paredes», para S. Lázaro. Deve ser remota referência à Rua de Entreparedes, à qual se seguia a do Reimão, hoje Avenida Rodrigues de Freitas. O Campo de S. Lázaro estava antigamente plantado de frondosos carvalhos e castanheiros; ali esteve, desde o séc. XIV e vindo da Ribeira, o Hospital dos Gafos «de Cima de Vila de Mijavelhas», aos quais el rei D. João 1 confirmou os antigos privilégios por c. de 28-IX-1423 (A. D. 1385). Ainda existem aqui dois edifícios que merecem especial menção: A igreja e Recolhimento das Órfãs, fundado em 1724 pelo padre Manuel de Passos e Castro, e o convento de Santo António da Cidade (1783), hoje Biblioteca Municipal. Próximo de S. Lázaro, no moderno Largo dos Poveiros, existiu também a capela de Santo André e de Santo Estêvão, demolida em 1863, quando a Câmara continuou a Rua da Alegria até àquele largo. Outro pitoresco recanto do velho Porto, que desapareceu. À Rua de Santo André encontramos referências em 1692. Adiante ficava o Padrão das Almas, ainda agora recordado no Largo do Padrão. Mijavelhas era todo o espaço que hoje compreende a Rua do Morgado de Mateus, (que se chamou primeiro Rua do Mede Vinagre e da Murta) e o Poço das Patas (hoje Campo 24 de Agosto). Esteve aqui a forca até 1714, ano em que o Senado deliberou mudá-la para a Ribeira. O regato de Mijavelhas, que desaguava no Douro, fazia mover no seu percurso numerosas azenhas que neste lugar existiram. Mais longe, em direcção a Campanhã, a igreja do Senhor do Bonfim, edificada em 1760 e depois erecta em paroquial, independente de Santo Ildefonso. Em redor, a Alameda do Bonfim, obra, como a das Fontainhas e a das Virtudes, do grande corregedor Almada, era um dos aprazíveis lugares da cidade. Mas voltemos à igreja de Santo Ildefonso, ponto de partida de duas das principais artérias da cidade moderna: as Ruas de Santa Catarina e de Santo António. A Rua Nova de Santa Catarina é uma das grandes obras que o Porto deve aos dois Almadas. Em 1711 tratava-se do alinhamento dela; Rua Bela da Princesa se chamou o seu prolongamento até à Alameda da Aguardente (praça Marquês de Pombal). Sofreu sucessivas reedificaçóes e alterações até 1780. As artérias que lhe são paralelas ou transversais, datam quase todas de época posterior: A Rua da Duquesa de Bragança, (hoje de D. João IV) rasgou-se por 1855. Em 1858 projectava-se uma outra rua que substituísse a Viela das Doze Casas: foi a Rua do Príncipe Real (agora de Latino Coelho), que se abriu primeiro até à Rua da Alegria e depois de 1866 se prolongou até ao Largo da Póvoa e Rua de S. Jerónimo (hoje de Santos Pousada). Este Largo da Póvoa recorda antigos casais rústicos, que constituíam pequenas aldeias (Póvoa de Baixo e de Cima). Em 1838, um edital determinava que a Travessa da Alegria e a Rua de S. Jerónimo formassem uma só, com o nome de Rua Firmeza. Na Aguardente, por onde passava em continuação de Bomjardim, a estrada de Guimarães, edificou-se em 1875 a capela de Santo António. Em volta da alameda, ainda em 1858 existiam estreitas e tortuosas vielas. Uma planta de 1843 mostra-nos o projecto de prolongamento da Rua 27 de Janeiro (a actual Rua da Constituição), para poente da Rua da Rainha hoje Antero de Ouental), até ao Carvalhido, passando em tangente à bateria da Glória, no Monte Pedral. Outra planta, de 1822, prevê o melhoramento do tortuoso Caminho de Malmerendas (Rua Dr. Alves da Veiga), por duas maneiras: em linha recta, da actual Rua de Fernandes Tomás até próximo do encontro da Rua Formosa com a Rua Direita, ou, por linha quebrada, em direcção à mesma Rua Direita, na saída da travessa para S. Lázaro. A grande Quinta de Lamelas está hoje representada por alguns quintais de casas das Ruas Formosa e de Santo Ildefonso e parte do leito da Rua Passos Manuel. Há poucos séculos todo este bairro de Santa Catarina, Santo António, Fernandes Tomás e Sá da Bandeira constituíam vasto terreno bravio, matagais, almoinhas, alguns quintalejos irrigados por cursos de água que desciam para o rio da Vila ou para o Douro. A urbanização deste trato citadino, por esforço dos Almadas, designadamente a abertura da Rua de Santo António, em fins do séc. XVIII, foi obra notabilíssima, como tal já na própria época reconhecida e proclamada. Escrevia em 1879 o inglês Thomas Modessan: «o rompimento da Rua de Santo Ildefonso, a unir com o largo da Porta de Carros e Calçada dos Clérigos é outra das majestosas obras que em outro tempo apenas se poderia conceber e efectuar no decurso de um século». Refere-se, como se vê, à Rua de Santo António; descendo a movimentada artéria, estamos na Praça (da Liberdade), centro actual de toda a vida citadina. Fora da Porta de Carros, e junto da muralha fernandina, estendia-se pelos anos de 1430, um casal chamado de Paio de Nabais; note-se a circunstância curiosa de em Lisboa existir, por esse tempo, topónimo semelhante. Próximo, o Casal da Torre, vinculado à capela de João Anes Gordo, coutador de el rei. Estes e outros casais ficavam onde então se chamava As Hortas. Em 1711 «O Rev.do Cabido tomou a si para fundar a Praça Nova, fora da Porta de Carros», terrenos que eram seus e outros que obteve por troca. Assim começou a urbanizar-se o local, principalmente depois que, dez anos mais tarde, em 1721, o mesmo Cabido e a Câmara se entenderam para esse objectivo. Em 1682, o antigo Campo das Hortas foi guarnecido com a Fonte da Arca, e o oratório de N. Srª da Natividade, demolidos ambos nesse ano de 1721 para alargamento e terraplanagem desta praça Nova das Hortas. Desde tempos muito mais recuados existia ali uma outra fonte: a da Cividade. Assim, um documento de 1446 menciona a Rua que vai para a albergaria dos clérigos, contra a fonte da Cividade. Parece mesmo que se chamava já no séc. XV Fonte da Arca, pelo menos existia um casal com este nome e, em 1532, encontramos referência ao Casal de Paio Nabais, no Cimo da Fonte da Arca. Descreve a praça o padre Agostinho Rebelo da Costa, em 1788: «é… quadrada, tendo ao nascente o extenso dormitório do convento dos padres Néris, todo aberto em janelas altas e largas de três andares, que formam um agradável prospecto; ao poente as casas que faceiam com a Rua Nova das Hortas e que se elevam à altura de quatro andares; ao norte o palácio em que se ajunta o Senado da Relação e o de D. António de Amorim, ao sul o muro da cidade». Acrescentaremos alguns esclarecimentos. Em 1657 os irmãos da confraria de Santo António de Lisboa, sita em Santo António do Penedo, quiseram ter capela própria e compraram um chão nas Hortas, defronte da Porta de Carros; mas nesse mesmo ano cederam à Câmara a projectada capela e o terreno, para que esta aí a edificasse. Arrastaram-se as obras, que ainda não estavam concluídas em 1680, quando o Município, a instância de D. Pedro II, cedeu templo e campo em redor aos padres Néris. Assim se fundou o convento de Santo António dos Congregados. A rua que ia da Porta de Carros para os Lavadouros, próximo desta casa conventual, chamava-se em 1761 Rua de Santo António. Ao norte da praça tinham suas casas nobres os Amorins Pereiras e os Meireles Moreiras, edifícios que desapareceram em 1916, quando se abriu a Avenida dos Aliados. Na casa dos Meireles Moreiras esteve a Relação e depois, durante um século, a Câmara. Ao sul, ficava o muro da cerca fernandina, muro de que por sinal, caiu um grande troço, no ano de 1529. Da porta de dentro dele, no chão chamado da Cividade, ergueu-se nos últimos anos do séc. XV o convento de Santo Elói, como ficou dito. Todo o vasto terreno por detrás da casa dos Congregados e dos palacetes dos Amorins e Meireles, chamava-se, desde remotas épocas, Liceiras. O lugar de Bonjardim, em Liceiras foi emprazado no ano de 1457 ao arcebispo do Porto. Diogo Anes, mas é muito mais antigo pois vem já mencionado no testamento do bispo D. Vicente Mendes, em 1296. Constituía uma vasta propriedade vinculada da família Pereira Pintos e depois, por herança, dos Teixeiras Coelhos de Melo Pinto da Mesquita, senhores de Teixeira e Sagude. Pela Rua do Bonjardim era a velha estrada de Guimarães. Para poente desta, estendiam-se campos, hortas, olivais e os laranjais que vieram a dar nome ao bairro que criou João de Almada e Melo no terceiro quartel do séc. XVIII. No lugar das Regadas, em Liceiras, que existia em 1540, e depois se chamou Quinta do Laranjal mandou aquele grande reformador do velho Porto, abrir, em 1761, a Rua do Almada. O troço desta, entre a Ruas dos Clérigos e a Rua Eliseo de Melo já então existia, e chamava-se Rua Nova das Hortas, comunicando com a Rua da Fábrica (do Tabaco), onde o rico negociante Souto e Freitas mandou edificar a sua formosa casa, há pouco infelizmente desaparecida. Em 1818, vemos numa planta da cidade as praças de Santa Teresa e do Pão (Carmo) esta última crismada mais tarde em dos Voluntários da Rainha. Daqui saía a Rua do Moinho de Vento, para o largo do mesmo nome. Existiam também a Rua do Bispo que, depois de 1822 alargada e prolongada, veio a ser a Rua de D. Pedro; a de Santo Ovídio ou da Sovela, agora dos Mártires da Liberdade, por onde corria a velha estrada de Braga a da Misericórdia ou do Pinheiro no topo da qual se ergueu ainda a casa e capela que fundou João António Monteiro de Azevedo, conhecido autor de uma descrição de Vila Nova de Gaia. Este Casal do Pinheiro ou do Boticário, em Liceiras, pertencia ao bispo de Coimbra, D. Martinho, que em testamento o deixou ao cabido portuense. Uma outra planta, também da 1ª metade do séc. XIX, regista o Monte da Douda (elevação que ainda existe entre as Ruas do Almada, Liceiras e lateral da Trindade) e as então novas Ruas do Laranjal, da Picaria e da Conceição e a Quinta do Paraíso, de Hutes Bacelares. Com a abertura da Avenida dos Aliados desapareceram algumas destas ruas, ou palácios dos Meireles e dos Amorins, a capela dos Reis Magos e, mais recentemente uma outra dessas artérias: a da Cancela Velha. Subsiste a Rua do Estêvão, que deve o seu nome a um antigo proprietário local: Estêvão Ribeiro de Almeida. Junto da cerca dos Congregados subia a afamada Viela da Neta, de que há restos; foi cortada quando se abriu a Rua de Sã da Bandeira, depois de 1834, nos terrenos dos padres Néris. Em 1874 ainda se tratava de rasgar parte desta artéria que recentemente foi prolongada até Fradelos. O projecto da Praça do Laranjal data de 1798; nela existiu uma fonte com pitoresco nome, e em 1804 construiu-se, encostada à Travessa da Douda (Rua de Cima do Muro), a igreja da Trindade, que deu ao largo a sua actual designação. Em 1801 projectava-se também prolongar a actual Rua de Fernandes Tomás até ao Bonjardim, para substituir a Rua Nova de S. Marçal ou de Santo António do Bolhão, que era muito irregular. Em 1810 estava desabitado quase todo o terreno entre as Ruas de Santa Catarina e Bonjardim, ao norte desta Rua do Bolhão, até Fradelos, que comunicavam pela estreitíssima Viela do Ribeiro. Uma planta de 1837 representa a Praça do Bolhão, dividida em quarteirões armados, com sua escada e a fonte chamada igualmente do Bolhão. Antes o local era apenas um lameiro. O mercado data de 1850. Em 1846 existia ainda a mencionada Viela do Ribeiro, que comunicava com a Rua de Santa Catarina pela Viela das Laranjeira. A Rua de Passos Manuel estava em construção pelos anos de 1874-77; cortou parte da Viela da Neta e da Quinta de Lamelas, como já dissemos. Fradelos é topónimo muito antigo. Pero Soeiro Castelo e Mem Mouro deixaram ao cabido as terras de que eram senhores neste lugar, das quais se fizeram dois casais antes de 1283, data em que o mesmo Cabido comprou certa leira, para juntar a essas propriedades. Um destes casais pertencem à família do grande Brás Cubas, fundador da Vila de Santos, no Brasil. Havia ali, no séc. XV, o Campo do Sineiro e a Calçada. A Rua de Gonçalo Cristóvão é moderna; foi aberta em terrenos do vínculo do Bonjardim, e tomou o nome de um dos administradores do morgado, o fidalgo Gonçalo Cristóvão Teixeira Coelho de Meio Pinto Mesquita. Vê-se o seu projecto, desde o Campo de Santo Ovídio até à Rua do Bonjardim, em planta de 1838; neste documento se regista também a Rua do Duque do Porto, hoje de João das Regras. Havia aqui uma pedreira, na junção com a Travessa das Musas e Bonjardim. A Rua de Camões estava igualmente em projecto naquele ano. Em 1865 já a Rua de Gonçalo Cristóvão chegava até ao Bonjardim, e pensava-se na sua continuação até Santa Catarina. Pouco antes desta data estava já resolvido também o prolongamento da Rua Duque do Porto até à Rua Bela da Princesa (Santa Catarina), através da denominada Pedreira do Bairro Alto. O Campo de Santo Ovídio (depois, em 1835, da Regeneração e agora Praça da República), chamava-se, em recuados tempos, os Carvalhos do Monte, designação que ainda subsistia em 1670. Tomou o nome de Santo Ovídio de uma capela desta invocação que ali existia, no mesmo local onde mais tarde esteve o Hospício dos Agostinhos, encravado na Quinta dos Pamplonas (viscondes de Beire). Por iniciativa do corregedor Francisco de Almada começou em 1790 a construção do quartel de Infantaria 18, no extremo norte do campo, que ficou livre para os exercícios militares. No Monte de Germalde e sítio do Padrão Velho de Santo Ovídio, por detrás deste quartel, tinha em 1754 o missionário padre Angelo de Sequeira promovido a construção da igreja de N. Sr.ª da Lapa. Ficava esta à beira da velha estrada de Braga e próximo do lugar chamado do Sério. A Rua do Paraíso, que vai deste templo até à Rua do Bonjardim, já existia em 1867, data em que se previa o seu alargamento e regularização, e cremos que era então antiga, talvez de mais de um século. As actuais Rua do Antero de Quental, Praça da República, Ruas dos Mártires da Liberdade, Largo das Oliveiras e Praça de Carlos Alberto serviam de limites entre as freguesias de Santo Ildefonso e Cedofeita, como noutro lugar ficou dito. A Praça de Carlos Alberto chamou-se também do Peixe e antes dos Ferradores, designação anterior a 1559. Um Tombo do mosteiro de S. Domingos menciona, em 1669, «a Rua pública dos Ferradores, junto do chafariz da Porta do Olival». Por aqui passava o carro da água de Paranhos. A determinado local da praça chamava-se o Outeiro dos Ferradores. Neste largo tiveram sua casa os viscondes de Balsemão; no edifício, que ainda existe, esteve a famosa hospedaria do Peixe, onde pousou o rei Carlos Alberto. Passou a casa depois à posse dos condes da Trindade, cujo brasão ostenta na frontaria. Para sul, até entestar no muro da cidade, e confrontar com Miragaia, espraiava-se o vasto Campo do Olival, mais extenso que a Cordoaria que lhe sucedeu, com o nome de Campo dos Mártires da Pátria em 1835. Este Campo do Olival, incluído na doação da rainha D. Teresa ao bispo D. Hugo, em 1120, foi mais tarde, na concórdia celebrada entre o concelho e o seu prelado no ano de 1331, por este cedido «para rocio e prol do comum da dita cidade»; já então ali existia uma cordoaria. Pelo campo do Olival começou, como noutro lugar já acentuámos, a expansão da cidade extra-muros, nos últimos anos do séc. XVI, com a sucessiva construção de notáveis templos e edifícios públicos e particulares. Dos mais antigos deviam de ser, provavelmente, uma capela da invocação de S. Miguel, que se diz ter sido fundada pela rainha D. Mafalda, em cumprimento de piedoso acto, e outra dedicada a S. Sebastião; ambas existiam em 1514. No próprio lugar onde se erguia a primeira destas ermidas, edificou-se em 1651, graças aos esforços do benemérito padre Baltasar Guedes a igreja e colégio dos Meninos Órfãos de N. Sr.ª da Graça, em 1804 substituídos pelo edifício onde hoje se acha instalada a Faculdade de Ciências. No Olival esteve, não sabemos onde, o Recolhimento das Velhas da Cordoaria, já existente em 1488. Em 1611, a Câmara mandou delinear e plantar a Alameda do Olival. Oito anos depois, em 1619, à custa também do Senado e do Povo, construíram-se a igreja e o convento do Carmo; o templo dos Terceiros, que lhe fica anexo, data de 1756. O Recolhimento do Anjo, para meninas órfãs e nobres, foi instituído em 1672 por D. Helena Pereira da Maia, no lugar onde esteve, mais tarde e por muitos anos, o mercado, e agora a Praça de Lisboa. Cerca de 1666, no cimo da Rua do Calvário, fundou a família dos Pachecos a capela de S. José das Taipas. Pegado com ela, edificaram os Sandeman seu palácio em 1839. Em 1730, no local hoje adaptado a mercado, construíram os franciscanos de Santo António do Vale da Piedade um hospício. Nesta casa, sobranceira às Virtudes, instalou-se posteriormente a Roda dos expostos. O mercado do peixe, paredes meias com a Roda, data de 1874, edificado sobre os antigos Celeiros da cidade. No ano de 1770, no chão onde existiam dois meios casais chamados do Robalo, começou a Misericórdia a construção do seu Hospital de Santo António. Ainda nos limites do Olival, no campo chamado da Via Sacra ou Calvário Velho, fez-se o convento de S. José e Santa Teresa de carmelitas descalças. Deu esta casa, hoje desaparecida, o nome à Rua das Carmelitas; ocupava o terreno que vai desde esta rua até à Praça de Santa Teresa (Praça Guilherme Gomes Fernandes) e Rua Cândido dos Reis. No lugar desta moderna artéria da cidade, era o Largo do Ermitão onde, no séc. XVII, se erguia uma pequena ermida, e depois, quase até nossos dias, se realizava a Feira dos Ferros Velhos. Logo adiante, o Correio (1834). Defronte, e no alto da Calcada da Arca ou da Natividade, que conduzia, como dissemos, às Hortas, no lugar denominado da Cruz da Cassoa, construiu-se, sob o risco de Nasoni, a belíssima torre e igreja dos Clérigos, talvez o mais notável edifício da cidade. Junto ficava o Campo das Malvas que até 1796 serviu de adro dos enforcados. Além destes monumentos, que todos merecem especial referência, é o Campo do Olival ou da Cordoaria digno de memória por outras circunstâncias. A designação de Cordoaria deve-se ao facto de nele terem estado, por muito tempo, os cordoeiros. Já em 1331, quando o bispo cedeu este campo à cidade, ali existiam; mais tarde estabeleceram-se em Miragaia. Mas crescendo em número, estenderam-se até às Virtudes em 1661 estavam de novo na Porta do Olival, onde D. José mandou edificar a fábrica, que continuou até 1862. Nesse ano ainda viviam cordoeiros junto da Viela do Assis. Na Porta do Olival viu o Porto os seus dois únicos autos de fé, em tempo do bispo D. Frei Baltasar Limpo (1543-1544). Aqui esteve a forca, transferida da Ribeira em 1822. Foi teatro de alguns acontecimentos históricos. Neste campo começou, em 1757, o famoso motim contra a Companhia dos Vinhos, e ali mesmo terminou com a morte na forca dos supostos cabecilhas. Aqui também, em 1809, o povo trucidou o brigadeiro Luís de Oliveira da Costa, sob a acusação de jacobino. A par destas tragédias, viu o luzido cortejo da rainha D. Filipa quando ao Porto veio casar com D. João 1; assistiu à passagem do senhor D. Gaspar, a caminho do seu arcebispado de Braga. Nele se realizava a animada feira de S. Miguel, criada em 1682. Foi, nos meados do século passado, o jardim «do bom tom» no Porto. E para terminar esta digressão pela freguesia de Santo Ildefonso, diremos ainda que em 1623 ela contava 1.150 almas; em 1706, 589 fogos com 2.134 habitantes; em 1732, D. Luís Caetano de Lima conta 4.747 almas; e em 1788, o padre Rebelo da Costa, 4.390 fogos, com 18.814 habitantes. Repare-se neste extraordinário incremento de população, devido aos esforços urbanizadores dos Almadas. Sempre se vem podendo, pois, e apesar de tudo, referir muito da longa História da freguesia. No roteiro «Descrição da Cidade do Porto», considera-se o bairro de Santo Ildefonso, a Norte da cidade», principiando no Senhor do Bom Fim e finalizando nos Assentos das Virtudes, incluindo toda a Rua Nova de Santa Catarina até à Neta e Bom Jardim, todo o Largo e Rua das Hortas, Almada até à Senhora da Lapa e voltando por Santo Ovídio passa aos Ferradores, Cordoaria, Assentos das Virtudes onde se termina».

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Convento Nossa Senhora da Saudação – Montemor-o-Novo

Posted by mjfs em Outubro 14, 2007

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O Convento de Nossa Senhora da Saudação teve origem na congregação de algumas mulheres lideradas por Joana Dias Quadrada que, para praticarem uma vida de recolhimento e devoção, se juntaram sem inicialmente obedecerem às regras de qualquer ordem religiosa.

As obras de construção do Convento deverão ter começado em 1502. A frontaria principal do edifício, conserva alguns elementos arquitectónicos característicos da época de fundação. Na entrada da Portaria-Mor (antiga entrada principal do Convento) pode ainda observar-se uma esfera armilar, característica da arte manuelina. Também a chamada “Porta das Freiras” na Igreja conventual é encimada por esfera armilar em alto relevo.

Na década de sessenta do século XVI foi construído o dormitório. Da segunda metade desse século são também a Igreja. o Coro Alto e o Coro Baixo. O Claustro Conventual data do reinado de D. João III. Na última década do século XVI foram construídas as enfermarias monásticas que ligaram o corpo principal do mosteiro às muralhas da vila. Neste espaço passavam duas vias públicas, tendo sido por isso necessário abrir dois arcos por cima destas ruas. Uma das ruas foi localizada em 1992. aquando da realização de sondagens arqueológicas. Esta deve corresponder à rua do Mosteiro à Igreja de S.Tiago referida num documento de 1637.

A Igreja Conventual constitui um interessante exemplar da arquitectura clássico-barroca. No século XVII foi enriquecida por um retábulo de talha de influência da escola real de Valladolid e revestida com azulejos polícromos de vários padrões, constituindo um bom exemplo de como foi possível criar, com materiais regionais pobres, um ambiente profundamente barroco.

A cobertura da Igreja, em abóbada de berço, encontra-se subdividida em caixotões de
estrutura geométrica.

Do corpo da Igreja fazem igualmente parte o Coro Alto, revestido nas paredes por azulejaria em verde e branco seiscentista e o Coro Baixo. Este apresenta as paredes cobertas por azulejaria igualmente em verde e branco mas de padrão mais pequeno que o do Coro Alto. O Coro Baixo destaca-se pelas pinturas a fresco que cobrem a sua abóbada, atribuídas, por alguns autores, a José de Escobar.

O Convento, pertencente à Ordem Dominicana, foi sempre habitado por um grande número de religiosas. No século XVIII chegou a ser habitado por 65 freiras. Em 1874, com a extinção dos conventos e a morte da última prioresa, o edifício foi ocupado pelo Estado e, em 1876, ali instalado o Asilo de Infância Desvalida, que ocupou o edifício até aos anos 60 do século XX.

O Convento tem sido, nos últimos anos, alvo de obras pontuais. A recuperação parcial das suas coberturas, na segunda metade dos anos 90 do século passado, pela D.G.E.M.N., impediu a derrocada deste valioso conjunto monumental. A Câmara Municipal realizou em 1998 obras de restauro de carpintarias. Actualmente funcionam no edifício o centro transdisciplinar O Espaço do Tempo e a Oficina de Arqueologia do Programa do Castelo da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo.

(Fonte: o espaço do tempo)

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Convento de Cristo – Tomar

Posted by mjfs em Outubro 11, 2007

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É um dos principais monumentos da arquitectura nacional do séc. XII, que inicialmente pertenceu à Ordem do Templo e no reinado de D. Dinis passou para a Ordem de Cristo.

Em 1984 foi considerado Património Mundial pela UNESCO.

O Convento de Cristo é uma notável obra de arquitectura, composta por edifícios e pelo Claustro de D. João III, Claustro das Lavagens, Claustro de D. Henrique, Claustro de Stª Bárbara, Claustro da Micha, Claustro das Hospedarias e finalmente pelo Claustro dos Corvos. Na visita ao Convento, podemos admirar a magnifica Janela do Capítulo e a Charola.
Na construção da Charola houve uma inspiração nas mesquitas sírias, trazida pelos Cavaleiros Templários nas suas incursões nas Cruzadas. A Charola de Tomar remonta a finais do séc. XII.

O estilo Manuelino predomina magnificamente na Janela do Capítulo. Esta Janela está inserida na Casa do Capítulo do Convento de Cristo, nesta divisão reuniam-se as Cortes.

O Convento de Cristo no seu conjunto arquitectónico abrange testemunhos da arte românica com os Templários, do Gótico e do Manuelino através das Descobertas, bem como o Renascimento durante a reforma da Ordem e o Maneirismo finalizando no Barroco utilizado em ornamentos arquitectónicos.

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Claustro da Lavagem
Este Claustro tem um formato quadrangular com 2 pisos, em que o piso inferior tem 5 tramos por ala com arcos quebrados assentes em grossos pilares. O piso superior tem 6 tramos de arcos quebrados sobre colunas agrupadas transversalmente, com capitéis de dupla fiada de colchetes de folhagem. O Claustro da Lavagem tem tecto em madeira.

Claustro da Micha
Este Claustro de formato quadrangular, tem 4 alas com arcos plenos geminados e em asa de cesto nos topos Norte das alas Este e Oeste, sendo que são separados por fortes contrafortes. O Claustro da Micha tem uma abóbada sobre colunas lisas com capitéis de volutas e em mísulas cónicas.

Claustro dos Corvos
Claustro de formato quadrangular com 2 galerias de dupla arcada separadas por contrafortes. Este Claustro apresenta coberturas e suportes idênticos aos do Claustro da Micha.

Claustro da Hospedaria
Este Claustro de formato quadrangular é formado por 4 alas com arcadas duplas separadas por contrafortes e galerias cobertas por uma abóbada semelhante à do Claustro da Micha.

Claustro de Santa Bárbara
Claustro de formato quadrangular apresenta 4 arcos rebaixados por ala, sobre colunas de fuste liso. A cobertura da abóbada é rebaixada com nervuras e lintéis. O segundo piso deste Claustro não tem cobertura mas apresenta colunas e mísulas.

Claustro de D. João III
Este Claustro de formato quadrangular com chanfros nos ângulos, é composto por 2 pisos com cobertura em terraço com balaustrada. As 4 alas apresentam galerias cobertas de abóbadas de nervuras e caixotões.

Claustro do Cemitério
Este Claustro foi o primeiro a ser construído, a mando do Infante D. Henrique.
O Claustro do Cemitério destinava-se a ser panteão dos religiosos e cavaleiros da Ordem de Cristo.
Quanto à sua arquitectura é composto por uma galeria abobadada e arcos ogivais que assentam em colunas duplas de fuste liso e capitéis decorados com motivos vegetalistas, nas suas galerias encontra-se o túmulo manuelino de D. Diogo da Gama.

Casa do Capítulo
Esta é composta por um vestíbulo quadrangular e por uma nave rectangular com abside poligonal. A Casa do Capítulo apresenta um forte embasamento do lado Sul e meio soterrada do lado Este.

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Ramalde – Porto

Posted by mjfs em Setembro 30, 2007

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A FREGUESIA
 / HISTÓRIA

NASCIMENTO E ADMINISTRAÇÃO DA FREGUESIA
A freguesia de S. Salvador de Ramalde é mencionada pela primeira vez com o nome arcaico de Rianhaldy, nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258. Porém, já aparece citada anteriormente, como lugar, num documento de 1222 em que a rainha D. Mafalda faz uma doação ao Mosteiro de Arouca.
A origem e crescimento do povoado de Rianhaldy perde-se nos tempos, antes da fundação da monarquia portuguesa, provavelmente entre 920 e 944, data em que chegaram ao território os monges de S. Bento. Assim começaria a história do julgado de Bouças e do seu antiquíssimo mosteiro beneditino. Este território pertenceu ao Padroado Real de D. Sancho I que depois o doou, em 1196, a sua filha D. Mafalda.
Na época de D. Sancho II o território denominava-se Ramunhaldy e era constituído por cinco lugares: Francos, Requezendi, Ramuhaldi Jusão e Ramuhaldi Susão (actualmente Ramalde do Meio).
Entre 1230 e 1835 pertenceu ao concelho de Bouças, o qual integrava também S. Mamede de Infesta, Matosinhos, Foz do Douro e um conjunto de vinte povoações.
Em 1895 foi integrado no concelho do Porto, como freguesia. Os seus limites eram assim definidos: a Norte o concelho de Matosinhos (Bouças); a Sul Lordelo do Ouro; a levante Paranhos e Cedofeita e a poente Aldoar.
 
EVOLUÇÃO DEMOGRÁFICA
É muito difícil caracterizar demograficamente com precisão esta freguesia no período anterior aos finais do século XIX. No entanto, pode dizer-se que em épocas anteriores Ramalde comportava uma população considerável, pois em 1757 possuía 407 fogos e em 1855 cerca de 600 fogos. Por outro lado, o forte crescimento da natalidade e a baixa taxa de mortalidade indiciam um incremento populacional.
No período que medeia entre os finais do século XIX até 1991, e devido à recolha de dados do “Census”, já é possível fazer uma análise mais rigorosa da evolução demográfica.
Temos, assim, dois períodos: até aos finais do século XIX, fase que se caracteriza pela inexistência de “Census”, e a partir dos finais do século XIX até à actualidade em que já existem “Census” para o estudo dessa evolução. Entre 1864 e 1981, S. Salvador de Ramalde manteve sempre um crescimento populacional positivo, sendo até muito elevado em certos períodos. No entanto, os “Census” preliminares de 1991 apontam, pela primeira vez, para uma taxa de crescimento populacional negativa. Analisando o segundo período, temos o seguinte quadro evolutivo:

Entre 1864 a 1900 um crescimento para mais do dobro. Este facto pode explicar-se pelo arranque do sector industrial e pela mobilização de uma crescente mão-de-obra que veio fixar-se em Ramalde.
Entre 1940 e 1950 e de 1960 a 1970, a população apresenta ritmos de crescimento que variam entre os 38,7% e os 44,5%, respectivamente. No período correspondente a 1940 – 50, este acréscimo pode talvez ser explicado pelo afluxo migratório das zonas rurais para as zonas urbanas.
Para o período de 1960 – 70, pode estabelecer-se uma relação de crescimento populacional e o desenvolvimento industrial que terá conduzido à fixação de mão-de-obra junto das unidades industriais. Porém, não deve ser alheia a este crescimento a implantação de grande número de bairros de habitação social a fim de fornecer alojamento a franjas de população deslocadas do centro do Porto, que apresentava, nesta fase, indícios de saturação.

ACELERAÇÃO DO URBANISMO NA ACTUALIDADE
O modo de vida de S. Salvador de Ramalde reflecte um processo de descaracterização sócio-cultural, em grande parte devido à aceleração da urbanização, nomeadamente a partir da década de 60.
Hoje o número de indivíduos que trabalham no sector primário é praticamente nulo (nos “Census” de 91 eram apenas 55) e os traços culturais dessa ruralidade quase se perderam, sendo desconhecidos entre a população mais jovem. Actualmente, 61,7% da população trabalha no sector terciário, seguindo-se 38,4% no sector secundário.
Nota-se, também, uma quebra de sociabilidade e relação de vizinhança, o que poderá ser explicado, em grande parte, por uma percentagem significativa da população activa trabalhar fora da freguesia, mantendo, assim, contactos privilegiados em diferentes espaços. A abertura de importantes ligações rodoviárias – que interessam mais ao Grande Porto do que propriamente às populações da freguesia – também não favorece, pelo contrário, as tradicionais relações de vizinhança e solidariedade.
HABITAT E URBANISMO
No início da industrialização da freguesia, a habitação operária designava-se por “ilha”, alojamento muito precário, mas que permitia fixar mão-de-obra a baixo custo. Por outro lado ao patronato industrial vinha associado o crescente desenvolvimento de uma burguesia portuense industrial.
Estas “ilhas” eram também a única alternativa para uma incipiente classe operária cujo poder de compra era muito baixo, dada a prática corrente de baixos salários no início da industrialização — princípio do século XX. Por fim, no plano de melhoramento da cidade “1956” e depois no plano director municipal “1962”, a freguesia de Ramalde perde definitivamente a sua face camponesa e torna-se num espaço de preferência destinado à função residencial e ao sector secundário.
Os Planos indicados fizeram evoluir o centro da cidade para uma progressiva terciarização enquanto as zonas periféricas, como a freguesia de Ramalde, passaram a funcionar como espaços residenciais e de crescimento do sector secundário.
No que diz respeito aos espaços residenciais surgem novas realidades habitacionais que, de certo modo, pretendem substituir as “ilhas” da primeira fase: as habitações sociais. Este tipo de habitação pretende dar resposta ao aumento populacional da cidade numa época em que se põe em prática uma política de transferência administrativa de sectores de população do centro da cidade para a periferia, especialmente os que provêm de zonas degradadas.
A habitação social marca profundamente a ocupação na freguesia de Ramalde que se organiza fundamentalmente a partir da década de 60. Em contrapartida, e sem explicação, embora tenha sido Ramalde um território rural, parece não ter havido então a preocupação de criar espaços verdes. Na realidade, em toda a freguesia apenas existe uma zona de lazer e que não é pública. Trata-se do parque de campismo da cidade, ou parque da Prelada, que ocupa a quinta que pertenceu ao antigo solar dos Senhores da Prelada. A entrada principal abre-se para a rua do Monte dos Burgos, na saída para a Maia e Viana do Castelo já do lado Norte da Via de Cintura Interna.
Existe cerca de uma dúzia de bairros de habitação social, como os de Pereiró, Campinas, Ramalde, Viso, Francos, Ramalde do Meio, Bairro de Santo Eugénio…
Encontramos também a habitação privada mas degradada, as “ilhas” nas zonas de Pedro Hispano e João de Deus, Francos, Ramalde do Meio, Requesende, Pedro de Sousa e Pereiró.
A par deste tipo de habitação, aparecem as áreas residenciais de luxo: Avenida da Boavista, Zona Residencial da Boavista (Foco) e Avenida de Antunes Guimarães. Repare-se que as três zonas se situam nos limites da freguesia, a Sul e Leste.
Pode considerar-se que outro tipo de urbanismo está representado pela cidade cooperativa da Prelada inaugurada em 22 de Julho de 1993. Trata-se de uma união de cooperativas: “As Sete Bicas”, “Ceta”, “Hazal”, “Portocoop”, “Santo António das Antas”, “Santo Ildefonso”, “Solidariedade e Amizade”, tendo como vizinha uma outra urbanização cooperativa, a “Nova Ramalde”. O grande surto da habitação cooperativa surgiu após a revolução de 25 de Abril de 1974.

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Pontes sobre Rio Douro – Porto/Gaia

Posted by mjfs em Setembro 28, 2007

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Ponte do Freixo – Ponte de S. João – Ponte de D. Maria Pia – Ponte do Infante

 Ponte de D. Luiz I – Ponte da Arrábida.  

 

 Nos  finais de 2005, seis Pontes atravessam o Rio Douro, ligando e tornando mais estreito o contacto entre as duas Cidades vizinhas, assim como a ligação entre todo País de norte a sul.
De montante para a Foz do Rio Douro, encontramos em primeiro lugar, a Ponte do Freixo, moderna Ponte rodoviária, que liga a auto estrada do sul ao Porto.
Segue-se a Ponte de S. João, também esta de construção recente e que se destina ao tráfego ferroviário em duas vias , substituindo de vez a velha Ponte de D. Maria Pia.
Vem então a Ponte de D. Maria Pia, toda em ferro e como já vimos sem uso actual mas sempre bonita no seu desenho ligado ao grande construtor  Eng. Gustav Eiffel.
Aparece então a quarta ponte, a Ponte do Infante. Destinada ao tráfego rodoviário, esta moderna ponte muito veio  contribuir para o descongestionamento da Ponte de D. Luiz I e do seu já avizinhado fim do uso do  tabuleiro superior .
Temos então a quinta ponte, a Ponte de D. Luiz I, que com dois tabuleiros , serve principalmente os centros das duas cidades , embora, até ao final do ano de 2005, o seu tabuleiro superior seja definitivamente ocupado, após as obras de restauro e reforço, assim, como de adaptação á circulação do Metro de superfície, que ligará o Porto a Gaia.
Finalmente vem a sexta Ponte, a Ponte Arrábida, ponte com características de ligação entre auto estradas, que ligam o Porto a Gaia e ao resto do País.
(Fonte: A. Amén)

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Casa dos Bicos – Lisboa

Posted by mjfs em Setembro 27, 2007

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A Casa dos Bicos é um exemplo único de arquitectura civil residencial no contexto arquitectónico lisboeta, pelo facto da sua fachada estar revestida de pedra aparelhada em forma de ponta de diamante. Foi mandada construir por volta de 1523 após o seu proprietário, D. Brás de Albuquerque, ter realizado uma viagem a Itália, onde terá visto pela primeira vez o Palácio dos Diamantes de Ferrara e o Palácio Bevilácqua em Bolonha.
Na época da sua construção seria um edifício de duas fachadas, a menos importante virada para o rio (correspondendo à fachada actual), e a fachada nobre virada para a rua de trás. O terramoto de 1755 causou-lhe grandes estragos, alterando-a: a face nobre ruiu completamente e da fachada sul só restou a loja e a sobreloja, desde então a verdadeira face do edifício. Após o terramoto a casa foi utilizada para várias actividades, a mais importante das quais o comércio do bacalhau e só em 1960 é que foi adquirida pela Câmara Municipal de Lisboa, que alimentou desde sempre a intenção de restaurar a sua traça original. A concretização desta intenção só aconteceu no início dos anos 80 do século XX, quando foram reerguidos os dois andares que tinham caído durante o terramoto, segundo o que era possível apreciar num painel de azulejos do século XVIII, hoje patente no Museu da Cidade.
Apesar da influência marcada do renascimento italiano, a Casa dos Bicos de Lisboa apresenta uma série de características que a distinguem e que lhe conferem um carácter arquitectónico único. Comparativamente aos palácios italianos a sua escala é muito menor, e a distribuição irregular das janelas e das portas, todas de dimensões e formatos distintos, conferem-lhe um certo encanto, reforçado pelo traçado das janelas dos andares superiores, livremente inspiradas nos arcos trilobados da época. No interior encontra-se parte do espólio arqueológico descoberto durante as obras de restauro, incluindo quatro tanques de salga romanos de uma antiga fábrica de conserva de peixe, uma estrutura semicircular que faz parte da Cerca Moura, parte de uma torre medieval e um troço de pavimento mudéjar.
Actualmente a Casa dos Bicos está ocupada por instalações do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa e o seu interior não é visitável.

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Jardins do Palácio de Cristal no Porto

Posted by mjfs em Setembro 18, 2007

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Os Jardins do Palácio de Cristal são um aprazível espaço verde localizado na freguesia de Massarelos, na cidade do Porto, Portugal, a partir do qual se desfrutam deslumbrantes panorâmicas do rio Douro e do mar.

Estes jardins românticos foram projectados na década de 1860 pelo paisagista alemão Emílio David, para envolver o então Palácio de Cristal, substituído pelo Pavilhão Rosa Mota na década de 1950.

Os Jardins do Palácio de Cristal incluem o chamado Jardim Emílio David que possui belos exemplares de rododendros, camélias, araucárias, ginkgos e faias, para além de fontes e estátuas alegóricas às estações do ano.

A Avenida das Tílias constitui o eixo mais marcante deste parque e está ladeada pela Biblioteca Municipal Almeida Garrett, pela Galeria do Palácio, pela Concha Acústica e pela Capela de Carlos Alberto da Sardenha. Perto situam-se um restaurante e uma esplanada com vista para o lago. Nesta avenida e noutros locais encontram-se estratégicos miradouros que proporcionam vistas panorâmicas do rio Douro e da cidade. É ao fundo desta avenida que encontramos a capela que a princesa de Montléart mandou erguer em homenagem ao seu irmão, o Rei Carlos Alberto.

Os jardins temáticos estão também representados, nomeadamente pelo Jardim das Plantas Aromáticas, o Jardim das Medicinais e ainda o Jardim dos Sentimentos onde se encontra a estátua Dor de Teixeira Lopes. Outros espaços aprazíveis são o Bosque, a Avenida dos Castanheiros-da-Índia e o Jardim do Roseiral que está enriquecido com significativos elementos do património artístico da cidade. Nas proximidades surgem sete magníficos exemplares de palmeiras da Califórnia.

Contíguos aos Jardins do Palácio de Cristal estão o Museu Romântico e o Solar do Vinho do Porto, ambos na Quinta da Macieirinha. Muito próximo encontra-se, também, a Quinta Tait, com jardins recheados de colecções de rosas, camélias, brincos-de-princesa e um majestoso Liriodendrum tulipifera que circundam a Casa Tait, onde funciona um Gabinete de Numismática.

 

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(Fonte: Wikipedia e Amen-Amen)

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São Nicolau – Porto – Património Mundial da Humanidade

Posted by mjfs em Setembro 13, 2007

 

A freguesia de São Nicolau, com uma área de O, 21 quilómetros quadrados, ocupa o centro histórico da cidade do Porto, situando-se integralmente na Zona Histórica da Cidade, considerada Património Mundial.
O acesso à Freguesia faz-se pela Ponte D. Luís e por vários pontos da cidade, uma vez que se situa no coração da mesma.
Confronta com a freguesia da Vitória, a norte; com o rio Douro, a sul; com a freguesia da Sé, a nascente; e com Miragaia, a poente.
A origem das actuais freguesias remonta às paróquias eclesiásticas.
Ao longo dos séculos, a Igreja foi estruturando a sua acção, a partir dos pequenos núcleos populacionais de cariz rural, estabelecendo em torno deles as suas unidades de base: as paróquias eclesiásticas.
Na falta de níveis de organização da administração do Estado, disseminados pelo território, as paróquias eclesiásticas foram assumindo e realizando um conjunto de acções de natureza administrativa, fundamentalmente relacionadas com o estado civil dos cidadãos: registos de nascimento, registos de óbitos, assentos de casamento e administração dos cemitérios, entre outras.
A actividade das paróquias eclesiásticas, em domínio e funções da administração pública, manteve-se no foro da Igreja até 1830, quando, em pleno período liberal, as paróquias foram integradas num sistema administrativo do Estado, a par e em coincidência territorial com as paróquias eclesiásticas. Estas mantiveram as funções de administração eclesiástica, enquanto que, para as paróquias civis, passaram as funções de administração pública.
A criação desta Freguesia remonta ao século XVI.
Criada em 1583, a freguesia de São Nicolau afirmou-se rapidamente como o centro comercia! do Porto. Para tal, contribuiu a proximidade com o rio Douro, através do qual desciam até ao burgo, os produtos agrícolas. O pequeno comércio concentrava-se na área desta Freguesia. Em 1590, só na Praça da Ribeira, havia, de acordo com os dados fornecidos pelo investigador Ribeiro da Silva, sete regateiras de fruta e hortaliças, doze regateiras de peixe, seis lojas de azeite e uma pequena casa que fornecia comer.
Por ser o ‘coração económico” da cidade do Porto, o labirinto de ruas, vielas, pátios e íngremes escadarias começaram a pulular de gente: mulheres com as mãos escamadas do peixe e marujos habituados às fainas fluviais conviviam em alegre, mas nem sempre pacífico frenesim, com os canastreiros, sapateiros, mercadores, sombreireiros e alfaiates que se instalaram nas casas alcandoradas da zona, entre santos protectores, ainda hoje fixados em nichos alumiados por lâmpadas de azeite.
Aliás, a religião polarizava as atenções da população, sempre militante nas procissões que enchiam a cidade, num cortejo hierarquicamente perfilado, em que cada um seguia na posição correspondente ao respectivo “status social”. Essa vertente religiosa pode verificar-se em monumentos, como as Igrejas de São Nicolau, de São Francisco, de São João Novo e dos Grilos.
A imagem de marca desta Freguesia é a presença do rio (com mais ou menos pontes) e da cascata de casas que descem sobre ele, em socalcos graníticos, desde a Sé e a Vitória, por entre ruas sinuosas e estreitas que, por terem a sua história, merecem que se recupere toda a sua dignidade, identidade e autenticidade, pois nelas repousa o melhor da memória colectiva de São Nicolau.
Actualmente, a Freguesia enfrenta graves problemas urbanos, que requerem medidas de acção rápidas e eficientes, a fim de evitar a ameaçadora delapidação do seu património cultural, social e humano. As casas a cair de podres; a ausência de espaços verdes; o esgaçar dos laços familiares provocado pela dependência da droga; o desleixo para com as crianças, que crescem por sua conta; e a situação precária de muitos idosos, abandonados pelos familiares à sua própria sorte, são alguns dos mais graves problemas com que São Nicolau se depara, causas e resultados da debandada populacional que afecta a (por quanto tempo ainda?) Freguesia mais densamente povoada da Região Norte.

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