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Archive for the ‘Edifícios’ Category

Edifício da Misericórdia de Albufeira – Faro

Posted by mjfs em Março 9, 2009

Edificio Misericórdia Albufiera - Paulo Almeida Fernandes - 2006 - IPPAR

Vista geral das antigas instalações da Misericórdia de Albufeira, incluindo a capela

 

As instalações da Misericórdia de Albufeira constituem uma das mais antigas parcelas do centro histórico da cidade e localizam-se dentro do velho perímetro fortificado, implantando-se junto da mais importante porta (a da Praça, ou do Ocidente) e ocupando parte da alcáçova islâmica. Estes vestígios do sistema defensivo muçulmano desapareceram nos anos 60 do século XX, quando se construiu o Hotel Sol e Mar, mas tal campanha não destruiu o complexo da Misericórdia, que ainda hoje se mantém.

A instituição, fundada em 1499, desde cedo contou com importantes instalações, o que revela o grau de implantação e de aceitação na própria cidade. Ainda hoje é possível perceber que, delimitada pela muralha que se desenvolve desde a antiga Porta da Praça até à Porta do Mar (virada a Norte, hoje na confluência da Rua do Cemitério Velho), existe um quarteirão que foi praticamente todo ocupado pela Misericórdia local e que corresponde à face NO. da Rua Henrique Calado. Nesse quarteirão, funcionou a Capela, o Hospital e uma Hospedaria, assim como o edifício-sede e numerosas outras dependências de apoio às diversas actividades da instituição.

A capela é parte mais importante do conjunto e, simultaneamente, a mais antiga. Crê-se que seria mesquita de uso exclusivo da alcáçova e do paço dos governadores, posteriormente convertida em igreja cristã e, finalmente, em capela da Misericórdia. Este percurso funcional não está arqueologicamente provado, mas dada a localização do templo é natural que assim tivesse acontecido, embora nos faltem dados de caracterização sobre os séculos XIII e XIV. A fachada principal é de pano único e passaria despercebida entre o casario não fosse o seu portal manuelino e a empena triangular da frontaria. Aquele é de arco apontado, mas possui moldura inferior decorada com ligeiro encordoado que, descarregando sobre capitéis de decoração vegetalista, finos colunelos adossados à caixa murária e bases embebidas de secção multifacetada, prova o seu carácter manuelino, ainda que relativamente modesto.

O interior é de nave única, e apenas a capela-mor evidencia a fase manuelina, sendo coberta por abóbada de cruzaria de ogivas, com bocete ornamentado pela cruz da Ordem de Avis, sintoma provável de algum dinheiro real empregue na obra. O arco triunfal é abatido, mas possui ainda duas colunas torsas que descarregam sobre bases oitavadas, elementos artísticos que provam a sua feitura durante o ciclo manuelino. No corpo do templo, coberto por tecto de madeira, pode ainda observar-se um coro-alto barroco que se adossa à fachada principal.

Da capela-mor pode aceder-se à Sacristia e à antiga Casa do Despacho, esta última um espaço rectangular que, na origem, deveria ter um segundo acesso sem ser pelo interior da capela. A Hospedaria é um edifício de planta rectangular, disposto ao longo da via pública e tem como principal atractivo o seu portal, de arco apontado, muito simples e que, se não for contemporâneo do portal principal da capela, deverá ser o reaproveitamento de uma mais antiga habitação.

Compreensivelmente, o hospital ocupa a maior parte das antigas instalações. A primeira referência documental que se conhece data de 1571, mas parece relacionar-se com uma pequena casa de acolhimento, uma vez que, séculos mais tarde, em 1758, refere-se expressamente que o hospital é composto por uma só casa, "em que se acolhem os pobres passageiros, mas não a curar-se". O edifício que chegou até hoje data genericamente do final do século XIX. Em 1880, a Santa Casa dirigiu uma petição à Câmara dos Deputados para alargamento das instalações, o que foi favoravelmente respondido três anos depois, tendo-se iniciado as obras em 1885, sob o comando do empreiteiro José Francisco do Nascimento. Inaugurado em 1904, dele fazem parte duas enfermarias, em dois andares, e integra a Torre do Relógio, estrutura que aproveitou uma das antigas torres defensivas da islâmica Porta da Praça.

Edificio Misericórdia Albufeira

Vista parcial do antigo acesso à Porta da Praça e da Torre do Relógio, actualmente integrada no Hospital

Fonte: PAF / IPPAR

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Palacete Melo – Vila do Conde

Posted by mjfs em Março 6, 2009

palacete melo - blogue estadevelho 

Antiga colónia balnear da Fundação Narciso Ferreira, o Palacete Melo insere-se num conjunto urbano que exemplifica a ideia romântica da estância balnear de finais do século XIX. A expansão balnear oitocentista processa-se segundo novos princípios de concepção tipológica e este palacete assume a sua importância porquanto define não só um momento de referência da história local mas também porque o conjunto em que se integra é um dos raros exemplos de estância balnear, uma vez que na Póvoa do Varzim foram destruídos exemplares arquitectónicos semelhantes.

Separado por um muro gradeado, este edifício romântico, orientado a Sul, cujo acesso é feito através de uma escadaria situada na fachada Oeste, apresenta alçados de dois pisos, sendo o segundo já integrado no tímpano do frontão que o remata. As coberturas são em telhado de duas águas, sendo o frontão, cunhais e molduras das janelas realizados em pedra mármore, destacando-se no seu interior a decoração dos tectos. A Câmara Municipal de Vila do Conde tem ali como projecto a futura instalação do Museu do Emigrante.

Fonte: IPPAR / AAM

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IGREJA E EDIFÍCIO DA MISERICÓRDIA DE VILA DO CONDE

Posted by mjfs em Fevereiro 7, 2009

IGREJA E EDIFÍCIO DA MISERICÓRDIA DE VILA DO CONDE - foto cmviladoconde 

Embora o compromisso da sua fundação date de 1499, a irmandade da Misericórdia de Vila do Conde foi fundada em 1510. A confraria instalou-se numas casas contíguas à capela do Espírito Santo, tendo decidido em 1522 edificar uma igreja para a irmandade, com respectiva casa do consistório e hospital.

O terreno onde iria ser edificado o templo foi doado por Álvaro Fernandes da Rua e sua mulher, localizando-se na área fronteira ao velho hospital de Vila do Conde. No entanto, as obras da Casa da Misericórdia só se iniciaram em 1559, depois de demolida a capela de São Miguel o Anjo, situada nesse mesmo terreno.

O conjunto edificativo existente, composto pela igreja e pela casa do consistório, apresenta um modelo maneirista, de linhas sóbrias e depuradas. A igreja, de planta rectangular é precedida por escadaria, com portal principal de moldura rectangular ladeado por dois pares de colunas jónicas, num modelo de inspiração serliana, encimado por um conjunto de imagens de vulto, o da esquerda representando Nossa Senhora da Conceição, o da direita figurando a Visitação. A fachada é rematada em empena.

O interior da igreja, de nave única, é revestido por painéis de azulejo de padrão, fabricados na oficina lisboeta de Domingos Francisco e colocados em 1692, no mesmo ano em que foi construído o coro e os caixotões de madeira do tecto, pintados com motivos florais. Os retábulos colaterais, executados em 1662, estão separados da nave por uma grade de pau preto, e decorados por um conjunto de pinturas executado entre 1663 e 1666.

No século XVIII a igreja sofreu algumas alterações na sua estrutura interior. Nos anos de 1743 e 1744 os irmãos patrocinaram a edificação de uma tribuna, desenhada pelo arquitecto Nicolau Nasoni e decorada com talha, da autoria do mestre Manuel Rocha, e encomendaram um novo retábulo-mor, de talha barroca, possivelmente obra do mesmo mestre.

O edifício do consistório, onde terá funcionado também o hospital da irmandade, desenvolve-se em planimetria quadrangular, estando dividido em dois pisos. A fachada, também precedida por uma escadaria, possui portal de moldura rectangular, ladeado por dois janelos. No segundo registo foram abertas três janelas de sacada, duas de moldura rectangular encimadas por friso, semelhantes à porta, outra com arco conopial, de gosto manuelino. Esta moldura, de execução anterior à edificação da casa, poderá ter sido aproveitada da capela situada neste local, demolida para dar início à construção da Misericórdia. A sineira da igreja foi colocada sobre a fachada do consistório.

 
Texto: Catarina Oliveira / IPPAR/2005

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Solar dos Carneiros – Póvoa do Varzim

Posted by mjfs em Dezembro 13, 2008

 Solar dos Carneiros - Biblioteca Municipal da Póvoa do Varzim - Foto www.monumentos.pt

O edifício situada na Rua do Visconde e na Rua da Amadinha, conhecido por solar dos Carneiros, é a única casa brasonada existente na Póvoa de Varzim. A sua longa fachada, onde se exibe o brasão de armas da família, desempenhou um papel fundamental no tecido urbano e sócio-económico da Póvoa, vincando a imagem de poder e de relevo social que os seus proprietários pretendiam transmitir.

A sua construção remonta ao século XVIII, inserindo-se num dos modelo mais utilizados na arquitectura civil de Setecentos, a denominada casa comprida. O brasão, no andar nobre, é flanqueado por duas janelas marcando o eixo deste corpo da fachada, com janelas de sacada no piso superior, e no térreo, duas portas e janelas de linhas rectas, alinhadas pelo friso que separa os dois pisos.

No interior, e para além de um tecto de masseira, original, destaca-se a capela, com altar de talha policroma, a imitar marmoreados.

Quando, em 1936 se realizou a 1ª Exposição Regional de Pesca Marítima, um dos seus impulsionadores, António dos Santos Graça, decidiu prolongar esta iniciativa e promover a organização de um Museu Municipal, que veio a ser inaugurar no ano seguinte, no solar dos carneiros, com as peças da Exposição e outras entretanto reunidas.

A Câmara Municipal adquiriu o imóvel em 1974, promovendo, a partir de então, obras de remodelação e ampliação, que estavam concluídas em 1985, data da reabertura ao público do renovado Museu de Etnografia e História.

Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR

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Edifício da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim

Posted by mjfs em Dezembro 12, 2008

Camara M Póvoa do Varzim - Foto PedroPVZ - 23-06-05 

No Norte do país e, mais precisamente, na cidade do Porto, o gosto neoclássico surge bastante cedo (último terço do século XVIII), por influência da comunidade inglesa aí estabelecida, o que explica a presença, pelo menos numa primeira fase, de uma via estética palladiana, tão significativa no contexto arquitectónico da própria Inglaterra. Neste âmbito, o projecto do Hospital de Santo António (ainda que apenas parcialmente construído) veio a revelar-se fundamental para o desenvolvimento da arquitectura civil portuense, estabelecendo uma nova linguagem que se opunha ao barroco de Nasoni, que até então caracterizava a cidade e toda a região. Ou seja, o Porto soube tirar partido da presença da colónia inglesa, fomentado um gosto que conferiu um pendor erudito à renovação arquitectónica da cidade neste período.

Contudo, a nova linguagem de origem britânica acabou por se estender à região circundante, sendo vários os exemplos patentes noutras cidades nortenhas. Entre estes, encontra-se a arcaria da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, um projecto concebido pelo arquitecto Reinaldo Oudinot, nos anos de 1790-91. Oudinot trabalhou no Porto (desenhou o Quartel de Santo Ovídio), cidade para onde foi chamado por Francisco de Almada e Mendonça, que terá sido também o responsável pela encomenda da Póvoa de Varzim.

Este edifício destaca-se pela arcaria em cantaria de junta fendida ou rusticada, e registo superior rasgado por janelas rectangulares no eixo dos arcos, numa composição que recorda o imóvel da Feitoria Inglesa, cuja construção teve início em 1785, sob projecto de John Whitehead.

Ambos os edifícios se inserem na já referida corrente neopalladiana, caracterizada por um desenho austero, onde a decoração é praticamente nula. Muito embora a leitura da platibanda recta que remata o imóvel seja interrompida, ao centro, por um imponente brasão com as armas reais. Num plano posterior, ergue-se a torre do relógio, de planta rectangular. Nesta medida, os azulejos (azuis e brancos) que revestem a zona superior da frontaria, envolvendo as janelas, são uma obra já do século XIX.

 

Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR

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Edificio na Rua Ten. Valadim – Póvoa do Varzim

Posted by mjfs em Dezembro 9, 2008

Fachada em azulejo do edificio rua tenente valadim - povoa do varzim - www.monumentos.pt

A arquitectura Arte Nova em Portugal pautou-se, na grande maioria dos casos, por manifestações como as que podemos observar neste prédio da Póvoa do Varzim. Sem a unidade conferida por um projecto global, a nova arte evidenciou-se, essencialmente, na superfície das fachadas, em painéis de azulejo cujos motivos eram desenvolvidos de forma natural e “orgânica”. A mesma linguagem surgiu, também, nas grades de ferro forjado, que protegiam as varandas, ou ainda noutros elementos decorativos que, no seu todo, confluíam para emprestar aos prédios do final de novecentos e início do século XX uma modernidade aparente e um eclectismo que denunciava, em última análise, a encruzilhada da arte portuguesa de então.

É, pois, neste contexto, que o n.º 73 da Rua Tenente Valadim deve ser entendido. Trata-se de um edifício de dois andares, ambos abertos por dois vãos, mas beneficiando o primeiro piso de um tratamento superior. Este, é percorrido por uma grade de ferro, com motivos enrolados, que define a varanda, apoiada sobre mísulas com remates em flor. O edifício termina numa composição de linhas rectas, e em forma de trapézio, moldurado.

Assim, ganham especial relevância na animação deste alçado os painéis de azulejo, aplicados entre as janelas de sacada e no friso que se lhes sobrepõe. Ambos desenham motivos florais em tons de rosa e verde, sobre fundo amarelo, mas o segundo é interrompido, ao centro, pela figuração de um pavão, um dos animais preferidos pela linguagem Arte Nova.

Em todo o caso, o carácter Arte Nova deste edifício contrapõe-se a determinados pormenores, como o desenho dos elementos que flanqueiam as janelas superiores, cujo espírito rectilíneo se aproxima de um gosto Art Déco. Nesta medida, é possível que a edificação deste imóvel seja um pouco mais avançada, correspondendo, muito possivelmente, à segunda década do século XX.

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Edifício dos antigos Paços do Concelho da Póvoa de Varzim

Posted by mjfs em Dezembro 4, 2008

 Edifício dos Antigos Paços do Concelho da Póvoa de Varzim - www.monumentos.pt

A região do porto piscatório da Póvoa de Varzim é habitada desde os tempos pré-históricos, embora a sua incorporação no Império Romano tenha marcado o início da formação do centro urbano. O documento mais antigo que referencia Villa Eurazini data de 953, pertencendo ao cartulário da Colegiada de Guimarães. Durante a Idade Média, a povoação tornou-se um próspero porto de pesca, dividido em duas partes distintas. A norte o território pertencia à Ordem do Hospital, sendo ocupada por cavaleiros hospitalários, a sul as terras pertencia ao rei.

Em 1308 D. Dinis outorgou a “Varazim” a primeira carta de foral, doando as terras realengas aos rendeiros da zona norte da povoação, com a condição de os novos habitantes aí fundarem uma póvoa, constituindo um concelho. Poucos anos depois, em 1312, o monarca doou a póvoa a Afonso Saches, seu filho bastardo, que a incorporou nos bens do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde.

Foi pois no início do século XIV que se constituiu o concelho da Póvoa de Varzim, datando possivelmente do século XV a edificação do primitivo edifício dos Paços do Concelho, embora pouco reste da estrutura deste. O edifício quatrocentista da Póvoa de Varzim assentava sobre uma estrutura de arcadas, que constituíam o piso térreo, encimada pelas duas janelas do pisos superior, entre as quais estava colocado o brasão de armas da vila. Este modelo apresenta semelhanças com alguns edifícios camarários edificados nos séculos XV e XVI no norte do País, nomeadamente com os antigos Paços Municipais de Viana do Castelo.

No entanto, e porque nas últimas décadas do século XVIII a casa camarária da Póvoa de Varzim apresentava sinais de ruína, a edilidade determinou em 1791 que fosse construído um novo edifício para albergar os Paços do Concelho.

No início do século XX os antigos Paços do Concelho foram comprados por um particular, que executou obras de recuperação no edifício, transformando-o em residência privada. O edifício apresenta actualmente uma estrutura de planimetria rectangular, que se divide em dois pisos, muito diferente da original. A fachada principal apresenta no piso térreo três portas, de moldura em arco abatido, e no registo superior três janelas quadrangulares.

Pode referir-se que esta reestruturação retirou ao edifício o elemento mais interessante da sua edificação primitiva, a estrutura de arcada quatrocentista, que se inspirava em modelos oriundos do Norte da Europa.

Texto: Catarina Oliveira / IPPAR/2006

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Antigo Edifício da Real Companhia Vinícola – Matosinhos

Posted by mjfs em Maio 5, 2008

Edif�cio da Real Companhia Vin�cola - Matosinhos - Carlos Fonseca 2006 - IPPAR

O primeiro Plano de Urbanização da então Vila de Matosinhos, previa a ocupação do Areal do Prado com uma malha ortogonal regular composta por quarteirões rectangulares e é num destes quarteirões do Plano que iria surgir o edifício da Real Companhia Vinícola, grandes armazéns de vinho que foram mandados construir, em 1897, por Menéres & Cª. Este excelente edifício fabril foi precisamente a primeira unidade industrial a ocupar aquela zona, constituindo-se em foco de atracção para as futuras unidades industriais. Deste modo se explica, também, que a artéria então aberta e que servia a fábrica tenha sido baptizada como Avenida Menéres topónimo que ainda hoje possui.

Durante anos ponto de referência absoluto na paisagem e na vida dos matosinhenses, a “Real Vinícola” é o conjunto industrial cujos limites de implantação correspondem aproximadamente à malha estipulada pelo Plano original da ocupação do areal, de autoria de Lícinio Guimarães. De facto, a partir daí ele vai sofrer algumas alterações, diferindo do modelo projectado.

Por ter sido a primeira instalação industrial implantada na área, a “Real Companhia Vinícola”, construída entre 1897 e 1901, apresenta um processo construtivo bastante diferenciado das contíguas construções industriais posteriores, caracterizadas pela utilização do betão e asnas metálicas.

Construídos em alvenaria de pedra, com cobertura de telha, assente em asnas de madeira e pilares de ferro forjado no corpo principal, os edifícios da Real Companhia Vinícola dispõem-se no perímetro do quarteirão, deixando no interior um enorme pátio, onde a linha férrea tinha o seu términus e onde se dispunham os dois armazéns/depósito ainda existentes.

Revelando soluções fortemente inspiradas nos modelos ingleses das primeiras explorações agrícolas industrializadas, com um acentuado contraste entre o exterior e o interior, na “Real Vinícola” “os grandes telhados cobertos em telha, apoiados em pilares e travejamento de madeira, as altas paredes em pedra, a clara distinção entre os corpos a que correspondiam diferentes funções, tudo sugere uma granja. Só que aqui, celeiros, adegas, lagares, etc. estão concentrados, criando um volume compacto que não unitário”.

Estas instalações, contudo, não eram fábricas no sentido estrito do termo. De facto, funcionavam mais como armazéns onde se procedia à análise química laboratorial, à rotulagem, embalagem e expedição de um produto natural que, afinal, não ali totalmente transformado. Importa, contudo, salientar que o edifício possui uma das primeiras estruturas fabris a vapor da região: uma tanoaria a vapor.

Extinta a sociedade Menéres &Cª, em 1905, as suas marcas de vinho do Porto, espumosos e de mesa continuaram a ser comercializadas pela “Companhia Vinícola Portugueza” que possuía sede no Porto.

Não há notícias que o edifício original tenha sofrido grandes alterações, registando-se apenas uma ligeira ampliação ainda em 1903, através da qual é implantado um pequeno torreão num dos extremos da fachada voltada para a Avenida Menéres, e obras de decoração na fachada em 1929.

Não obstante o seu encerramento, nos anos 30, a “Real Vinícola” continuou a manter, embora de forma indirecta, uma ligação estreita à história da evolução urbana da cidade. É que a construção das docas do porto de Leixões, implicando o desaparecimento de todas as edificações junto às margens em Matosinhos e Leça da Palmeira, fez com que uma grande parte da população ribeirinha até então aí residente se visse privada das suas habitações. Neste contexto a “Real Vinícola” funcionou, durante vários anos, como refúgio/albergue desses desalojados. Curiosamente, várias décadas depois, na sequência da descolonização, voltaria a desempenhar as mesmas funções em relação a retornados das ex-colónias portuguesas em África.

Hoje, o edifício ou, mais precisamente, o conjunto de edifícios da Real Companhia Vinícola apresenta-se abandonado e desocupado.

Fonte: IPPAR/AAM

 

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Casa de Santiago – Matosinhos

Posted by mjfs em Abril 17, 2008

Matosinhos - Casa Santiago

A Casa de Santiago foi mandada construir por João Santiago de Carvalho e Sousa, para sua residência na última década do século XIX, Era então designada por “Quinta de Villa Franca” numa alusão ao local onde se encontrava. O autor do projecto foi Nicola Bigaglia, veneziano radicado em Portugal desde a década de 1880. A casa adopta um estilo arquitectónico ecléctico e revivalista, ao gosto da época, integrando elementos neo-medievais num tom genérico renascentista que caracterizará as suas obras posteriores.

A variedade de elementos estruturais e decorativos, a sua expressividade e o seu simbolismo fazem desta casa um elemento interessantíssimo de estudo. A casa foi adquirida pela Câmara Municipal de Matosinhos em 1968 tendo a sua recuperação e adaptação a museu sido dirigida pelo arquitecto Fernando Távora.

O visitante poderá observar a reconstituição duma época através da aproximação possível ao interior de uma habitação burguesa, instalada numa das zonas de veraneio mais concorridas na passagem do século, conferindo ao projecto da Quinta de Santiago uma dimensão de Casa Museu.

No segundo piso está exposta uma colecção de pintura e escultura que toma como base três nomes destacados da colecção de Arte da Câmara Municipal de Matosinhos: António Carneiro (1872-1930), Agostinho Salgado (1905-1967) e Augusto Gomes (1910-1976). Sendo três figuras ligadas a Matosinhos e a Leça a obra destes três artistas envolve três leituras diversas do mar, da terra mais interior e das gentes de Matosinhos. Paralelamente um programa de exposições temporárias, renovadas periodicamente são um importante factor de atracção que recomenda uma visita a este museu que está aberto todos os dias das 10.00 às 18.00 horas (encerra à Segunda-feira).

Matosinhos - Casa Santiago 1

(Fonte: CM-Matosinhos)

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Casa António Seabra – Sangalhos – Anadia

Posted by mjfs em Março 2, 2008

 Fotos: Lídia Fernanda Mendes de Figueiredo

 
O projecto da Casa de António Seabra, da autoria do arquitecto Cipriano Maia, remonta a 1922, encontrando-se as obras concluídas em 1925. Muito embora a morte do arquitecto, em 1923, tenha obrigado a uma mudança dos planos originais, estamos em presença uma habitação unifamiliar, que se inscreve na vertente estética da “Casa Portuguesa” difundida, principalmente, por Raul Lino. A planta quadrangular com uma espécie de torreão rectangular na extremidade da fachada principal, desenvolve-se em volumes cúbicos e linhas rectas de influência da arquitectura moderna, mas a resposta plástica que se observa no tratamento dos volumes encontra-se ligada a um vocabulário tradicional: telhados de três e quatro águas, múltiplas cornijas em telhado, varanda alpendrada, azulejos a ladear a porta principal (Santo António e São João, da fábrica ELA de Aveiro com data de 1924), ou floreiras das janelas. O próprio “torreão” não deixa de recordar um modelo da casa-torre medieval que a arquitectura civil portuguesa conservou e recuperou nas mais diversas épocas.
No interior, de dois pisos articulados através de escadaria de madeira, as áreas de serviço, o escritório e a zona social encontram-se circunscritas ao piso térreo, estando o superior reservados a quartos e a áreas privadas.

Fonte: IPPAR

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