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Archive for the ‘Monumentos’ Category

Castelo de Palmela – Setúbal

Posted by mjfs em Setembro 16, 2009

 Castelo de Palmela - Foto Jorge Cascalho

O conhecimento que, na actualidade, possuímos a respeito do castelo de Palmela (graças a quase década e meia de intervenções arqueológicas) é muito diferente do que há alguns anos fazia história. Sede da Ordem de Santiago na Baixa Idade Média, e ponto fundamental na história militar do reino de Portugal, sabe-se, hoje, que a sua relevância no contexto regional é bem mais antiga, recuando ao período romano. A partir desse momento fundacional, testemunhado por espólio cerâmico, não mais parece ter havido interrupção de povoamento. No período visigótico, voltamos a encontrar elementos cerâmicos de transição (com paralelos em outros pontos da península) e dois capitéis que, apesar de resgatados em contextos islâmicos dos séculos IX-X, é de admitir que possam pertencer aos séculos de domínio visigótico ou, em alternativa, a comunidades moçárabes, facto que, a confirmar-se, viria trazer novos dados sobre a permanência cristã no local até cronologias muito tardias, eventualmente em ligação com o próprio poder emiral.

A época islâmica encontra-se, hoje, sobejamente documentada. Nas chamadas galerias (sector nascente), apesar das escassas dimensões das salas, foi possível confirmar “uma intensa continuidade ocupacional do sítio durante todo o período da presença islâmica”, reveladora de múltiplas remodelações num espaço habitacional ligado à muralha Norte do recinto. Os testemunhos mais antigos pertencem aos séculos VIII/IX, o que demonstra a importância do castelo logo na primeira fase de domínio islâmico na península.

Apesar do imenso espólio cerâmico resgatado, e de outros materiais provenientes de construções, a evolução do espaço fortificado é ainda motivo de debate. De acordo com as conclusões de Isabel Cristina Fernandes, que temos vindo a seguir, a primitiva estrutura militar islâmica situava-se na secção nascente do actual castelo, adaptando-se às condicionantes do terreno e desenvolvendo-se em planta rectangular ligeiramente em semi-círculo, tendo o acesso pelo lado ocidental. Numa segunda fase, que se pode considerar entre os séculos X e XII, o espaço fortificado ampliou-se extraordinariamente, passando a abranger o núcleo central e ocidental do actual castelo. Datará desse período a construção do poço-cisterna (posteriormente integrado na igreja de Santa Maria), e da porta em cotovelo do lado Norte, ainda hoje a entrada principal no recinto.

Em 1147, Palmela passou a ser controlada pelas forças cristãs. No entanto, até à conquista definitiva de Alcácer do Sal, já no século XIII, a região (e em particular o curso do rio Sado) esteve sujeita aos ataques islâmicos. Alguns estratos arqueológicos do século XII revelam níveis de destruição que “deverão corresponder ao (…) arrasamento do castelo por Ya’qub al-Mansur em 1191. Em 1186, o castelo havia sido doado à Ordem de Santiago, que terá sido o primeiro estabelecimento dos freires, antes de estabelecerem sede em Santos-o-Velho, na cidade de Lisboa.

Ao longo da Baixa Idade Média, o conjunto teve várias obras, entre as quais se contam a reconstrução / reformulação santiaguista (provavelmente na viragem para o século XIII), em que se incluirão algumas torres.

Posteriormente, provavelmente em época dionisina, ter-se-á construído a torre de menagem, vincadamente gótica e protegendo a entrada principal no reduto. No século XV, a instalação definitiva da Ordem em Palmela motivou grandes obras, em particular no sector ocidental, onde se construíram a Igreja de Santiago e o convento. Este último espaço, foi transformado, na década de 70 do século XX, em pousada e mais recentemente, ao abrigo do projecto de animação e dinamização do castelo de Palmela, iniciaram-se as escavações arqueológicas e transformaram-se alguns espaços em salas museológicas e áreas de serviço e de comércio.

 

Texto: PAF / IPPAR

 Outras Ligações:

 

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Castelo de Abrantes ou Fortaleza de Abrantes – Santarém

Posted by mjfs em Abril 30, 2009

Castelo de Abrantes

A cidade de Abrantes, no distrito de Santarém, possui um poderoso e austero castelo. A silhueta das suas muralhas domina uma elevação da cidade e vigia atentamente a proximidade do extenso caudal do rio Tejo.

Pensa-se que a antiga fortaleza pré-romana terá sido conquistada no ano de 130 a. C. pelo cônsul romano Décio Júnio Bruto. Abrantes revelava-se um ponto estratégico fundamental, dado que esta cidade estabelecia a confluência de várias redes viárias, posição táctica que manteve a sua posterior validade, como o comprovam as sucessivas alterações da sua fortaleza militar.

Esta cidade ribatejana foi conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques em 1148. Posteriormente, seria alvo de dois longos e desgastantes cercos levados a cabo pelos Almorávidas, o primeiro dos quais aconteceu 21 anos mais tarde. Contudo, as forças cristãs sob o comando do primeiro rei português defenderam valorosamente este castelo.

No século XIII, D. Afonso III procedeu a melhoramentos substanciais nas muralhas da cidade, para D. Dinis cumprir a tarefa de concluir o perímetro defensivo, ao mesmo tempo que terminava a remodelação da Torre de Menagem.

O mestre de Avis, futuro D. João I, recebeu o apoio desta praça-forte durante a crise de 1383-1385, tendo sido aqui tomada a decisão de enfrentar o exército castelhano em Aljubarrota.

Na segunda metade do século XVI, a fortaleza de Abrantes entrou em acentuada decadência, particularmente durante a dinastia filipina. Ao longo da ocupação espanhola, o seu interesse estratégico foi considerado nulo.

Contudo, no último quartel do século XVII, D. Pedro II mandou reedificar a praça-forte de Abrantes, pois as Guerras da Restauração voltaram a colocá-la no centro da estratégia defensiva do território nacional. As grandes obras de remodelação seiscentistas basearam-se no moderno sistema de fortaleza à Vauban. Foram acrescentados ao castelo medieval dois meios-baluartes, enquanto se procedia à adaptação e alargamento das muralhas, preparando-as para os impactos destruidores da pirobalística.

No século XVIII, as instalações do castelo foram adaptadas a quartel, para darem guarida a um regimento de cavalaria real. Alguns anos mais tarde, entre 1792 e 1799, foi ampliado e ocupado pela legião comandada pelo marquês de Alorna. No virar do século, Abrantes seria um dos palcos da denominada Guerra das Laranjas, conflito luso-espanhol que arrastou para a guerra algumas localidades portuguesas. Em 1807, as invasões napoleónicas aconteciam pela mão de Junot; com ele estendeu-se todo um cortejo de violência e humilhações. O marechal francês ocupou esta cidade a 22 de Novembro e “recebeu” o título de duque de Abrantes. Contudo, menos de um ano depois, a cidade foi recuperada por um grupo de militares e populares portugueses. Reocupada no decurso da terceira invasão francesa, Abrantes voltou a ser martirizada pelas tropas comandadas por Massena, após a derrota deste nas Linhas de Torres Vedras.

Desactivado em termos de aquartelamento militar, o castelo de Abrantes conserva ainda a beleza dos volumes castrenses do seu passado. Envolta por um parque elegante e verdejante, a fortaleza deixa ver dois distintos panos de muralha, reforçado o primeiro por cilíndricos torreões e rasgado por algumas aberturas rectangulares. A porta principal abre-se no ângulo nordeste de fortaleza. O elemento que maior destaque alcança é a extensa Loggia do Paço dos Marqueses de Abrantes, varanda de grandes e poderosos arcos de volta perfeita, ladeada por dois torreões cilíndricos.

O interior da praça de armas possui ainda as antigas dependências palacianas, marcadas pela grandiosidade das suas estruturas arquitectónicas. Emerge destas construções a antiga Igreja de Santa Maria do Castelo, convertida em museu onde se expõem belas colecções de escultura romana, escultura tumular dos século XV e XVI, para além de notáveis painéis de azulejos sevilhanos e outras significativas obras de arte.

In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-03-21].

Outros Links:

 

 

Castelo de Abrantes em obras depois de desabamento de parte da muralha

16 DEZ 08 às 19:00

Uma parte da muralha do castelo de Abrantes cedeu durante o fim-de-semana e depois do alerta que foi lançado pela autarquia sobre o mau estado da muralha daquele monumento nacional de 900 anos. Na sexta-feira, a câmara assinou um protocolo para a recuperação parcial da muralha com a Direcção Regional da Cultura, mas logo a seguir, as chuvas causaram o desabamento de parte da estrutura.

As obras tiveram início, esta terça-feira, com a colocação dos andaimes, mas os técnicos terão de rever o plano de actuação, pois uma parte da muralha cedeu parcialmente pela base durante o passado fim-de-semana. Desta forma, o escoramento que estava previsto já não vai ser feito.

Castelo de Abrantes - Rui Miguel Silva

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Nelson de Carvalho, afirmou que o trabalho pode ser mais demorado do que o inicialmente previsto.

Castelo de Abrantes  - Rui Miguel Silva

Este desabamento afectou uma pequena área com cerca de cinco metros de comprimento por dois de altura, que foi entretanto vedada ao público, não colocando em risco a segurança dos visitantes.

Castelo de Abrantes  - Rui Miguel Silva

O castelo continua aberto, sendo desta forma possível entrar nas muralhas e visitar o jardim, a igreja, a torre de menagem e o palácio do governador.

O Castelo de Abrantes data do século XII, tendo sido mandado construir por Dom Afonso Henriques.

Ao longo dos seus 900 anos de existência já foi alvo de seis intervenções, a última das quais entre 2002 e 2004.

Apesar do orçamento inicial para esta intervenção de emergência ser de 80 mil euros, divididos entre a autarquia e o Ministério da Cultura, a câmara acredita que este valor será ultrapassado.

Desta forma, não há um preço certo e um espaço de tempo definido para a conclusão destas obras na muralha do Castelo de Abrantes.

(Citação: Rui Miguel Silva / TSF)

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Castelo de Sintra ou Castelo dos Mouros – Lisboa

Posted by mjfs em Abril 4, 2009

  Castelo dos Mouros - Sintra 1

Numa das soberbas e verdejantes vertentes da romântica Serra de Sintra – denominada pelos romanos o Monte da Lua – localiza-se um dos mais lendários e assombrosos castelos de Portugal. Trata-se do conhecido Castelo dos Mouros, que, em silêncio, vigia Sintra e as planícies que se estendem até ao Oceano Atlântico.

Tal como o nome indicia, a sua edificação deveu-se aos muçulmanos, tendo estes começado a levantar as suas defesas entre os séculos VIII e IX. Cobiçada entre as diferentes e rivais taifas árabes, Sintra mudou várias vezes de mãos, sendo inclusivamente ocupada no século XI por Afonso VI de Leão. No entanto, a sua posse definitiva para as armas cristãs ocorreu no século XII, quando D. Afonso Henriques tomou igualmente Lisboa e Santarém. Caiu sem resistência, pois os seus defensores tinham-se acolhido à segurança de fortalezas localizadas na margem sul do Tejo.

O repovoamento e defesa de Sintra é realizado pelo nosso primeiro monarca, que, para atrair as populações e os militares, concedeu foral a esta localidade em 1154. D. Sancho I remodela e restaura as defesas do castelo de Sintra, obras que seriam retomadas no século XIV, em pleno reinado de D. Fernando I. Da original edificação árabe subsistiram apenas alguns panos de muralha ameados.

Nas desastrosas guerras desencadeadas pela ambição de D. Fernando, os exércitos castelhanos atacaram Sintra. Durante a crise dinástica de 1383-85, o alcaide deste castelo tomou partido por D. Beatriz e Castela, mantendo-se fiel a este compromisso até à Batalha de Aljubarrota.

Quando a corte se deslocava a esta localidade dos arredores de Lisboa, ficava no Palácio da Vila de Sintra, pelo que as antigas instalações residenciais do castelo começaram a ser negligenciadas. O seu interesse militar decaiu e a praça-forte ficou desguarnecida. O tempo encarregou-se de ir arruinando o perímetro defensivo do Castelo dos Mouros.

No século XIX, D. Fernando II empenhou-se em valorizar a Serra de Sintra. Este mecenas esclarecido e culto procedeu a uma imaginativa obra de conservação e restauro, iniciativa importante que susteve a ruína em que o castelo caíra.

Serpentinando ao longo de uma das íngremes colinas da serra sintrense, os panos de muralha apresentam-se coroados por parapeitos ameados. A muralha é fortalecida por sólidos cubelos, correndo no seu interior extensos adarves, rampas e inúmeros degraus de escadas. Sobressaem vigilantes cinco torres ameadas, estando a de menagem gravemente danificada por um raio que a atingiu em 1636, bem assim como pelo terramoto de 1755.

Intramuros e nas proximidades da porta de entrada observam-se as ruínas do pequeno templo românico consagrado a S. Pedro, obra realizada no reinado de D. Afonso Henriques. Contígua fica a cisterna do castelo, brotando do seu interior abobadado uma nascente que alimentava o Palácio da Vila de Sintra.

Na cota mais elevada ergue-se a Torre Real, construção a que se acede vencendo 500 demolidores degraus escavados na rocha. De acordo com a tradição, o poeta Bernardim Ribeiro terá habitado neste bucólico e isolado local.

Integra-se este castelo na área Paisagem Cultural de Sintra, local classificado Património Mundial pela UNESCO.

Castelo dos Mouros. In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-02-04].
Castelo dos Mouros – Infopédia

OUTRAS LIGAÇÕES:

  • Castelo de Sintra (Pesquisa de Património no IPPAR)
  • Castelo dos Mouros (Pesquisa de património na DGEMN)
  • UNESCO – Cultural Landscape of Sintra (Inglês)
  • Luz & Sombras – Fotografia de Natureza e Paisagem em Sintra
  • Castelo dos Mouros – Infopédia
  • Castelo dos Mouros – pt.wikipedia
  • Castelo dos Mouros – (fotos) wikimedia
  • Castelo dos Mouros – Portugal Virtual
  • Castelo dos Mouros – Guia da Cidade
  • Castelo dos Mouros – (fotos) – IPPAR
  • Sintra (Galeria Fotos – Portuguese_eyes) 

     

    Castelo dos Mouros - Sintra 2

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    Torre das Cabaças ou Torre do Relógio ou O Cabaceiro – Santarém

    Posted by mjfs em Março 30, 2009

     Torre das Cabaças

    Da primitiva torre pertencente ao conjunto defensivo de Alpram, chegou até aos nossos dias apenas a antiga torre do relógio do senado da Câmara, ou seja, a Torre das Cabaças ou do Relógio.

    Construída em propriedade real e doada ao Concelho e situada junto a S. João de Alporão, esta estrutura é coroada por uma armação de barras de ferro para apoio das vasilhas de barro (cabaças) que lhe dão o nome, e que a memória popular considera significarem as "cabeças ocas" dos vereadores que decidiram erguer tão pouco apelativo maciço fortificado. Contudo, a sua aparente fealdade decorrerá, sobretudo, das sucessivas alterações a que foram sujeitas as muralhas e corpos adjacentes localizados na sua base, concedendo, no seu conjunto, uma determinada visão de desequilíbrio volumétrico.

    Apesar de alguma tradição historiográfica apontar o reinado de D. Manuel I para a sua primitiva fábrica, acredita-se que a relação constatada entre os vestígios de muralhas situados a norte e o facto de apresentar sinais de aparelhos diferentes acima da construção inicial serão indicadores da sua construção anterior. Tal facto não invalida, no entanto, que a Torre tenha sido sujeita a obras durante os reinados de D. Manuel ou de D. João III, sendo certo que as teve na época de Filipe II de Portugal (1604). 

    Basicamente, trata-se de uma Torre de Relógio quinhentista, de secção quadrangular, no cimo da qual, junto às oito ventanas – donde saem as goteiras ou gárgulas de tipo canhão -, encontrava-se outrora um relógio solar circular, datado de 1596. Para além disso, encontra-se rematada por uma estrutura metálica com oito púcaros de barro em forma de cabaça e que servem de caixa de ressonância ao sino do relógio. Entretanto, as inovações introduzidas pelo isocronismo do pêndulo só foram aplicadas durante os sécs. XVIII e XIX.

    A importância assumida pela sua funcionalidade junto da população local alcançou o seu apogeu quando, em 1896, uma Comissão Técnica nomeada pela Câmara propôs a sua demolição, o que originou uma vasta onda de indignação popular a favor da sua preservação. Opinião pública esta, que acabaria por conduzir à classificação deste imóvel como "Monumento Nacional" em 1928. 

    Desde as intervenções de conservação e restauro conduzidas pela DGEMN, entre os anos 30 e 50, que a Torre foi preparada para albergar um núcleo museológico – do Tempo. Este novo espaço contempla, simultaneamente, a sua conservação e refuncionalização.

    Texto: [AMartins] – IPPAR

    Outros Links:

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    Castelo de Alenquer – Lisboa

    Posted by mjfs em Março 29, 2009

    Castelo Alenquer  

    O castelo gótico de Alenquer organizava-se em dois recintos diferenciados: no nível superior, ajustando-se à topografia do terreno, localizava-se a alcáçova; no inferior, abrangendo uma área mais vasta, desenvolvia-se a cerca que protegia o primitivo aglomerado urbano.

    Sobre a configuração das anteriores fases da fortaleza nada sabemos, à excepção de alguns dados históricos que confirmam a sua existência. Assim, é de presumir que a primeira forma tenha sido dada pelos muçulmanos, que terão fortificado a povoação. Ela foi conquistada pelas forças cristãs em 1148, no mesmo processo militar que levou à tomada de Lisboa, Sintra, Almada e Palmela. Consta que D. Afonso Henriques ordenou uma campanha restauradora do conjunto, mas nenhum elemento material certifica a sua consumação.

    No troço de muralha voltado a Norte conservam-se duas torres quadrangulares avançadas em relação à cerca, numa solução que se aproxima das torres albarrãs islâmicas, embora sem se autonomizarem da muralha. Este facto pode indicar uma anterioridade deste sector da cerca mas, quer o aparelho construtivo, quer a forma de enrocamento da estrutura, não apresentam pontos de contacto com a arquitectura islâmica.

    Certo é que, nos primeiros anos do século XIII, o castelo era uma das mais importantes praças fortes da região imediatamente a Norte de Lisboa. D. Sancho I mandou construir um paço que doou a sua filha, D. Sancha. Esta, perante a recusa de seu irmão em reconhecer a doação, viu-se obrigada a refugiar-se no interior das muralhas, as quais foram imediatamente cercadas pelo futuro D. Afonso II. Neste processo de luta entre os irmãos desavindos, o Papa Inocêncio III interveio e cedeu o castelo à Ordem do Templo, prova da relevância militar da estrutura naquela conjuntura.

    A partir desse período, Alenquer passou a ser parte integrante do património das rainhas, sendo sucessivamente doada às soberanas do reino. As obras de edificação do conjunto que actualmente resta devem situar-se pelos inícios do século XIV, altura em que a Rainha Santa Isabel detinha a vila. Com efeito, os escassos vestígios materiais conservados indicam uma cronologia plenamente gótica. A planta da alcáçova é genericamente oval e não consta que integrasse torre de menagem isolada no pátio, mas sim adossada a uma das frentes de muralha. A cerca era corrida por adarve protegido por merlões quadrangulares e, perto do rio, aparentemente com funções defensivas sobre uma antiga fonte que abastecia a população, ergue-se a Torre da Couraça. Esta deverá ser de cronologia posterior à edificação do castelo e é uma imponente estrutura, de mais de 18 m de altura, bastante modificada nos séculos seguintes, tendo sido aproveitada para fins habitacionais privados.

    Residência real no final da Idade Média, o castelo foi parcialmente destruído em 1385, quando D. João I subiu ao trono e o alcaide de Alenquer havia jurado fidelidade à causa castelhana. A torre de menagem foi destruída e parte das muralhas seguiram o mesmo caminho. Só em 1439, continuando a localidade a pertencer ao património das rainhas, D. Leonor Teles ordenou levantar a cerca derrubada.

    No século XVI, o estado de abandono do castelo levou a que se entulhasse a cisterna e, a partir de 1580, abraçando novamente o seu alcaide o lado errado da História (neste caso o partido de D. António, prior do Crato), o castelo entrou em definitiva decadência, não voltando a ser reconstruído. Paulatinamente, passou a ser utilizado como pedreira e, no século XIX, foi a própria Autarquia a determinar a demolição de algumas parcelas.

    Em 1927, Hipólito Cabaço procedeu à limpeza parcial da cisterna e identificou espólio que permite situar a construção da fortaleza entre 1350 e 1385, lapso temporal que urge definir com maior clareza. Em 1940, a DGEMN demoliu a capela por cima da Porta de Nossa Senhora da Conceição e procedeu ao restauro de parte da muralha, mas o processo de restauro ficou inacabado, assim permanecendo até hoje.

    Texto:  PAF/IPPAR

    OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Castelo de Alenquer (Pesquisa de Património / IPPAR)
  • Castelo de Alenquer (pt.wikipedia)
  • Castelo de Alenquer (cm-alenquer)
  • Castelo de Alenquer (Guia da Cidade)

     

     

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    Fortaleza de Peniche – Leiria

    Posted by mjfs em Março 28, 2009

    Forte de Peniche - Foto Zelio 2

    Durante praticamente toda a Idade Média, e até ao início do século XV, o espaço que viria a constituir a povoação Peniche foi uma ilha, situada na foz do rio São Domingos, sendo então o povoado de Atouguia o mais importante aglomerado urbano da região. No entanto, a partir da centúria de Quatrocentos, foi-se dando o progressivo assoreamento do canal existente entre Peniche e a Atouguia, constituindo-se em 1438, por ordem de D. Duarte, o porto de Peniche .

    Com a evolução urbanística, populacional e económica do novo porto ao longo do século XV, a Coroa verificou que era necessário fortificar a povoação. Na realidade, foi somente com D. João III no poder que se iniciou o projecto de fazer um castelo, ou um baluarte, na península de Peniche.

    Embora a Coroa tivesse manifestado interesse em edificar uma fortificação em Peniche ainda na primeira metade do século XVI, o projecto de construção de um baluarte só avançou em 1557, sob a responsabilidade de D. Luís de Ataíde, conde de Atouguia, que estaria terminado em 1558, como indica uma inscrição colocada sobre a porta do designado baluarte Redondo.

    As obras seriam interrompidas com a partida de D. Luís de Ataíde para a Índia, onde desempenhou o cargo de vice-rei entre 1567 e 1572, e sabe-se que até à época da União Ibérica a obra da fortificação de Peniche não avançara muito para além da edificação de uma linha adjacente de muralhas. Em 1589 o arquitecto da Coroa Filippo Terzi deslocou-se a Peniche para dirigir a continuidade da construção da fortaleza, embora este projecto do arquitecto régio não tenha tido continuidade.

    Na verdade, a fortaleza só viria a ser concluída em meados do século XVII, em pleno período de Restauração, quando a Coroa portuguesa levou a cabo uma profunda remodelação do sistema defensivo da costa.

    Assim, cerca de 1642 iniciou-se uma obra de ampliação da fortificação, desconhecendo-se a autoria do projecto. Foi edificada uma grande fortaleza, de planta estrelada irregular, delimitada por uma cortina de muralhas com baluartes poligonais e uma segunda linha defensiva. Esta obra estaria concluída em 1645.

    Segundo Mariano Calado, Langres terá também projectado a linha de muralhas, que consignava ainda a execução de duas comportas junto dos baluartes (Idem, ibidem). No entanto, Rafael Moreira afirma que a edificação desta linha terá sido iniciada cerca de 1665, sob a orientação de Simão Mateus e Mateus do Couto . Os baluartes da linha de fortificação só seriam concluídos na primeira metade do século XVIII.

    No conjunto da fortaleza destaca-se ainda o antigo palácio do governador, destruído por um incêndio em 1837, que segundo as descrições da época teria uma fachada de gosto clássico erudito com dupla loggia, de acordo com os modelos explorados pelos tratados de arquitectura da época.

    A fortaleza continuaria a desempenhar um papel fundamental na defesa da costa atlântica ao longo das centúrias, destacando-se a sua importância durante as Invasões Francesas e as Guerras Liberais. Entre 1934 e 1974 o Forte de Peniche foi transformado em prisão de presos políticos do Estado Novo. No ano de 1984 a Câmara Municipal de Peniche transformou o espaço da fortaleza em Museu Municipal.

     

    Texto: C.O. / IPPAR

    NOTICAS:

    Fortaleza de Peniche vai ser transformada em pousada

    Público, 25.09.2008, Ana Rute Silva

    A Fortaleza de Peniche vai transformar-se numa Pousada de Portugal e deverá abrir portas até 2013. Com um investimento previsto de dez a 15 milhões de euros, a nova unidade deve, segundo António Correia, presidente da câmara, compatibilizar a função hoteleira com a “preservação da memória da prisão política”.

    “Esta pousada será diferente. O que a diferencia é que será construída num local que é visitado por milhares de pessoas à procura da memória do que ali se passou”, disse o autarca à Lusa…

    Mais Ligações:

     

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    Teatro Nacional de São Carlos – Lisboa

    Posted by mjfs em Março 27, 2009

     Teatro S. Carlos

    Implantado em pleno coração do centro histórico do Chiado, o Teatro Nacional de São Carlos é um edifício de planta longitudinal e com cobertura diferenciada. A fachada principal apresenta a varanda avançada sobre a arcaria formando um pórtico ao nível térreo, todo em silharia. O remate do edifício é feito pelo terceiro piso mais estreito que os inferiores e sobrepujado por dois pináculos e um brasão.

    Construído nos finais do século XVIII em apenas seis meses. É um exemplar da arquitectura civil pública, neoclássica, e recebeu algumas influências de inspiração italiana, designadamente do Teatro di San Carlo e do Teatro dela Scalla de Milão. Merece referir a participação de vários artistas nacionais e estrangeiros na decoração do interior do teatro, nomeadamente Cirilo Volkmark Machado, Appianni e Manuel da Costa.

    Fonte: Lifecooler

    Outros Links:

  • IPPAR
  • Monumentos
  • Teatro S. Carlos – pt.wikipedia
  • Teatro S. Carlos – Página Oficial
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    Forte de São João Baptista – Berlengas – Leiria

    Posted by mjfs em Março 25, 2009

     Forte das Berlengas - Foto AGonçalves

    O Forte de São João Baptista localizado na Ilha da Berlenga, foi mandado edificar em 1651, por ordem de D. João IV, e concluído em 1656.

    Construído com a finalidade de impedir a ocupação desta ilha por corsários norte-africanos ou por potências inimigas, viveu em Junho de 1666 o episódio bélico mais célebre da sua história. Nessa data, o Forte de São João Baptista foi sitiado por uma esquadra espanhola, composta por catorze naus e uma caravela, comandada por D. Diogo Ibarra. Defendida, à altura, por uma pequena guarnição, inferior a vinte homens, e contando com apenas nove peças de artilharia, esta fortificação liderada pelo cabo Avelar Pessoa, conseguiu resistir durante dois dias ao feroz bombardeamento inimigo, bem como provocar importantes baixas nas forças sitiantes, traduzidas em cerca de quinhentos mortos, uma nau afundada e duas outras fortemente danificadas, contra um morto e quatro feridos lusos. O esgotamento dos mantimentos e das munições, e a deserção de um dos soldados, que expôs a D. Diogo Ibarra a dramática situação da guarnição portuguesa, motivaram por fim a capitulação do Forte de São João Baptista.

    Monumento Nacional, o Forte funciona actualmente como casa-abrigo (gerida pela Associação dos Amigos das Berlengas), brindando os hóspedes com uma oportunidade única de repouso, tendo por companhia o silêncio, apenas quebrado pelo bater das ondas e o cantar das pardelas ao final da tarde.

    Texto: Site Visit Portugal

     

    Forte das Berlengas - Foto StaraBlazkova

    OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR)
  • Panorâmica do Forte de S. João Baptista
  • Forte de S. João Baptista (Guia da Cidade)
  • Forte de S. João Baptista (pt.wikipedia)
  • Posted in Arquitectura, Fortalezas, História, Imagens, Monumentos, Património, Portugal | Leave a Comment »

    Reduto de Monte Sintra ou Forte de Sacavém – Lisboa

    Posted by mjfs em Março 24, 2009

     Forte de Sacavem

    Localização

    Lisboa, Loures, Sacavém

    Acesso

    Rua do Forte Monte Cintra, EN 10, Largo da Estação

    Enquadramento

    Urbano, implantado no Monte Sintra, a uma altitude de 35 m, na margem direita do rio Trancão e a cerca de 800 m do rio Tejo, numa zona onde, ao nível da litologia prevalecem rochas predominantemente margosas, por vezes com intercalações detríticas, assumindo uma posição estratégica e dominante sobre a zona envolvente. Inserido no terreno de modo a formar uma unidade integrada, está parcialmente coberto de terra, revestida a vegetação rasteira e, a E., por canavial, o que dificulta a sua percepção do exterior. No exterior do reduto, em parte da antiga esplanada, junto ao portão de acesso existe parque de estacionamento, cuja estrada é ladeada por duas guaritas de betão. A área envolvente é constituída pela zona residencial recente do Real Forte, enquadrada por diversos espaços verdes, a Fábrica de Louça de Sacavém (antiga) / Museu de Cerâmica Sacavém (v. PT031107120140) e, mais afastado, por pequenas e médias indústrias, como a fábrica de Tintas Dyrup e a Lever, e ainda o estádio de futebol do "Sacavenense" a S.. O talude a E. é delimitado por muro de suporte de terras junto à R. Domingos José de Morais, paralela ao rio, erguendo-se frontalmente a estação de caminho de ferro de Sacavém, paralela à qual existe uma nova estrada de acesso, e o parque do Trancão, junto às margens direita deste rio e do Tejo, área resultante da intervenção da Expo 98. A N. corre o rio Trancão, sobre o qual existe a ponte sifão do Alviela, que abastece de água a cidade de Lisboa, e a O. a EN. 10, que confina com a zona mais antiga de Sacavém e com o antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Mártires, actual Quartel, Comando e Estado Maior do Batalhão de Adidos (v. PT031107120007). No interior do reduto é observável variada avifauna, alguma nidificante, com destaque para o Rabiruivo (Phoenicurus ochrurus), o Verdilhão (Cardueleis chloris), o Pintassilgo (Carduelis carduelis), o Chapim-real (Parus major), a Toutinegra-de-barrete (Sylvia atricapilla), o Pisco-de-peito-ruivo (Eritachus rubecula), a Alvéola-branca (Motacilla alba), a Alvéola-amarela (Motacilla flava) e várias Felosas frequentadoras dos canaviais, entre ela a Fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis); ocasionalmente a Poupa (Upupa Epops), o Periquito-rabijunco (Psittacula krameri) e o Penereiro (Falco tinnunculus) e mais raramente o Falcão peregrino (Falco peregrinus). A zona envolvente, em particular junto às margens do Trancão e ao estuário do Tejo, constitui local privilegiado para a observação de aves aquáticas abundando o Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo),a Graça-real (Ardea cinerea), a Garça-vermelha (Ardea purpurea), o Flamingo (Phoenicopterus roseus), o Perna-vermelha (Tringa totanus), o Alfaiate (Recurvirostra avosetta), o Guincho (Larus ridibundus) a Marrequinha (Anas crecca) e o Borrelho-grande-decoleira (Charadrius hiaticula); observáveis ainda o Pernilongo (Himantopus himantopus), o Milherango (Limosa limosa), o Fuselo (Limosa lapponica), o Maçarico-das-Rochas (Actitis hypolleucos) e a Tarambola-cinzenta (Pluvialis-squatarola).

    Descrição

    Planta pentagonal irregular, composta por face comprida, voltada a NE., o principal eixo de aproximação, dois flancos de menor dimensão e na linha média da gola por uma caponnière, voltada à retaguarda, com duas faces de ângulo obtuso, coberto por reparo, parcialmente em aterro, rodeado por fosso, com escarpa de terra e contra escarpa revestida a alvenaria de pedra rebocada e pintada, suportando as terras da esplanada, de acentuada pendente para o exterior, e cobrindo a NE. corpo trapezoidal irregular com duas alas poligonais, formando duas massas de terra de níveis sobrepostos que, à distância, dão a ilusão de um pequeno outeiro. Entrada na retaguarda do reduto, a O., por portal em arco de volta perfeita de aduelas rusticadas, de diferentes dimensões, com porta de ferro, reforçada e à prova de tiros de bala, com brasão nacional na bandeira; é precedida por ponte de betão sobre o fosso, apoiada em pilar rectangular central e pegão encontro, com cunhais de cantaria, pavimentada a paralelos de granito, com passeios laterais em calçada à portuguesa e guarda em corrente de ferro. Na face da escarpa, o portal é ladeado, de cada lado, pelas antigas casas da guarda, com fachada rebocada e pintada a ocre, rasgada por cinco frestas de tiro, molduradas e envidraçadas, surgindo ainda, à esquerda, na escarpa, escada de acesso ao fosso. Transposto o portal, existe de cada lado, vão de verga abatida e moldura contracurvada para a antiga casa da guarda, e túnel de acesso, de secção bastante mais baixa que o portal e formando duplo cotovelo, de ângulos obtusos, com paredes rebocadas e pintadas a ocre, pavimentado a paralelos graníticos e cobertura em falsa abóbada de berço abatido; sensivelmente a meio, à esquerda, possui portal para pequeno compartimento onde estava instalado o guincho de manobra da antiga ponte levadiça. Terrapleno interior, pavimentado a calçada à portuguesa, articulando o edifício central, disposto a NE., junto ao qual corre passeio em calçada decorada com motivos geométricos, com a caponnière, a NO., e o acesso ao reparo, às várias casernas sob o mesmo e ao segundo piso do edifício central através de duas rampas. EDIFÍCIO CENTRAL com o piso térreo de planta trapezoidal, parcialmente enterrado, e o segundo rectangular, com cobertura homogénea em telhados de duas águas, tendo, adossado a NE., corpo rectangular, coberto por terraço. Possui fachadas de um e dois pisos, conforme o declive, rebocadas e pintadas a ocre, terminadas em cornija e platibanda plena, rematada em cornija que, nas fachadas laterais, forma pequena empena central. Fachada principal virada a SO., de dois pisos separados por friso, pintado de branco, percorrida por embasamento de cantaria e rasgada regularmente; no primeiro piso abrem-se oito portais em arco de volta perfeita, com moldura de cantaria e chave saliente e, junto aos topos, duas janelas de peitoril com o mesmo perfil; no segundo piso, igual número de janelas, de verga abatida e moldura de alvenaria pintada de branco. Fachadas laterais com o segundo piso cego e a posterior, rasgada por dois módulos de quatro janelas de verga abatida centradas por portal de verga recta e moldura simples. INTERIOR com piso térreo de compartimentos acasamatados, dispostos paralelamente, os frontais correspondendo actualmente a salas com vários serviços públicos, como arquivo e biblioteca, bar, copa, sala de exposições e auditório, e os posteriores com instalações sanitárias e de apoio aos utentes, de acesso restrito. Apresentam paredes rebocadas e pintadas de branco e tectos em placa, com vigas de carril em I e material de enchimento; os espaços públicos, são pavimentados a soalho de madeira, comunicam entre si por vãos de verga recta, moldurados por viga e com portas envidraçadas e têm, a meio, pilar com chanfro, de suporte da placa; os espaços de apoio apresentam pavimento em betonilha pigmentada e portais de verga abatida e moldura contracurvada em tijolo, rebocada e pintada, e portas em ferro; ambas as zonas têm rodapés metálicos. Posteriormente e adossado à fachada, desenvolve-se corredor de distribuição, com cobertura em falsa abóbada de berço, contornando, nos terços iniciais, dois paióis gerais, quadrados, e, no terço central, em ressalto, dois paióis rectangulares, os antigos paióis de munições de infantaria, paralelo ao qual se desenvolve, na face interna, um outro corredor, com ligação ao anterior, protegida por portas de ferro; neste corredor intermédio existiam, nos extremos, os elevadores de comunicação entre os paióis gerais e os paióis de distribuição, actualmente entaipados. Todos os paióis possuem duplas portas de acesso e frestas de tiro para os corredores, permitindo a sua iluminação, conservando o sistema de ventilação; os antigos paióis gerais, têm pilar quadrangular central, conservando, o do N., forro integral de madeira, prateleiras para as munições e moldura da porta em tijolo à vista e interiormente de madeira, tal como o capialço das frestas de tiro. Nos extremos laterais do piso térreo, a N. e a E. do edifício, desenvolvem-se dois corredores, acedidos pelos portais extremos da fachada principal, com portões de ferro, existindo junto ao da esquerda instalações sanitárias (anteriormente dos oficiais e sargentos), permitindo a comunicação do terrapleno interior com os dois cofres sob a esplanada a NE., interligando-se com o corredor paralelo à fachada e tendo na metade inicial escadas e na posterior rampa. A meio do edifício e, a partir do corredor paralelo intermédio, desenvolve-se um outro, transversal, terminado na poterna de acesso ao fosso, onde existe cais, com escada de dois patamares. O segundo piso, com guarda-vento de vidro na porta principal, encontra-se seccionado em vários gabinetes de trabalho por divisórias envidraçadas, com estores, e em tabique, possuindo corredor de distribuição a NE.; no corpo adossado, os antigos balneários, surgem as actuais instalações sanitárias, tendo nas paredes placas de mármore reaproveitadas e azulejos monocromos, e uma sala de estar, com ampla janela para o exterior. A SO. do terrapleno interior, surge a CAPONNIÈRE ladeada por duas galerias de escarpa, antigos quartéis, apresentando as fachadas viradas ao fosso rebocadas e pintadas de ocre, terminadas em cornija, rasgadas por frestas de tiro, molduradas, nas galerias e nas faces da caponnière e por porta de verga recta de acesso ao fosso. É acedida por uma poterna no terrapleno interior, em arco abatido, com portão de ferro envidraçado, encimada por cornija e pala de ferro, ladeada, à direita, por instalações sanitárias (anteriormente dos soldados), sob o reparo, e apresentando para a escarpa interior 3 frestas de tiro, com molduras superiormente avançadas, pintadas a ocre. Da poterna parte corredor inclinado, com pavimento e rodapé em chapa metálica e cobertura em falsa abóbada de berço, apresentando, a meio, ventilador e, ao fundo, portas para o interior, de verga abatida. No INTERIOR, a caponnière tem duas alas longitudinais, separadas por quatro amplos arcos abatidos sobre largos pilares com cunhais e rodapé de cantaria, e as galerias ou quartéis da escarpa possuem igualmente duas alas, mas paralelas à escarpa, com seis pilares quadrados de cantaria, de capitel bastante saliente, alguns com reforço de ferro. Apresentam as paredes pintadas a branco, pavimento em betonilha pigmentada e tecto em placa com vigas em I; a porta da caponnière para o fosso tem guarda-vento em vidro. COFRES – ARQUIVO II: planta composta por corpo trapezoidal irregular, moderno, e por duas alas poligonais, correspondentes aos antigos cofres, articulados por saguões de iluminação e ventilação. Fachada principal correspondendo à contra escarpa do fosso, revestida a alvenaria de pedra rebocada e pintada de ocre, rasgada, no corpo central, por três portas de verga recta, e, nas alas laterais, por módulos de quatro / cinco frestas de tiro, molduradas, centrados por portas rectilíneas. INTERIOR com paredes de alvenaria rebocada ou de betão e tectos de lajes ou também de betão, pintadas de branco, e pavimentos em betonilha pigmentada. No piso térreo a articulação entre as zonas antigas, de espaço amplo com câmaras intermédias poligonais, e a recente, seccionada por divisórias envidraçadas, é feita através de saguões, de paredes envidraçadas, cobertos por grelha metálica. No sub-piso, não existe esta articulação e as alas poligonais ou os cofres, a esquerda com um espaço amplo e a direita com três, igualmente com câmaras intermédias poligonais, comunicam com o edifício central por túneis; a ligação entre os dois pisos dos cofres é feita por escadas, na ala esquerda com guarda plena, e na oposta, de lanços convergentes e vão inferior, com guarda de ferro.

    Descrição Complementar

    As rampas de acesso ao reparo e ao segundo piso do edifício principal, uma de cada lado, paralelas ao parapeito, têm no arranque plintos paralelepipédicos, capeados a cantaria e encimados por pelouro, pintado de vermelho; pavimentadas a paralelos de granito, são delimitadas na face virada a NE. por muro, tendo superiormente linha de lírios brancos e o talude sobre o muro de suporte, virado ao terrapleno interior, revestido a crássula, planta de folha carnuda de cor rosa carmim. Numa das rampas conservou-se chafariz, de espaldar rectangular, revestido a cantaria e com bacia rectangular, rente ao pavimento. Junto à fachada posterior do edifício central, dispõem-se dois Traveses, os antigos paióis de distribuição, de planta rectangular e corredor posterior, com fachadas rebocadas e pintadas de ocre, rasgadas a SO. por portal de verga recta, moldurada, ladeado por fresta, o disposto a N., ou por janela de verga abatida, o a S., este último com janela rectangular jacente na fachada lateral direita; no interior, têm três divisões, o a E., conservando o vão do elevador de comunicação com os paióis gerais do piso térreo; possuem paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em betonilha pigmentada e tectos em placa com vigas e material de enchimento. No flanco esquerdo, sob o reparo e o parapeito, conservam-se dois paióis de bateria, um deles com vários compartimentos, e outro com apenas dois, com porta de verga recta ladeada por fresta de tiro, separados por um corredor de acesso. Em frente, no reparo, desenvolve-se o chamado Jardim da Palmeira, com miradouro, pérgola, revestida a trepadeira de jasmim, com zona de estadia contígua sob a mesma, e canteiros com revestimento em estrutura linear de espécies aromáticas, em faixas de espécies e tons distintos de verdes/cinzentos de variedades de alfazema. Ao centro, surge palmeira, envolvida por conversadeira e canteiro de herbáceas aromáticas e de cor. Delimitando o jardim a O., existe na gola través, com dois compartimentos separados por corredor. No flanco direito há um outro través, semelhante, com dois compartimentos separados por corredor acedido por escadas. Na proximidade, fica o chamado Jardim dos Citrinos, igualmente equipado como zona de estadia, com banco corrido revestido a sulipas de madeira e canteiro de hortênsias adossado ao muro. Do lado oposto ao través, fica o Edifício de Apoio Logístico de planta rectangular e volume simples, com cobertura a chapa de zinco, de uma água. Fachadas rebocadas e pintadas a cinzento escuro, a principal de três panos, tendo os laterais revestidos a chapa de zinco, e o central, mais recuado, com porta de verga recta disposta lateralmente. A fachada lateral esquerda é rasgada por ampla janela rectangular e porta, de ligação a terraço sobrelevado criado no terrapleno, e a oposta por duas amplas janelas, com persinas exteriores; a fachada posterior é cega. No interior, possui paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em soalho de madeira e tectos falsos, organizando-se espacialmente em quatro salas e instalações sanitárias. Parapeito em alvenaria rebocada e pintada de ocre, possuindo banqueta para infantaria. Áreas de talude, de declive acentuado, e pendentes de 45º, revestidas a manta de empalhamento com mistura de prado de sequeiro; as frentes taludadas do aterro central, também revestidas a prado de sequeiro, têm 10 a 12m de desnível e pendente acentuada. Fosso pavimentado a saibro compactado, com capacidade para trânsito de transportes de carga de arquivos e recursos afins, delimitado num dos lados por sulipas, com contra escarpa revestida e pintada de ocre. A S. do fosso, desenvolve-se o Jardim do Fosso, servindo de "deambulatório" para passeio na base do reduto, sendo mais largo do lado S.; entre a caponnière e a galeria direita da gola, surge canteiro revestido a mistura de relvado regado, formando tapete verde que contrasta com muros periféricos e os taludes. Um pouco mais a S., junto à contra escarpa fica o Jardim da Gravata, com três zonas distintas: a zona da Vala, revestida a lírios e estruturada em função do passeio dos salgueiros-brancos, também com freixos; área dos canteiros: com herbáceas de revestimento em mosaico largo, composto por cinco espécies; e o pomar.

    Utilização Inicial

    Militar: reduto

    Utilização Actual

    Cultural: Departamento de Informação, Biblioteca e Arquivos (Horário da Biblioteca e Arquivo do Sistema de Informação do Património Arquitectónico: 2ª à 5ª feira, das 13:00 às 16:30)

    Propriedade

    Pública: estatal

    Afectação

    IHRU, auto de reafectação de 14 de Março de 2005

    Época Construção

    Séc. 19 / 20

    Cronologia

    1833, 12 Agosto – quando o exército de D. Miguel se encontrava próximo de Lisboa, o exército constitucional ordenou a construção de uma linha de defesa, constituída por uma série de obras de fortificação em torno da cidade, projectada por José Feliciano da Silva Costa e construída por 72.000$000 rs, durante um mês *1; 1852 – elaboração de Memória pelo general de engenharia José Feliciano da Silva Costa, ao comando do exército, expondo o abandono da organização defensiva do país e referindo a necessidade de fortificar a capital e o emprego de campos entrincheirados para a defesa das cidades; 1857, 2 Março – decreto do Ministro da Guerra, o Marquês Sá da Bandeira, nomeando a 1ª Comissão, presidida pelo general Silva Costa, para estudar a defesa de Lisboa e Porto; 1859, 3 Maio – nomeação da 2ª Comissão para estudo da defesa do país, presidida pelo Duque de Saldanha, o qual refere que a mesma estava em pior situação que em 1807; esta Comissão nomeou três brigadas de oficiais de engenharia para procederem ao estudo dos terrenos dos arredores de Lisboa: à 1ª competia-lhe estudar a defesa afastada de Lisboa, que apoiava o seu flanco direito junto à foz do rio de Sacavém, seguindo por Unhos e Boavista, Ameixoeira e Lumiar, Queluz, Barcarena, São Miguel e Porto Salvo, e apoiando o flanco esquerdo na Praça de São Julião; à 2ª brigada competia-lhe estudar a defesa próxima da cidade, tendo como posição central Monsanto e como suplemento as linhas de 1833 restauradas; à 3ª brigada competia o estudo da margem esquerda do Tejo, reaproveitando a linha de fortes destacados construídos durante a Guerra Peninsular, ligando Raposeira a Cacilhas, passando pela Senhora do Monte e Pragal, pensando-se reconstruir como último refúgio o forte de Almada; 1860, Dezembro – Sá da Bandeira é nomeado mais uma vez Ministro da Guerra; 1861, 12 Janeiro – governo autoriza a fortificação da cidade de Lisboa e Porto; o Marquês Sá da Bandeira considerava que qualquer plano defensivo de Lisboa deveria ter sempre como ponto de partida a linha de 1833, a qual deveria ser melhorada e integralmente aproveitada; 11 Setembro – lei autorizando a fortificação de Lisboa e Porto e disponibilizando o orçamento de 400.000$000 rs anuais; 17 Setembro – aditamento da lei declarando de utilidade pública as expropriações que se tivessem de fazer para as obras; 1863, 30 Dezembro – início dos trabalhos de terraplanagem e construção da fortificação da Serra de Monsanto; 1865, 8 Maio – nomeação de uma comissão para estudar a defesa do porto de Lisboa; interrupção das obras em Monsanto por falta de verba; 1866 – nomeada nova Comissão, presidida pelo Marquês Sá da Bandeira, sendo incumbida de proceder ao exame dos trabalhos já realizados e, tomando por base a linha de fortificações erigidas em 1833 e a linha de redutos já projectada em frente dela, propor um plano de fortificações para a defesa da capital; 1870 – Sá da Bandeira ainda defendia o aproveitamento das linhas de 1833; 1872 – início dos estudos para a construção do Reduto de Monte Sintra, sob a direcção do General Marquês Sá da Bandeira; 1873, 20 Março – nomeação de Sá da Bandeira como Director-Geral das Fortificações do Reino; 1874, Maio – Comissão nomeada nesta altura, elabora relatório onde menciona o sistema adoptado para o recinto de segurança Sacavém – Caxias; 1875, 30 Março – aquisição de propriedade, de 19.549 m2 com 160 oliveiras, aos Viscondes de Ouguela, por 2.139$940, para a construção de parte da obra projectada; 14 Junho – escritura de compra de terreno argiloso com 30.902 m2, utilizado na cultura de pão e olival, pertencente à quinta de D. Manuel Carcomo Lobo, através da Comissão de Estradas de Defesa de Lisboa, por 2 000$000 réis; o terreno confrontava a N. com Sacavém de Baixo, a E. com a estrada de Sacavém de Baixo à estação do Caminho de Ferro, a S. com a linha férrea e a O. com a Quinta do Aranha e Estrada Real; 17 Agosto – inicio da construção do reduto de Sacavém com projecto de Sanches de Castro; tinha por objectivo interditar o estabelecimento do inimigo nas alturas do outro lado do rio, reforçar o efeito de obstáculo impedindo a sua transposição e bater as linhas de comunicação que davam acesso a Lisboa (estrada real e a linha de caminho-de-ferro); 1876 – após a morte do marquês Sá da Bandeira, é nomeado chefe da Comissão da defesa de Lisboa o engenheiro Sanches de Castro, o qual levou a cabo grande parte dos projectos realizados, mas abandonou definitivamente a ideia de reaproveitamento das Linhas de 1833 *2; 1879 – aquisição de um outro terreno em Monte Sintra, com cerca de 11.175 m2, para a construção de uma estrada de serventia; 1883 – início dos trabalhos do entrincheiramento e estrada militar do recinto de segurança do sector N.; 1886 – o recinto de segurança seria constituído por uma linha de nove fortes permanentes, ligados entre si por uma estrada militar, protegida ao longo do seu percurso por parapeitos de tiro para infantaria e posições para artilharia, permitindo boas ligações entre os fortes e o seu reabastecimento a coberto do fogo inimigo; 1890 – conclusão da estrada militar Sacavém – Caxias; 1891 – data de um parecer para se usar uma das carroças existentes na Praça de Monsanto para transportar água para o reduto de Monte Sintra ou para o Alto do Duque, visto que estes não tinham carroças para tal e elas não existirem à venda no mercado; 1892, 17 Novembro – comunica-se ao chefe da 3ª Repartição do Comando Geral de Engenharia que o reduto de Monte Sintra estava concluído; 1893, 27 Março – decreto extinguindo a Comissão de Defesa de Lisboa e de seu porto; 30 Agosto – auto de entrega do reduto de Monte Sintra ao comandante da Praça de Monsanto; instalação de um sistema de pára-raios; 1899, 7 Setembro – decreto criando oficialmente o campo Entrincheirado de Lisboa classificando-o de fortificação de 1ª classe; 1901 – Diário do Governo define os limites do Campo Entrincheirado de Lisboa, considerando um sector a N., onde se incluía o Monte Sintra, e outro a S. do Tejo; como guarnição, aqui estavam destacados elementos do Regimento de Artilharia 5; após a extinção desta guarnição, foi substituída pela Artilharia de Guarnição nº 1; 1902 – conclusão da estrada militar ligando o Forte de Caxias ou de D. Dinis ao reduto de Monte Sintra; 1905, 1 Maio – tendo-se considerado de utilidade pública a expropriação de um barracão situado no Rocio de Sacavém, conhecido como Lg. da Feira, para melhorar o acesso ao Quartel da bateria de artilharia, o Ministério da Guerra procedeu à sua aquisição aos proprietários, Francisco Moutinho dos Santos e mulher, por 70$000 rs, através do Governo do Campo Entrincheirado de Lisboa; 1912 – detenção de 584 grevistas em Lisboa e respectivo envio para os fortes de Sacavém, Monsanto, Alto do Duque e Quartel do Carmo; 1915, 3 Novembro – licença do ex-Ministério da Guerra à firma Gilman & Comandita, proprietária da Fábrica de Loiça de Sacavém, para abrir porta no muro da fábrica de modo a passarem as carroças pela Estrada Militar, obrigando-se à conservação do troço entre a fábrica e a estação; 1927, Agosto – a Junta de Freguesia de Sacavém solicitou ao Ministério da Guerra a compra da parcela de terreno nº 74, na primeira zona interior de servidão, para construir uma escola primária, o que foi indeferido; 1933 – Elias da Costa denuncia a falta de eficácia do campo Entrincheirado de Lisboa; 1935, Fevereiro – estava alojada no forte o destacamento de infantaria de apoio GAP nº 1 e 200 recrutas que a unidade incorporava anualmente, tendo depositados nos seus paióis munições de artilharia, infantaria, bombas de aviação, etc; dispunha também de uma carreira de tiro reduzida com alvos móveis; 1939, 10 Maio – data de documento referindo o término das obras de adaptação do reduto a depósito de munições de infantaria; nessas obras construiu-se o segundo piso do edifício central, procedeu-se à abertura do portão no fosso, junto à caponnière, para a entrada de camiões de munições, de uma porta nas traseiras do edifício central, para a descarga desses camiões e posterior armazenamento nos paióis, e de uma outra porta na fachada dos cofres para o fosso; 12 Julho – auto de entrega do Reduto e estrada militar e serventia à Direcção da Arma de Artilharia, representada pelo Tenente Joaquim Coelho da Costa, em virtude do determinado pelo Ministério de Guerra, ficando as chaves do Reduto e das suas dependências entregues ao Tenente de Infantaria Ernesto António dos Santos; o reduto encontrava-se então em regular estado de conservação, necessitando apenas de pequenas reparações em portas e caixilhos, no portão da estrada de serventia junto à estação ferroviária; a ponte de acesso não funcionava já por muitos anos por ser desnecessária; as 13 casamatas, que ultimamente tinham sido adaptadas a depósitos de munições, encontravam-se desocupadas, estando apenas parte do reduto destinada a alojamento de tropas ocupada pela força de infantaria que assegurava a guarda e segurança do reduto; na parte ocupada pelo Destacamento de Infantaria, encontravam-se armazenadas as munições a cargo do Grupo de Artilharia Pesada nº 1, bem como outro material de guerra destinado à aviação e ao Depósito Geral de Material de Guerra – Armazéns de Beirolas; 31 Agosto – determina-se a entrega imediata do Forte de Sacavém ao Depósito Geral de Material de Guerra, o qual ficaria exclusivamente destinado a paiol de Guerra; 1940, 31 Dezembro – avaliado em 2.000.000$00; o reduto compunha-se dos seguintes edifícios: um edifício central com pavimento e 35 divisões; um segundo na gola, com um pavimento e 5 divisões; um terceiro na contraescarpa a N. com um pavimento e 5 divisões; um quarto na contraescarpa a E. com dois pavimentos, um enterrado e outro ao nível do fosso, tendo cada um deles 5 divisões; no total, tinha a área coberta de 3.800 m2 e descoberta 60.776 m2; 1946 – construção de abrigo para o guarda junto ao portão da estrada de serventia, entre o muro extremo do terreno e a estação ferroviária; 1949 – construção de uma ponte em pedra, substituindo a ponte levadiça original, há muito tempo em desuso; 1953 – construção do edifício da messe no reparo a E.; 1954, 11 Setembro – autorização para a construção de um marco fontanário pela Câmara junto à muralha do forte e na proximidade da estação; 1957- arrendamento de uma parcela de terreno da esplanada com 780 m2, à empresa Estabelecimentos Manuel da Silva Torrado e Comp.ª (Irmãos) SA; 1964 – desprendimento de terras, fazendo o talude inclinar para o exterior num troço; 1965, 15 Janeiro – Decreto-Lei nº 46002 extinguindo o recinto de segurança Sacavém-Caxias, continuando, porém, no domínio público do Estado, como via de comunicação de uso geral, o caminho coberto ou estrada que, correndo ao longo do recinto, o servia; a extinção do recinto de segurança não abrangia os paióis de Monte Sintra, Mocho, Grafanil, Ameixoeira e Vale Forno e os quartéis denominados de Sacavém e da Pontinha *3; 1970, 7 Maio – Henrique Rodrigues dos Santos propõe ao Ministério do Exército a aquisição de terreno para construir os novos paióis, conforme o Exército pretendia, em permuta com o terreno e forte de Monte Sintra, o que não foi autorizado; 1971 – construção de um bloco de seis moradias para funcionários do forte e suas famílias na cerca do forte, em substituição das barracas de madeira; 9 Março – Ministro do Exército homologou o parecer de CSF no sentido de não alienar o prédio militar; 1972, 22 Março – portaria do Governo, através da Secretaria de Estado do Tesouro, cedendo a título definitivo e gratuito uma faixa de terreno com 398,8 m2, à empresa Sociedades Reunidas Reis, SARL, mediante a obrigação desta repor as condições de estabilidade do talude do reduto; 1977, 15 Novembro – Auto de Devolução e Cessão Simultâneas, em que o ex-Ministério do Exército devolvia a parcela anteriormente referida ao Ministério das Finanças, para cessão àquela empresa, que concordou com as condições; 1978, Outubro – relatório indicava a necessidade de reparação; 1987, 26 Novembro – contrato de arrendamento à empresa Estabelecimentos Manuel da Silva Torrado e Compª. (Irmãos), S.A., de uma parcela de terreno da esplanada do Forte, com a área de 780 m2, empresa que já era arrendatária da mesma parcela desde 1957; 1997, 2 Julho – cedência temporária da estrada do forte à EXPO98, pelo prazo de 6 meses; 25 Novembro – Dec. Lei nº 318/97 autorizando a alienação em regime de hasta pública, ou em regime de cessão a título definitivo e oneroso a pessoas colectivas de direito público ou a instituições particulares de interesse público do imóvel PM4/Loures, designado por Forte de Sacavém ou Reduto do Monte Sintra; 1998 – o forte ainda tinha uma pequena força militar; 22 Abril – Despacho Conjunto nº 298/98, publicado no Diário da República nº 94, reafectando ao Ministério do Equipamento, do Planeamento e da Administração do Território (MEPAT), para utilização pela DGEMN, do PM4/Loures, designado "Forte de Sacavém / Reduto do Monte Sintra" – parte intramuros com área global de 20.153 m2 (e cuja área foi posteriormente alterada), confrontada a N., S., E. e O. com a zona extramuros pertencentes ao mesmo prédio militar, mediante uma compensação financeira de 340.000.000$00; 20 Agosto – Despacho Conjunto nº 708/98 autorizando a cessão da parte extramuros à CML, não referindo a área; 12 Outubro – Despacho conjunto nº 708/98, publicado no Diário da República nº 235, com a cessão definitiva e onerosa da parte extramuros do prédio militar à Câmara Municipal de Loures, por 260.000 contos; 18 Setembro – Despacho do General Governador Militar de Lisboa entregando ao Batalhão de Adidos as instalações do PM4/Loures; 9 Dezembro – auto de mudança de utente do forte, para entrega à DGEMN da parte intra-muros e à CML da parcela adjacente, sendo a DGEMN autorizada a iniciar obras de adaptação para instalação dos Serviços de Inventário do Património Arquitectónico (SIPA) e dos seus arquivos; elaboração de estudo do imóvel e levantamento dos materiais, técnicas construtivas e patologias e de um programa, através do qual foram definidas as exigências funcionais (articulação e hierarquia de espaços) e respectivos requisitos espaciais e ambientais; imperativos de natureza técnico-arquivística, administrativa e financeira aconselharam o escalonamento da intervenção em três fases, cada uma delas correspondendo aos três núcleos originalmente construídos, sendo o projecto de adaptação da autoria da Arq. Luísa Cortesão; 1999, 29 Abril – auto de cessão a título definitivo; instalação dos Serviços de Arquivo, correspondente à primeira fase das obras de adaptação; 2001, Março – instalação dos Serviços de Inventário após a conclusão da 2ª fase das obras; 2005, 14 Março – auto de Devolução e Reafectação do Forte de Sacavém / Reduto de Monte de Sintra à DGEMN; 2007, Junho – inauguração do edifício de Arquivo II.

    Tipologia

    Arquitectura militar, oitocentista. Reduto de planta pentagonal irregular, composta por face comprida, dois flancos menores e gola, tendo na linha média uma caponnière, voltada à retaguarda, coberto por reparo, rodeado por fosso, com contra escarpa em alvenaria de pedra, e com esplanada, de acentuada pendente para o exterior, cobrindo frontalmente corpo trapezoidal irregular, formando duas massas de terra sobrepostas, criando a ilusão de um pequeno outeiro. Segue a tipologia das fortificações voltadas para o interior do recinto, fazendo do terrapleno interior o centro de todas as actividades desenvolvidas no reduto e pelo qual se articulavam os três principais núcleos construtivos. Portal principal rasgado na gola, precedido inicialmente por ponte levadiça, flanqueado por casa da guarda, rasgada por frestas de tiro, a partir do qual se desenvolve túnel de perfil curvo de acesso ao terrapleno interior. À esquerda deste surge o edifício central com piso térreo trapezoidal, parcialmente enterrado, e o segundo rectangular, com fachadas de um e dois pisos, terminadas em platibanda, a fachada principal rasgada regularmente, no primeiro piso por portais e duas janelas em arco de volta perfeita, e, no segundo, por janelas de verga abatida, de diferentes molduradas. No interior possui, no piso térreo, compartimentos acasamatados, dispostos paralelamente, os frontais virados ao terrapleno interior, com pilares centrais, e os posteriores integrando vários paióis, circundados por corredores de distribuição, em falsa abóbada de berço, com elevadores de comunicação e, nos extremos laterais do edifício, dois outros corredores transversais que comunicam com o edifício sob a esplanada. À direita do terrapleno interior existe poterna para a caponnière, ladeado por quartéis da gola, com fachadas viradas ao fosso rasgadas por portas de verga recta e frestas de tiro. Os cofres sob a esplanada, de dois pisos, possuem igualmente portas de verga recta e frestas de tiro. O projecto do reduto baseia-se no traçado dos fortes que na época eram construídos na Europa, em que todas as instalações do pessoal, material e galerias de comunicação têm cobertura de "beton", ou seja, vigas de aço de carris de caminho de ferro interligadas com material de enchimento, composto por pedra miúda, areia e cal gorda, cobertas por espessas massas de terra, que absorviam o impacto dos projécteis de artilharia e o mantinham imperceptível do exterior. Jardim contemporâneo, com características mediterrânicas e prevalência de espécies vegetais endémicas e materiais adaptados às condições edafoclimáticas do local.

    Características Particulares

    Reduto dissimulado na paisagem, dadas as estruturas construídas se inserirem em taludes, e considerado fundamental para a defesa de Lisboa, devido à implantação privilegiada, dominando uma das principais entradas da capital, a ponte sobre o rio Trancão e o próprio rio, parte do rio Tejo e o caminho-de-ferro. Constitui um dos exemplares mais valiosos e característicos do sistema defensivo terrestre conhecido pelo Recinto de Segurança Sacavém-Caxias e uma das fortificações da 1ª linha do Campo Entrincheirado que acabou por ser construído, juntamente com o Reduto de Monsanto, o Forte da Ameixoeira e o de Caxias. Destaca-se ainda pelo facto das obras recentes de reconversão funcional terem procurado respeitar a sua tipologia e características construtivas, tendo-se, por exemplo, mantido o antigo sistema de ventilação e arejamento dos paióis e casamatas, o forro de madeira e prateleiras para o armamento num dos paióis, as comunicações por túnel, grande parte das construções isoladas sob os taludes, etc.. A planimetria adoptada deve-se à preferência pelos fogos frontais relativamente aos flanqueantes, virando-se a face maior ao principal eixo de aproximação, vocacionada principalmente para tiro de artilharia, os flancos menores também preparadas para a artilharia, fazendo-se tiro do flanco esquerdo com peças de longo alcance para bater os intervalos entre os redutos, e do direito sobre o rio Tejo e a margem direita, enquanto a gola com a caponnière era apropriada para a defesa da retaguarda com tiro de infantaria. O reduto era constituído por um reparo parcialmente em aterro e a esplanada regularizada com as terras da escavação do terrapleno interior. Apresenta portal de maiores dimensões do que o túnel de acesso ao terrapleno interior, impedindo a entrada de carros e criando a ilusão ao atacante de uma facilidade de entrada que não existia, e o túnel com perfil em duplo cotovelo, impedia o ataque directo ao terrapleno interior a partir do exterior. Inicialmente, o portal era servido por ponte levadiça, levantada por guincho, a partir de um compartimento acasamatado ao abrigo de bombardeamentos. Inicialmente, o fosso só tinha acesso a partir da contra escarpa, junto ao portal de acesso ao reduto, datando o portal existente a SO. da 1ª metade do séc. 20. O edifício central era constituído apenas pelo piso térreo, tendo o segundo sido construído em 1939, aquando da adaptação do reduto a depósito de munições de infantaria; no vestíbulo do andar superior conservaram-se, nas obras recentes, dois armários para colocação das armas e munições individuais, em ferro, elementos que existiam ao logo das camaratas. A caponnière e quartéis da gola possuem interiormente vários pilares quadrados de sustentação da placa. Sob a esplanada, for recentemente construído um corpo poligonal irregular, interligando os chamados cofres, paióis situados na zona mais protegida do reduto, sob o parapeito da face frontal, mas perfeitamente integrado e de características semelhantes aos demais edifícios. Os espaços exteriores ajardinados apresentam desenho de acordo com as linhas definidoras do reduto.

    Dados Técnicos

    Paredes autoportantes e estrutura autónoma. Aterros e escavações, muros de suporte, rede de rega sob pressão automática: aspersão, gota-a-gota. Rede de drenagem pluvial, subterrânea.

    Materiais

    Paredes de alvenaria rebocada, de tijolo furado e de betão, pintadas; tectos em lajes com perfis de aço e material de enchimento e de betão, pintados, e tectos falsos em placas de gesso cartonado e em painéis sanduich; pavimentos em soalho de madeira de jatobá, em betonilha com tinta époxi, cerâmico em chapas de aço inox; rodapés em aço inoxidável; paredes da copa e instalações sanitárias com azulejos monocromos e placas de mármore; portas de chapa de ferro metalizado ou aço inoxidável; guarda ventos, portas e janelas com vidros simples; divisórias envidraçadas corta-fogo; divisórias envidraçadas com persianas; vidros duplo fosco; persianas de lâminas de alumínio; caixilharia e portas em aço inox; cobertura do 2º piso do edifício central em telha e do edifício de apoio logístico em chapa de zinco; taludes em terra; escadas em sulipas de madeira; pavimentos em betonilha esquartelada, gravilha, cubos de basalto; lancis dos canteiros em contraplacado marítimo. Vegetal: árvores: laranjeira, freixo, jacarandá, amoreira-branca, oliveira, amendoeira-doce, pessegueiro, damasqueiro, cerejeira, salgueiro-branco; arbustos: hibisco, alfazema, murta, alecrim, roseira-trepadeira, cinerária-marítima, salvia; herbáceas: planta-cigarro, gentiana, morangueiro-silvestre, erva-de-são-joão, hortênsia, lírio, oregãos, santolina, serpilho, amores-perfeitos; bolbosas: fresia, flor-de-merendera; manta orgânica de empalhamento

    Intervenção Realizada

    1891 – obras de abastecimento de água; 1906 – melhoramentos no acesso ao forte, a partir do Lg. da Estação; 1966 – reposição das condições de estabilidade no talude do reduto, alterado pela construção clandestina de um telheiro de betão pela Empresa "Sociedades Reunidas Reis, Ldª"; 1970 – reparação da instalação eléctrica dos paióis; 1983 – remodelação da casa nº 38; DGEMN: 1998 / 1999 / 2000 – início da 1ª fase das obras de adaptação do Forte de Sacavém a arquivos da DGEMN (paióis da gola sob o talude central e caponnière – Edifício Arquivo I e portaria): impermeabilização das lajes superiores e do pavimento, substituição de rebocos, tratamento dos perfis do tecto e substituição de caixilhos; instalação das infraestruturas; redesenho do antigo núcleo de latrinas, com manutenção das funções e criação de espaço para colocação das máquinas; projecto de aquecimento, ventilação e ar condicionado da autoria do Eng. Mecânico José Manuel Carneiro Moniz; projecto de instalações de segurança (sistema de detecção e alarme de incêndio, sistema de detecção e alarme de intrusão, sistema de vigilância, de controle de acessos), do Eng. Electrotécnico Luís Maria Aragão Guedes Ramos; projecto de instalações e equipamentos eléctricos e telefónicos do Eng. Electrotécnico José Avelino Amardor Patriarca; fornecimento e montagem de mobiliário para arquivo da DGEMN, destinado ao armazenamento de peças desenhadas de todos os formatos; 2000 / 2001 – 2ª fase das obras de adaptação do Forte (edifício central – áreas de atendimento público, serviços de apoio e depósitos): elaboração de estudo no âmbito do Acompanhamento da Obra e da Manutenção dos Espaços Exteriores pelo Atelier de Arquitectura Paisagística João Ceregeiro; impermeabilização das lajes do piso térreo encastradas no talude posterior, com movimentos de terras; modelação do talude com recuo do mesmo junto à fachada posterior do edifício central, demolição de anexo junto ao través N. e construção de muro de sustentação em betão armado, rebocado e pintado; remodelação do edifício central do terrapleno interior e das dependências do lado N.; remoção do revestimento ou silhares de azulejos existentes no 1º e 2º piso; reconversão do piso térreo em áreas de acesso ao público e serviços de apoio de documentação e funcionários, com criação de sala de recepção, de uma zona pública ligada a actividades educativas (Exposições, Auditório e Cafetaria) e outra voltada para a consulta propriamente dita (Sala Multimédia, Sala de Leitura e Biblioteca); criação de um percurso interno longitudinal, atravessando as salas voltadas ao terrapleno interior, com vãos moldurados a perfis de aço e portas envidraçadas; pavimentação das zonas públicas a soalho de madeira e zonas de serviço a betonilha pigmentada; conservação de um dos paióis gerais, com tratamento do revestimento de madeira, instalação eléctrica, manutenção dos sistemas de vãos e de ventilação natural para o corredor; adaptação do 2º piso a gabinetes de trabalho, voltados a SO. e corredor de distribuição a NE. definido pelos acessos exteriores; delimitação dos gabinetes por divisórias de estrutura metálica e painéis de vidro, garantido opacidade através de mobiliário entre gabinetes e transparência para o corredor, mas com persianas; criação de instalações sanitárias e de uma sala de estar no anexo dos antigos balneários; instalações especiais: de equipamento eléctrico, instalação e equipamento de AVAC, de telefones e informática, de segurança contra incêndio, de segurança contra intrusão e instalações de água e de esgotos da autoria dos mesmos engenheiros; recuperação dos espaços exteriores: manutenção do perfil original do jardim da palmeira, a N., com a reposição do termo E. do canteiro, e revestimento de espécies aromáticas com sistema de rega automática; reparação dos túneis e da drenagem da área de infiltração sob a área ajardinada a N., criando uma superfície drenante no interior da parede e condução da água para a caixa de esgotos; 2002 / 2003 – 3ª fase das obras de adaptação do Forte a arquivos da DGEMN (paióis do talude exterior – áreas de tratamento arquivístico, laboratorial e de depósitos – Edifício Arquivos II): construção de um edifício novo, em betão armado, encastrado no talude exterior a NE., articulando os dois cofres laterais existentes, para albergar os serviços de tratamento arquivístico e laboratorial e criar novas áreas de depósitos; construção de algumas paredes divisórias interiores e abertura de três vãos de comunicação com o fosso; abertura de dois vãos de ligação em duas câmaras interiores para ligação dois paióis laterais ao corpo central; recuperação das duas alas dos antigos paióis e da área entre elas; reconversão dos espaços interiores; impermeabilização das lajes da cobertura; tratamento dos tectos e paredes, incluindo a construção de paredes duplas ventiladas nas superfícies confinantes com terra; colocação de novos caixilhos; entaipamento de algumas portas para o exterior e colocação de máquinas de tratamento de ar no vão; 2006 / 2007 – 4ª fase da obra: reparação geral das paredes interiores e do túnel de acesso à caponnière; no edifício central procedeu-se à reparação da parede e abóbada do túnel N., execução de pavimento em betonilha e reparação e pintura do portão pivotante junto às instalações sanitárias; reparação geral dos tectos e paredes nos corredores N. e S.; nos cofres ou Arquivo II: pintura de paredes, tectos e pavimentos; aplicação de caixilharia nos vãos e divisórias envidraçadas corta-fogo dos depósitos; instalação de dois elevadores na ala ou cofre S.; nas CASAMATAS 7, 8, 9, 10, 11 e 12: reparação e picagem das zonas degradadas em paredes, vãos, portas e pavimentos, incluindo a remoção de azulejos e mosaicos; reparação das vigas metálicas do tecto; execução do pavimento em betonilha e respectiva pintura com tinta époxi; tratamento de rebocos, caiações; execução de vãos que se encontravam tapados com alvenarias de tijolo; colocação de portas de chapa de ferro metalizado e de janela em aço metalizado com assentamento de peitoril; na casamata 9, 10, 11 e 12 procedeu-se à colocação de gradeamento de chapa de aço metalizado; na casamata 12 executaram-se duas escadas de acesso e colocou-se estrutura metálica para protecção do acesso às mesmas; na zona dos antigos estábulos: demolição dos edifícios existentes; reparação do muro confinante com o antigo edifício e construção de pequeno edifício para apoio logístico, com características semelhantes aos restantes do reduto, mas com placas do tipo VIROC nas fachadas; construção de em cais no fosso, a NE., junto ao portal posterior do edifício central, e escadas de acesso, em betão, com 2 patamares; pintura do portão do cais e colocação de pala de resguardo; reparação geral dos muros do cais; reparação geral do túnel de acesso ao reduto; pintura do portão principal; na sala de apoio à segurança: reparação geral de paredes, tectos, vãos de janelas e portas; caiações; colocação de caixilharias nos vãos; recuperação do silhar de azulejos; reparação das portas metálicas dos armários do mesmo espaço; reparação geral dos pavimentos, paredes e tecto e electrificação da casa do guincho; alargamento do portão de acesso ao fosso, a SO., com alteração do perfil de arco de volta perfeita, com aduelas rusticadas, para verga recta simples, de betão; colocação de portão em chapa de ferro metalizado; revestimento dos taludes com manta orgânica de empalhamento, seguida de sementeira automática com mistura de sequeiro; limpeza, recuperação de superfícies do talude interior; iluminação exterior do forte; reparação geral dos rebocos da contra escarpa do fosso, incluindo caiação; regularização do terreno do fosso; execução de escadas e patamares moldados nos taludes; reparação geral da rede da vedação existente no perímetro do reduto; demolição dos tanques de lavar a roupa; construção de reservatório de água no fosso; colocação de inscrição metálica identificativa junto aos principais edifícios; pavimentação do fosso em saibro compactado e criação de jardins a S..

    Autor e Data : Teresa Furtado 1997 / Sofia Diniz 2001 / Paula Noé e Luísa Estadão 2007 – DGEMN)

    Mais Ligações:

    Forte de Sacavém – pt.wikipedia

     

     

    Forte de Sacavem

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    Castelo de Porto de Mós – Leiria

    Posted by mjfs em Março 22, 2009

    Castelo Porto de Mos - Foto Adrian Diaz 

    À semelhança do que acontece com o vizinho Castelo de Ourém, também não estão esclarecidas as origens do local, em particular durante o período de nominal domínio árabe. Tem-se sugerido a existência de uma atalaia islâmica, conquistada por D. Afonso Henriques em 1148 (apenas depois das conquistas de Lisboa, Palmela e Santarém?), mas os vestígios materiais dessa realidade tardam em aparecer.

    Mais certo é a iniciativa edificadora dos nossos primeiros monarcas. A D. Sancho I atribui-se uma primeira construção militar, posteriormente alargada e reforçada no reinado de D. Dinis, numa campanha que chegou a cercar toda a povoação.

    Mas o mais importante contributo construtivo para a história de Porto de Mós ocorreu já no século XV, altura em que a localidade entrou na posse do Conde de Ourém e 1º Marquês de Valença, D. Afonso. Em Ourém, o conde promoveu avultadas obras, ao abrigo de um italianismo ímpar no nosso país. O majestoso paço que construiu no castelo de Porto de Mós inscreve-se neste mesmo movimento e constitui o segundo capítulo escrito por D. Afonso de uma história de real importância na evolução da arte quatrocentista nacional.

    O monumento apresenta uma evidente racionalidade arquitectónica, ao alicerçar-se numa planta pentagonal, cujos vértices são reforçados por torreões (três de secção quadrangular e um outro pentagonal). A fachada principal, voltada a Sul, é de feição harmónica, com corpo central ladeado por duas torres coroadas com terminações piramidais. O portal é de arco de volta perfeita, encimado por elegante loggia panorâmica, mais característica da arquitectura palaciana que da militar. O interior apresenta um pátio central (onde se escavou a cisterna), a partir do qual se acede a todos os espaços do conjunto.

    A loggia corrida ao longo do andar nobre do paço e o coroamento piramidal das duas torres que ladeiam a entrada fazem com que este castelo seja uma das mais importantes peças de cenografia arquitectónica do século XV português. Por essa altura, viveram-se tensões entre casas nobres, com uma guerra civil pelo meio, mas o paço de Porto de Mós foi concebido com preocupações mais artísticas e socialmente prestigiantes do que propriamente militares.

    Texto: PAF / IPPAR

    Castelo Porto de Mos - Foto ESPortoMós

    OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Castelo de Porto de Mós (Pesquisa de Património / IPPAR)
  • Castelo de Porto de Mós a 3D no Google Earth
  • Castelo de Porto de Mós (Guia da Cidade)
  • Castelo de Porto de Mós (pt.wikipedia)
  • Castelo de Porto de Mós (wikimedia – fotos)
  • Castelo de Porto de Mós (IPPAR – fotos)
  • Castelo de Porto de Mós (Colecção Sec. XXI – Fotos)
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