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Archive for the ‘Manuelino’ Category

Castelo e Muralhas de Óbidos – Leiria

Posted by mjfs em Março 20, 2009

 Castelo de Óbidos - Osvaldo Gago - fotografar.net - wikimedia

Há uma relação de afectividade neo-romântica para quem visita a vila de Óbidos. Serão poucos os casos no país onde a busca deliberada de um ideal cenográfico de Idade Média foi tão efectivo, razão da aparente atemporalidade das ruas do conjunto intra-muralhas, que, na sua sinuosidade, nas suas fachadas brancas e no vislumbre das inventadas ameias, nos transportam para um tempo mítico de um Portugal em formação.

São ainda obscuras as origens da fortaleza. Ao que tudo indica, a sua posição dominante em relação à extensa lagoa a ocidente, favoreceu a instalação de um primitivo reduto fortificado de origem romana. A Alta Idade Média não deixou vestígios aparentes da sua presença, e será, apenas, na viragem para o século XII que Óbidos voltará a merecer referências documentais precisas. No mesmo impulso expansionista que levou as fronteiras de Portugal até à linha do Tejo, em 1147, a vila passou para a posse de D. Afonso Henriques, ficando para a posteridade uma tradição de tenaz resistência por parte dos muçulmanos. Anos mais tarde, na sequência das investidas almóadas de final do século, coube a D. Sancho I reconquistar a localidade, dotando-a, então, de condições mais efectivas de povoamento e de organização.

1210 é uma das datas mais marcantes da vila. Nesse ano, foi doada às rainhas, passando a figurar como uma importante localidade da casa das soberanas nacionais. Com presença assídua dos casais régios ao longo das Idades Média e Moderna, Óbidos floresceu e foi sucessivamente enriquecida por obras de arte. O mecenato artístico patrocinado por D. Leonor (século XV) e, especialmente, por D. Catarina (século XVI), marca, ainda hoje, a paisagem arquitectónica da vila.

O castelo e as muralhas de Óbidos evocam a importância da localidade na Baixa Idade Média. Apesar de, em grande parte, serem obra inventiva do século XX, asseguram a todos os que se dirigem à vila a identidade daquele passado emblemático. Desconhecemos a configuração do perímetro amuralhado inicial, contemporâneo da acção dos nossos primeiros monarcas. A torre do Facho, no limite Sul das muralhas e ocupando um pequeno monte, tem vindo a ser atribuída à reforma de D. Sancho I, mas a verdade é que os vestígios materiais inviabilizam uma análise mais pormenorizada. A ser assim, a ligação deste espaço ao monte do castelo ter-se-á dado logo no século XII.

Mais consensual é a expansão urbana verificada na viragem para o século XIV. Com D. Dinis, Óbidos cresceu para fora das muralhas, ocupando o espaço em torno da igreja de São Pedro. Paralelamente, deu-se a reforma do sistema defensivo, e consequente actualização do dispositivo militar, campanha que deverá ter conferido a actual configuração ao perímetro amuralhado. Anos mais tarde, D. Fernando terá patrocinado novas obras, tendo a torre de menagem ainda o seu nome.

Dividido em duas zonas essenciais (o castelejo, onde séculos mais tarde se instalou a Pousada, e o bairro intra-muros), a cerca define um perímetro bastante irregular, de feição rectangular e não oval, como seria mais frequente na castelologia gótica nacional. Entre o castelo propriamente dito (a Norte) e a Porta da Vila (a Sul), a Rua Direita estabelece a comunicação e aparece como o eixo de circulação privilegiado dentro da vila. Sensivelmente a meio, a Praça de Santa Maria é o principal largo do conjunto, ocupando um espaço quadrangular que corresponde ao adro da igreja tutelar da vila.

A reinvenção do castelo deu-se na década de 30 do século XX. Por acção da DGEMN, que visava reverter o conjunto à sua imagem medieval, todos os parapeitos foram dotados de ameias, assim como se reedificaram torres e troços que, entretanto, haviam sido destruídos. No final dos anos 40, construiu-se a pousada, no local do antigo paço, e toda a vila foi dotada de uma homogeneidade estética que passou pelo revestimento de cal das fachadas e pelo pavimento uniforme de todas as ruas.

Texto: PAF/IPPAR

Muralhas Obidos - wikimedia - Paulo Juntas

Outros Links:

  • Castelo de Óbidos (IPA / DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Castelo de Óbidos (Pesquisa de Património / IPPAR)
  • Fotografias do Mercado Medieval de Óbidos
  • Castelo de Óbidos (wikimedia-fotos)
  • Castelo de Óbidos (IPPAR-fotos)
  • Castelo de Óbidos (pt.wikipedia)
  • Castelo de Óbidos (Guia da Cidade)
  • Muralhas de Obidos (wikimedia-Fotos) 

     

     

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    Igreja Matriz de Martim Longo – Faro

    Posted by mjfs em Março 14, 2009

     Igreja Martim Longo

    A matriz de Martim Longo é um templo edificado na viragem para o século XVI. De acordo com as Visitações da Ordem de Santiago, a quem o território estava confiado, sabemos que, em 1518, a igreja estava praticamente terminada, faltando apenas edificar o campanário e estando a capela-mor "derribada". Esta última informação faz supor que a campanha construtiva que então se verificava correspondia a uma reforma de um edifício anterior, pois o mais comum era iniciar-se a edificação pela cabeceira. Disso mesmo dá testemunho a mesma Visitação, quando refere que a igreja foi feita "de novo", pelos "moradores desta alldea de Martim Longuo" e "aa sua custa" .

    Na avaliação do templo, temos, portanto, que o corpo é a parte mais antiga. Ele compõe-se de três naves de quatro tramos, marcados por colunas que suportam arcos formeiros apontados, sendo a nave central mais alta que as restantes. O facto de os capitéis serem oitavados prova o marco cronológico tardo-gótico, que nos parece ainda mais conotado com a linguagem quatrocentista que com a do ciclo manuelino, faltando aqui a exuberância decorativa deste último. O próprio portal principal revela essa longa duração artística, na medida em que é de perfil quebrado composto por ligeira moldura interna que descarrega sobre um único colunelo adossado à caixa-murária.

    A capela-mor, por ser mais tardia, integra-se já num outro complexo artístico. A Visitação de 1518 assegura que ela seria edificada à custa do Bispo e Cabido de Silves. No entanto, em 1534, em nova Visitação, a cabeceira ainda se encontrava "derrubada" e só o campanário estava terminado. Só vinte anos depois, em 1554, a obra se completou e foi possível erguer uma capela-mor de dois tramos, coberta com abóbada presumivelmente de cruzaria de ogivas, com bocete central, a que se acedia através de um arco triunfal "de ponto". Desta campanha, resta a arquitectura, uma vez que o recheio se perdeu. Pela Visitação de 1565, a última efectuada a esta aldeia, sabemos que o retábulo-mor era de madeira dourada e que continha cinco painéis que enquadravam a imagem tutelar da igreja, uma Nossa Senhora de vulto .

    Nos inícios do século XVI, a parede fundeira do corpo, que ladeia o arco triunfal, era decorada com várias pinturas murais, de que restam ainda algumas parcelas. Elas não foram mencionadas em 1518, mas em 1565 já se diz que "na parede do cruzeiro está pintada a imagem do crucifixo e a de Nossa Senhora e a de São João e outros Santos, já velho tudo e mui despintado". Por esta descrição, vê-se que o Painel do Calvário, que seria ladeado por outras representações, era antigo e denunciava já grande desgaste. Ainda no interior, importa salientar a pia baptismal, manuelina, cuja bacia cilíndrica repousa sobre base decorada com carrancas.

    Mas é, sem dúvida, no exterior, que reside uma das mais importantes características do templo: a série de torreões cilíndricos que amparam o edifício pelo lado Sul. A torre de maior secção é parcialmente ocultada pela torre sineira, o que permite supor tratar-se de uma pré-existência em relação à obra dos inícios do século XVI. Já se aventou a hipótese de se tratarem de vestígios de uma hipotética mesquita, mas nada se pode assegurar e é mais credível, no momento actual, atribuí-los a uma fase construtiva tardo-gótica conotada com o mudejarismo meridional, que, presumivelmente, não englobaria a torre sineira, sendo esta resultado de uma intenção posterior.

    O templo foi objecto de algumas obras ao longo dos séculos, em particular o janelão rectangular do segundo registo da frontaria (edificado após estragos causados pelo Terramoto de 1755), e o retábulo-mor barroco, mandado fazer pelo Bispo D. Francisco Barreto II em 1581, e suprimido já nos nosso dias. EM 1968, encontrava-se em estado de ruína, procedendo-se, então, a um amplo restauro, a cargo da DGEMN, que conferiu ao conjunto o seu aspecto actual.

    Igreja Martim Longo

    Texto: PAF / IPPAR

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    Edifício da Misericórdia de Albufeira – Faro

    Posted by mjfs em Março 9, 2009

    Edificio Misericórdia Albufiera - Paulo Almeida Fernandes - 2006 - IPPAR

    Vista geral das antigas instalações da Misericórdia de Albufeira, incluindo a capela

     

    As instalações da Misericórdia de Albufeira constituem uma das mais antigas parcelas do centro histórico da cidade e localizam-se dentro do velho perímetro fortificado, implantando-se junto da mais importante porta (a da Praça, ou do Ocidente) e ocupando parte da alcáçova islâmica. Estes vestígios do sistema defensivo muçulmano desapareceram nos anos 60 do século XX, quando se construiu o Hotel Sol e Mar, mas tal campanha não destruiu o complexo da Misericórdia, que ainda hoje se mantém.

    A instituição, fundada em 1499, desde cedo contou com importantes instalações, o que revela o grau de implantação e de aceitação na própria cidade. Ainda hoje é possível perceber que, delimitada pela muralha que se desenvolve desde a antiga Porta da Praça até à Porta do Mar (virada a Norte, hoje na confluência da Rua do Cemitério Velho), existe um quarteirão que foi praticamente todo ocupado pela Misericórdia local e que corresponde à face NO. da Rua Henrique Calado. Nesse quarteirão, funcionou a Capela, o Hospital e uma Hospedaria, assim como o edifício-sede e numerosas outras dependências de apoio às diversas actividades da instituição.

    A capela é parte mais importante do conjunto e, simultaneamente, a mais antiga. Crê-se que seria mesquita de uso exclusivo da alcáçova e do paço dos governadores, posteriormente convertida em igreja cristã e, finalmente, em capela da Misericórdia. Este percurso funcional não está arqueologicamente provado, mas dada a localização do templo é natural que assim tivesse acontecido, embora nos faltem dados de caracterização sobre os séculos XIII e XIV. A fachada principal é de pano único e passaria despercebida entre o casario não fosse o seu portal manuelino e a empena triangular da frontaria. Aquele é de arco apontado, mas possui moldura inferior decorada com ligeiro encordoado que, descarregando sobre capitéis de decoração vegetalista, finos colunelos adossados à caixa murária e bases embebidas de secção multifacetada, prova o seu carácter manuelino, ainda que relativamente modesto.

    O interior é de nave única, e apenas a capela-mor evidencia a fase manuelina, sendo coberta por abóbada de cruzaria de ogivas, com bocete ornamentado pela cruz da Ordem de Avis, sintoma provável de algum dinheiro real empregue na obra. O arco triunfal é abatido, mas possui ainda duas colunas torsas que descarregam sobre bases oitavadas, elementos artísticos que provam a sua feitura durante o ciclo manuelino. No corpo do templo, coberto por tecto de madeira, pode ainda observar-se um coro-alto barroco que se adossa à fachada principal.

    Da capela-mor pode aceder-se à Sacristia e à antiga Casa do Despacho, esta última um espaço rectangular que, na origem, deveria ter um segundo acesso sem ser pelo interior da capela. A Hospedaria é um edifício de planta rectangular, disposto ao longo da via pública e tem como principal atractivo o seu portal, de arco apontado, muito simples e que, se não for contemporâneo do portal principal da capela, deverá ser o reaproveitamento de uma mais antiga habitação.

    Compreensivelmente, o hospital ocupa a maior parte das antigas instalações. A primeira referência documental que se conhece data de 1571, mas parece relacionar-se com uma pequena casa de acolhimento, uma vez que, séculos mais tarde, em 1758, refere-se expressamente que o hospital é composto por uma só casa, "em que se acolhem os pobres passageiros, mas não a curar-se". O edifício que chegou até hoje data genericamente do final do século XIX. Em 1880, a Santa Casa dirigiu uma petição à Câmara dos Deputados para alargamento das instalações, o que foi favoravelmente respondido três anos depois, tendo-se iniciado as obras em 1885, sob o comando do empreiteiro José Francisco do Nascimento. Inaugurado em 1904, dele fazem parte duas enfermarias, em dois andares, e integra a Torre do Relógio, estrutura que aproveitou uma das antigas torres defensivas da islâmica Porta da Praça.

    Edificio Misericórdia Albufeira

    Vista parcial do antigo acesso à Porta da Praça e da Torre do Relógio, actualmente integrada no Hospital

    Fonte: PAF / IPPAR

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    IGREJA E EDIFÍCIO DA MISERICÓRDIA DE VILA DO CONDE

    Posted by mjfs em Fevereiro 7, 2009

    IGREJA E EDIFÍCIO DA MISERICÓRDIA DE VILA DO CONDE - foto cmviladoconde 

    Embora o compromisso da sua fundação date de 1499, a irmandade da Misericórdia de Vila do Conde foi fundada em 1510. A confraria instalou-se numas casas contíguas à capela do Espírito Santo, tendo decidido em 1522 edificar uma igreja para a irmandade, com respectiva casa do consistório e hospital.

    O terreno onde iria ser edificado o templo foi doado por Álvaro Fernandes da Rua e sua mulher, localizando-se na área fronteira ao velho hospital de Vila do Conde. No entanto, as obras da Casa da Misericórdia só se iniciaram em 1559, depois de demolida a capela de São Miguel o Anjo, situada nesse mesmo terreno.

    O conjunto edificativo existente, composto pela igreja e pela casa do consistório, apresenta um modelo maneirista, de linhas sóbrias e depuradas. A igreja, de planta rectangular é precedida por escadaria, com portal principal de moldura rectangular ladeado por dois pares de colunas jónicas, num modelo de inspiração serliana, encimado por um conjunto de imagens de vulto, o da esquerda representando Nossa Senhora da Conceição, o da direita figurando a Visitação. A fachada é rematada em empena.

    O interior da igreja, de nave única, é revestido por painéis de azulejo de padrão, fabricados na oficina lisboeta de Domingos Francisco e colocados em 1692, no mesmo ano em que foi construído o coro e os caixotões de madeira do tecto, pintados com motivos florais. Os retábulos colaterais, executados em 1662, estão separados da nave por uma grade de pau preto, e decorados por um conjunto de pinturas executado entre 1663 e 1666.

    No século XVIII a igreja sofreu algumas alterações na sua estrutura interior. Nos anos de 1743 e 1744 os irmãos patrocinaram a edificação de uma tribuna, desenhada pelo arquitecto Nicolau Nasoni e decorada com talha, da autoria do mestre Manuel Rocha, e encomendaram um novo retábulo-mor, de talha barroca, possivelmente obra do mesmo mestre.

    O edifício do consistório, onde terá funcionado também o hospital da irmandade, desenvolve-se em planimetria quadrangular, estando dividido em dois pisos. A fachada, também precedida por uma escadaria, possui portal de moldura rectangular, ladeado por dois janelos. No segundo registo foram abertas três janelas de sacada, duas de moldura rectangular encimadas por friso, semelhantes à porta, outra com arco conopial, de gosto manuelino. Esta moldura, de execução anterior à edificação da casa, poderá ter sido aproveitada da capela situada neste local, demolida para dar início à construção da Misericórdia. A sineira da igreja foi colocada sobre a fachada do consistório.

     
    Texto: Catarina Oliveira / IPPAR/2005

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    Igreja de São João Baptista ou Matriz de Vila do Conde

    Posted by mjfs em Janeiro 13, 2009

    Igreja_Matriz_de_Vila_do_Conde - Foto SergioPT

    A primitiva matriz de Vila do Conde, um edifício medieval de que não resta qualquer vestígio, situava-se no Monte Castro de São João, fora do perímetro urbano. Cerca de 1496 foi ordenado que se edificasse uma nova igreja no Campo de São Sebastião, cuja obra ficou a cargo do mestre biscainho João Rianho.

    Durante a sua peregrinação a Santiago de Compostela em 1502, D. Manuel I ficou hospedado em Vila do Conde, e no regresso da viagem enviou uma carta para a edilidade local onde concedia financiamento à obra e enviava uma planta com a traça do novo templo.

    Na primeira fase de edificação empreendeu-se a construção da cabeceira, terminada em 1506, e a abóbada da abside, colaborando na campanha o mestre Gonçalo Anes e o biscainho Rui Garcia de Penagós, que em 1509 dirigia a fábrica de obras.

    No ano de 1511 a direcção das obras era entregue ao arquitecto João de Castilho, e no ano de 1515 a estrutura estava terminada, abrindo-se ao culto três anos depois.

    De planta em cruz latina, composta por três naves de diferentes alturas e cabeceira tripla, a Matriz de Vila do Conde repete o módulo das hallenkirchen manuelinas, de que fazem parte, entre outros, os templos de Freixo de Espada à Cinta, Arronches, ou Azurara (LEITE, 2005, pp. 103-104).

    O grandioso portal axial trilobado, obra de João de Castilho, profusamente ornamentado, ladeado por contrafortes e pináculos com cogulhos vegetalistas, dá “um novo tom à edificação” manuelina, sendo o seu modelo repetido no templo de Azuaga, perto de Badajoz (PEREIRA, 1995, pp. 67-68).

    Do lado esquerdo da fachada, João Lopes o Moço ergueu em 1573 a torre sineira quadrangular (REIS, 2000, p. 166), cuja maciça estrutura pouco ornamentada e excessivamente vertical sobressai no ritmo da frontaria.

    No interior destaca-se a cobertura da capela-mor, em abóbada de “combados” da autoria de Castilho, e as abóbadas dos absidíolos, uma com lanternim e outra decorada com baixos relevos que apresentam vestígios de policromia. As duas capelas abertas no transepto, de edificação quinhentista, possuem retábulos de talha dourada barroca e azulejos seiscentistas.

    Texto: Catarina Oliveira – IPPAR/2006

     

    Igreja Matriz de Vila do Conde - Paulo Almeida Fernandes 2006 - IPPAR

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    Igreja de Santa Maria de Azurara ou Igreja Matriz – Vila do Conde

    Posted by mjfs em Janeiro 11, 2009

    Igreja Santa Maria da Azurara - Vila do Conde 

    Constituída como paróquia em 1457, a povoação de Azurara existia já desde o reinado de D. Afonso III, integrando então a freguesia de Pindelo. Depois da desanexação da paróquia de São Salvador de Canidelo, a Capela de Nossa Senhora da Apresentação passou a acolher as cerimónias religiosas da nova freguesia.

    No entanto este templo cedo se mostrou insuficiente para albergar toda a população local, pelo que em 1502 o povo de Azurara, aproveitando a passagem de D. Manuel por aquelas terras quando este se dirigia a Compostela, pediu ao rei permissão para edificar uma nova igreja paroquial.

    A construção da nova matriz, dedicada a Santa Maria a Nova, ter-se-á iniciado nesse mesmo ano, tendo sido provavelmente terminada em 1522, data de conclusão do espaço da capela-mor. O edifício resultante assemelha-se muito à matriz de Vila do Conde, edificada na mesma época, embora esta apresente uma estrutura mais imponente.

    O conjunto evidencia-se por algum ecletismo, derivado certamente da longa campanha de obras de que resultou a sua edificação. A estrutura manuelina, de grande sobriedade, é decorada com um portal principal decorado com motivos de grotesco , cujo conjunto é rematado por um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, vinda da primitiva capela de Azurara com a mesma designação. Este conjunto de linguagem ao romano derivou certamente dos modelos traçados na Matriz de Caminha, e que a partir das primeiras décadas do século XVI se alastraram a todo o Noroeste português.

    Do lado esquerdo da fachada foi construída no final do século XVII a torre sineira, com balcão no segundo registo e oito aberturas sineiras no topo, cujo modelo é decalcado da torre da matriz de Vila do Conde, edificada pelo mestre João Lopes o Moço durante a década de 80 do século XVI. A estrutura exterior das naves é rematada superiormente por uma linha de ameias, e a cabeceira encontra-se flanqueada por quatro contrafortes.

    O interior é composto por três naves de cinco tramos marcados por arcos de volta perfeita assentes em pilares lavrados com motivos vegetalistas. A capela-mor, de planta quadrada, é coberta por uma abóbada de nervuras de gosto manuelino, concluída em 1522 pelo mestre Gonçalo Lopes, conforme nos indica a inscrição feita junto à mesma.

    No programa decorativo interior destacam-se ainda o revestimento azulejar da cabeceira, datado do século XVIII e proveniente da oficina de António Rifarto (Idem, ibidem) e as pinturas retabulares. Os altares das naves laterais apresentam pinturas quinhentistas, salientando-se os painéis maneiristas do retábulo de Nossa Senhora do Rosário, pintados cerca de 1574 por Francisco Correia. O actual retábulo da capela-mor foi executado em 1720 pelo entalhador Francisco Machado.

     

    Texto: Catarina Oliveira – IPPAR 2005

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    Castelo de Castelo Novo – Fundão

    Posted by mjfs em Dezembro 21, 2008

     Castelo de Castelo Novo - wikipedia

    O Castelo de Castelo Novo localiza-se na aldeia de mesmo nome, Concelho de Fundão, Distrito de Castelo Branco, em Portugal.

    Erguido sobre um afloramento rochoso na vertente leste da chamada serra da Gardunha, constituía-se no pólo militar em torno do qual se desenvolveu a povoação de Castelo Novo, sucessora da de Castelo Velho, no topo da serra. Castelo Novo, atualmente, integra o Programa Aldeias Históricas.

     

    História

    O castelo medieval

    A sua existência será anterior ao início do século XIII, uma vez que o castelo se encontra referido tanto no testamento de D. Pedro Guterres (8 de Janeiro de 1221) como no foral de Lardosa. Encontra-se ligado ainda à presença da Ordem dos Templários na região, razão pela qual alguns autores atribuem a sua edificação ao Mestre da Ordem, D. Gualdim Pais, sob o reinado de D. Sancho I (1185-1211).

    Ao final do século XIV, o rei D. Dinis (1279-1325) determinou reforçar as suas defesas, hipótese que se fundamenta na constatação de vestígios de adarves e ameias dionisinas em um troço das muralhas. A partir desta época, teria sido abandonado o chamado Castelo Velho, no topo da serra.

    Embora haja registro de que no ano de 1500 o pedreiro Luís de Cáceres trabalhava nas obras do castelo, a informação da Comenda, datada de 1505, reportava o seu estado, que apenas inspirava cuidados pontuais:

    • em parte da barbacã na entrada, derruída;
    • no portal de pedra da entrada, sem portas;
    • em um troço da cerca interna, sem portas e derruído junto à torre de menagem.

    Talvez por essa razão, D. Manuel I (1495-1521) tenha lhe determinado melhoramentos (1510). Sob o reinado de seu sucessor, D. João III (1521-1557), a torre sineira já se encontrava provida de sinos (1537).

    Do terramoto de 1755 aos nossos dias

    Transcorridos quase dois séculos e meio, o Juiz que procedia à atualização dos bens da Comenda, com o Procurador e mediadores da mesma, refere que o castelo se encontrava quase em ruína (1704). Ainda nesse século, as Memórias Paroquiais (1758) dão conta de que o terramoto de 1755 lhe provocara derrocadas.

    No século XX, embora fichado pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que lhe procedeu obras de consolidação e restauro nos panos de muralha entre 1938 e 1939, retomadas em 1942, o conjunto não se encontra classificado quer como Monumento Nacional, quer como Imóvel de Interesse Público nem em Vias de Classificação.

    Recentemente, entre 2002 e 2004, foram desenvolvidas três campanhas de escavações arqueológicas no castelo a cargo da Arqueonova, no âmbito do Programa Aldeias Históricas de Portugal, que colocaram a descoberto centenas de vestígios da sua ocupação medieval, entre a sua construção no século XII e o seu abandono por volta do século XVII. Moedas portuguesas dos reinados de D. Sancho I (1169-1210) até ao de D. João III (1521-1557), peças metálicas em ferro e em cobre, e peças de cerâmica, entre outras podem ser apreciadas a partir de 2005 no Núcleo Museológico de Castelo Novo, nas dependências da antiga Casa da Câmara, requalificada como museu histórico-arqueológico.

    Características

    Exemplar da arquitectura militar no estilo gótico e manuelino em Portugal, na cota de 640 a 650 metros acima do nível do mar, o castelo apresenta planta irregular orgânica no sentido longitudinal. Em seus muros rasgam-se duas portas, a Leste e a Oeste, acreditando-se que exista uma terceira, ainda oculta por alguma edificação mais recente no troço Norte. No troço Oeste encontram-se adarves, ameias e merlões em bom estado de conservação.

    O portão principal, a Oeste, em arco apontado, de cantaria de granito, é guarnecido por duas torres. Uma delas no formato de um cubelo dispõe os matacães sobre a entrada. A porta a leste, em arco de volta perfeita, também é em cantaria de granito.

    Na Praça de Armas, erguem-se a torre sineira e a Torre de Menagem, ambas de planta quadrada e sem construções adossadas. A primeira é rematada com cornijas e quatro gárgulas nos ângulos, com cobertura em falsa abóbada e dois registros divididos por cornijas. É acessada por duas portas de verga reta, com moldura em cantaria de granito, a Leste e a Oeste. Dois postigos rasgam-se na face oeste. No topo, quatro sineiras em arco de volta perfeita, a do alçado Leste ainda com o seu sino e, abaixo, um relógio. A Torre de Menagem apresenta ruína no topo, podendo-se inferir a sua primitiva altura pela existência de gárgulas remanescentes na face Lleste.

    Vizinhas ao castelo localizam-se as edificações dos Paços do Concelho (antiga Casa da Câmara), da Capela de Santo António e da Igreja Matriz

    Texto: pt.Wikipédia

    OUTROS LINKS:

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    Torre de S. Vicente de Belém ou Torre de Belém – Lisboa

    Posted by mjfs em Novembro 19, 2008

     Torre de Belém - Luis Pavão - 2006 - IPPAR - 1

    A Torre de Belém foi construída em homenagem ao santo patrono de Lisboa, S. Vicente, no local onde se encontrava ancorada a Grande Nau, que cruzava fogo com a fortaleza de S. Sebastião.

    O novo baluarte perpetuou assim, e em pedra, essa estrutura de madeira. O arquitecto da obra foi Francisco de Arruda, que iniciou a construção em 1514 e a finalizou em 1520, ao que tudo indica sob a orientação de Boitaca. Como símbolo de prestígio real, a decoração ostenta a iconologia própria do Manuelino, conjugada com elementos naturalistas.

    Ao longo dos tempos foram efectuadas algumas intervenções que finalizaram com os restauros oitocentistas nas ameadas, no varandim do baluarte, no nicho da Virgem virada para o rio, e no próprio claustrim onde assenta.

    Funcionalmente a Torre de Belém revela o ecletismo que caracteriza as obras em que D. Manuel interveio pessoalmente e lhe estavam mais próximas. Assim, a função militar está reservada ao baluarte propriamente dito, que avança sobre as águas do rio em três pisos (andar subterrâneo, nave do baluarte e terraço). Os registos da torre são reservados a outras funções, como as de carácter administrativo (sala do Governador e Sala das Audiências), palatino (Sala dos Reis) e mesmo cultual (capela no último piso).

    Texto: Sílvia Leite /  IPPAR

     

    Torre de Belém - Luis Pavão - 2006 - IPPAR - 2

     

    OUTROS LINKS:

  • Torre de Belém (IPA / DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Página no Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR)
  • Página da UNESCO sobre o Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém (em inglês)
  • Torre de Belém (pt.wikipedia)
  • Torre de Belém (pt.wikimedia)
  • Torre de Belém (Guia da Cidade)
  • Posted in Arquitectura, História, Imagens, Lisboa, Manuelino, Monumentos, Património, Portugal, Torres | Leave a Comment »

    Forte ou Castelo de Santiago da Barra – Viana do Castelo

    Posted by mjfs em Novembro 1, 2008

    Forte Santiago da Barra - Viana do Castelo - Foto Maria Ines Dias - 2006 - IPPAR - 1

    Forte Santiago da Barra - Viana do Castelo - Foto Maria Ines Dias - 2006 - IPPAR - 2

    Viana da Foz do Lima era em meados do século XV um dos grandes portos marítimos portugueses, mantendo contactos comerciais com Galiza, Flandres e França. Quando ao longo de toda a centúria de Quinhentos a vila conheceu um período de crescimento económico, aumentando a sua população e alargando o perímetro urbano, a capacidade defensiva das muralhas medievais tornou-se insuficiente, sobretudo no que respeitava à barra do rio Lima. Assim, D. Manuel mandou construir, cerca de 1502, uma pequena fortaleza abaluartada no campo de Santa Catarina, situado no extremo oeste da vila, que passaria a ser designada como Torre da Roqueta. Esta fortaleza levanta inúmeras questões quanto à sua construção, uma vez que a Roqueta terá possuído um baluarte prolongado para o rio, destruída em campanhas de obras posteriores. Desta forma, a torre teria a mesma tipologia da fortaleza construída em Belém por ordem de D. Manuel, e ao confirmar-se a construção da Roqueta vianense antes de 1515, este exemplar reveste-se da maior importância na história da arquitectura militar portuguesa, uma vez que terá sido um protótipo para a edificação da torre lisboeta.
    Em 1568, já depois de D. Sebastião ter outorgado a Viana o título de notável, a Câmara de Viana decidiu construir na entrada marítima da vila um forte que proporcionasse uma melhor defesa da barra do Lima. Entre 1568 e 1572 é construído junto à Torre da Roqueta um pequeno forte de planta rectangular que aproveitava a fortaleza manuelina como cunhal sudoeste da sua muralha. Durante o reinado de Filipe I o forte de Viana foi completamente remodelado e ampliado; em 1589, por ordem do monarca, iniciaram-se as obras de construção da fortaleza de Santiago, segundo renovadas técnicas de arquitectura militar, prolongando-se a sua construção até 1596. O forte voltaria a receber obras de remodelação entre 1652 e 1654, a mando de D. Diogo de Lima, governador de armas de Entre Douro e Minho, e em 1700 foi cavado um fosso à volta dos panos da muralha virados a terra. Actualmente o Forte de Santiago da Barra é sede da Região de Turismo do Alto Minho.
    Traçado por Filippo Terzi, o Forte de Santiago é uma edificação de planta poligonal constituída por muralhas de perfil trapezoidal, reforçadas por baluartes triangulares nos vértices voltados a terra, havendo com guaritas de planta circular nos cunhais. A entrada na fortaleza é feita por ponte larga sobre o fosso que a circunda, conduzindo a um portal de arco de volta perfeita ladeado por pilastras, encimado pelo brasão de D. João de Sousa, governador do forte em 1700, e rematado na cornija pelo escudo de Portugal. No interior do forte, ao qual se tem acesso por um corredor abobadado, pode ver-se ao fundo o edifício principal, de planta rectangular de três registos com alçado ritmado por três portais, sendo o principal enquadrado por arco de volta perfeita rematado com cartela e ladeado por colunas encimadas por balaústres em meio relevo, rematado pelo escudo real. Os portais laterais são de moldura em arco de volta perfeita sem decoração. Ao longo de toda a fachada foram abertas janelas em ambos os registos. O edifício possui ainda janelas de mansarda. A norte situa-se a Capela da Santiago, de planta longitudinal, com capela-mor rectangular e frontispício terminado em empena, com sineira à direita. Fronteiro a esta situa-se o paiol, edifício de planta quadrangular de um registo, com portal de volta perfeita encimado pelo escudo de Portugal e rematado em empena triangular. Integrada na zona sudoeste da fortaleza, situada num terraço que se forma no segundo registo, ergue-se a Torre da Roqueta, com entrada pelo adarve, através de rampa. Flanqueada exteriormente com quatro pequenas torres e rodeada por um pequeno fosso, a Roqueta possui corpo rectangular com dois registos, um terraço com adarves e as armas do rei D. Manuel esculpidas na fachada.

    Texto: IPPAR – C.O.

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