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Archive for the ‘Arqueologia’ Category

Monte do Castelo – Área do Castelo de Gaia – Porto

Posted by mjfs em Março 23, 2009

 Monte Castelo

Em termos arqueológicos, Vila Nova de Gaia cedo mereceu o interesse de curiosos e estudiosos, num contexto oitocentista assaz propício à realização de escavações, em pleno despertar europeu para a jovem ciência arqueológica, que teve de igual modo entre nós uma expressão bastante promissora. Desde José Leite de Vasconcellos (1858-1941), passando por António Augusto Esteves Mendes Corrêa (1888-?) até Ricardo Severo da Fonseca e Costa (1869-1940), foram vários os nomes de todos quantos se dedicaram à investigação arqueológica da cidade e seu concelho desde finais do século XIX até ao apogeu do Estado Novo, quando se observou um certo declínio nos estudos entretanto realizados neste âmbito tão específico da cultura portuguesa, em grande parte decorrente da ausência do necessário investimento estatal ao seu incremento generalizado. Esta situação seria, contudo, ultrapassada, assistindo-se a um visível e amplo desenvolvimento da investigação arqueológica conduzida ao longo das últimas três décadas, durante as quais se tem vindo a conceder uma atenção muito especial aos vestígios medievos da cidade de Vila Nova de Gaia, e, mais propriamente, a toda a área ocupada pelo “Castelo de Gaia”.

A referência mais antiga de que há conhecimento sobre o “Castelo” remonta a meados do século XVI e é da lavra do conhecido cronista João de Barros (1496-1570), para quem He tão antigo que dizem o fundou Caio Julio Cesar e dahi tomou o nome, uma tradição, aliás, retomada dois séculos depois, quando se referiu serem os muros do “Castelo” fabrica do tempo, e uso Romano. Na verdade, estas alusões não deverão surpreender, pois ilustram bem o contexto cultural vivido nas duas centúrias, mesmo com duzentos anos a separá-las: enquanto a Era de quinhentos revivia a Antiguidade Clássica através do seu Renascimento, setecentos deslumbrava-se com a descoberta de sítios tão paradigmáticos da cultura ocidental, como Pompeia, Herculano e Estábia, enquanto se embrenhava no movimento Neoclássico.

Entretanto, e apesar de as estruturas se encontrarem bastante derrubadas e os materiais fragmentados e misturados, as escavações realizadas na “Área do Castelo de Gaia” (sobretudo a partir de 1983, sob orientação de Armando Coelho Ferreira da Silva) permitiram, por um lado, confirmar a sua ocupação durante o período romano e, por outro, relançar a velha questão da localização de Cale e de um dos dois Portucale. Além disso, as investigações trouxeram à luz do dia vestígios (nomeadamente de cerâmica mamilar) daquele que terá sido um povoado fortificado do Bronze Final (embora alguns materiais pareçam indiciar uma anterior presença humana durante o Calcolítico , com reutilizações datáveis do século I d. C. e Baixo Império Romano, confirmadas, ademais, pela identificação de vários troços de uma monumental muralha romana e recolha de uma vasta série de fragmentos cerâmicos, sem que surgissem, contudo, os elementos identificadores de um castelo medieval no seu perímetro.

Foram, no entanto, encontradas determinadas estruturas pétreas (algumas em negativo) e elementos cerâmicos cronologicamente atribuíveis à Alta Idade Média, Idade Média e Baixa Idade Média  embora a grande concentração de materiais pareça apontar para uma presença humana mais constante no local entre os séculos V e VII. Mas, quanto ao castelo medieval, propriamente dito, não será de afastar a hipótese de as suas estruturas terem sido destruídas pela população durante a crise de 1383-1385, como registou o cronista-mor do reino, Fernão Lopes (1380 ?-1460?), na sua Crónica de D. João I.

Estamos, pois, em presença de uma sobreposição de níveis ocupacionais com reutilização de materiais, a atestar, no fundo, a importância estratégica do local.

Texto: A Martins / IPPAR

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Castelo Velho de Freixo de Numão – Vila Nova de Foz Côa – Guarda

Posted by mjfs em Março 13, 2009

Castelo Velho de Freixo Numão -foto architectures.sapo

“Em vias de classificação” desde 1998, o sítio de “Castelo Velho de Freixo de Numão” foi primeiramente pesquisado nos inícios dos anos oitenta pela coordenadora das escavações conduzidas no local desde 1989, a Professora Susana de Oliveira Jorge, no âmbito de uma vasta campanha de prospecção realizada na região de Freixo de Numão, a fim de avaliar o seu potencial arqueológico e definir, em conformidade, as estações arqueológicas a merecerem uma abordagem científica mais sistemática e profunda. E, desde logo, o “Castelo Velho” revelou inúmeros indícios daquele que se assumiria como um dos povoados mais importantes do Noroeste peninsular, dotado de um excelente domínio sobre a paisagem envolvente e de boas condições naturais de defesa.

Até ao momento ainda não foram encontrados quaisquer indícios que pressupusessem uma permanência humana no cimo do esporão xistoso de Castelo Velho, sobranceiro ao rio Vale da Vila de forma bastante destacada na paisagem, antes do terceiro milénio a. C., altura em que terá sido assistido a uma primeira ocupação de carácter efémero, ainda que suficientemente estável para que fossem erguidas estruturas de carácter doméstico, como denunciam os buracos de poste, as lareiras e fragmentos cerâmicos, ao mesmo tempo que se edificou um torreão, utilizado até, sensivelmente, 1300 a. C., numa inequívoca demonstração da sua pertinênia construtiva.

Uma segunda fase construtiva terá ocorrido entre 2900 a. C. e os inícios do segundo milénio a. C., abrangendo a emergência, no local mais elevado do esporão, de um “monumento” de planta subelíptica delimitado por murete e complementado, a Sul, por um recinto subcircular, a par de uma plataforma intermédia circundada por uma rampa ou talude, com átrio, na mesma altura em que se ergueram algumas cabanas. Destes elementos, será, certamente, o interior do denominado “avançado” que concentra mais o interesse dos especialistas, em face das suas características arquitectónicas únicas e das discussões matidas em torno da sua real função. Usufruindo, na origem, de sete pontos de entrada, é no interior que se apruma a base pétrea de uma torre associada a quatro outras estruturas, mais ou menos, equidistantes, enquanto foram adossados, ao exterior, um bastião, uma estrutura subrectangular e muretes de contenção. Deste segundo período foram encontrados inúmeros fragmentos de vasos cerâmicos enquadráveis nas formas tradicionais do terceiro milénio a. C. desta região do Norte do actual território português. A par destes elementos, foram recolhidos, entre outros artefactos, dormentes e moventes graníticos, pontas de seta e pesos de tear, para além de objectos de cobre e um de ouro, contas de colar e elementos de adorno.

Quanto à terceira fase construtiva, ela decorreu entre os inícios do segundo milénio a. C. e 1300 a. C., ainda que as anteriores estruturas continuassem a ser amplamente fruídas, enquanto se reconstruia a rampa e se erguiam estruturas perecíveis, para citarmos apenas algumas das modificações então conduzidas. Quanto ao espólio encontrado, ele é essencialmente constituído por vasos cerâmicos, na superfície dos quais, a par dos elementos decorativos “penteados”, surgem os “cordões” e os “medalhões”, bem como exemplares decorativos Cogeces.

Susana Oliveira Jorge interpreta “Castelo Velho”, não como um povoado fortificado, mas enquanto um recinto murado, atendendo, sobretudo, à pouca relevância que a sua utilização defensiva deteria. Pelo menos até à terceira fase construtiva, quando parece assomar uma verdadeira intenção de, “[…] não só dificultar o acesso ao interior do recinto, como de monumentalizar as estruturas envolventes, nomeadamente o “avançado” e a segunda rampa/talude.”, até que ocorreu a petrificação da zona “monumental”, na quarta fase construtiva.

 

Fonte: [AMartins] / IPPAR

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Castro de Santa Margarida – Negrelos (São Tomé) – Santo Tirso

Posted by mjfs em Dezembro 27, 2008

 Castro Santa Margarida - Santo Tirso - www.monumentos.pt

Localizado num outeiro sobranceiro ao Rio Vizela, este povoado fortificado da Idade do Ferro, com paredes autoportantes, encontrava-se defendido por duas linhas de muralha construídas com blocos graníticos aparelhados assentes em seco, que, nalgumas zonas, adossavam-se aos penedos existentes na cumeeira.

Embora haja registos que apontam para a existência de construções na zona intramuros, o facto é que, até ao momento, não foram encontrados quaisquer vestígios estruturais. Identificaram-se, no entanto, amontoados de pedra solta que poderão resultar da derrocada dessas mesmas edificações, bem como fragmentos de cerâmica atribuível à Idade do Ferro, e de diversas mós manuais.

Texto: [AMartins] / IPPAR

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Torre de Centum Cellas ou Torre de São Cornélio (Ruínas) – Belmonte

Posted by mjfs em Novembro 23, 2008

 Centum de Cellas - monumentos.pt - 1

As ruínas da Torre de Centum Cellas, também conhecida como Torre de São Cornélio, situam-se numa área particularmente fértil e próxima da confluência da Ribeira de Gaia com o Rio Zêzere, cujos aluviões metalíferos sabemos terem sido explorados desde épocas bastante recuadas.

O monumento, em sim, revela-se um dos mais emblemáticos, mas ao mesmo tempo dos mais enigmáticos existentes em toda a Beira Interior e atribuíveis à época da presença romana no nosso território.

Na verdade, foram elaboradas ao longo do tempo as mais diversas teorias respeitantes à sua real funcionalidade primitiva. Assim, desde templo, a prisão, passando por um praetorium (núcleo de um acampamento romano), a um mansio(estação de muda), mutatio (albergaria para descanso dos viajantes), villa romana, para além de muitas outras, tudo parece ter sido contemplado e proposto.

Todavia, as escavações realizadas pelo IPPAR, entre 1993 e 1998, demonstraram que o edifício da Torre não se encontrava isolado, antes, sim, inserido num conjunto estrutural mais amplo e complexo, que incluía diversos compartimentos, de entre os quais salas, corredores, escadarias, caves e pátios.

Assim, a Torre revela-se a parte central e melhor conservada daquela que constituiu a villa de Lucius Caecilius, um abastado cidadão romano, negociante de estanho, que, em meados do século I d. C. mandou edificar a sua residência nesta zona, sob direcção de um arquitecto que, ao que tudo parece indicar, conheceria profundamente as técnicas construtivas ditadas por Vitrúvio.

Pormenor do interior

Como edificação central e imponente, a Torre é apenas composta por dois andares, em redor da qual toda a restante habitação se foi desenvolvendo, desempenhando o papel de verdadeiro epicentro centralizador das suas mais diversas tarefas quotidianas.

Datando a sua construção inicial do século I d.C., este edifício sofreu um incêndio e destruição de consideráveis dimensões em finais do século III, altura em que foi alvo de algumas alterações, ao mesmo tempo que ocorreram novas construções. De entre este conjunto de remodelações, realçamos a sala com abside ou o larário, para os quais foram reaproveitados materiais pertencentes às estruturas preexistentes. Entretanto, datará da Alta Idade Média a edificação de uma capela dedicada a São Cornélio sobre as ruínas da própria villa, reempregando, uma vez mais, parte dos seus materiais constitutivos.

Esta capela viria, no entanto, a desaparecer já em pleno século XVIII.

A área intervencionada até ao momento contempla somente uma pequena parcela da pars urbana da villa que foi parcialmente danificada com a construção da estrada municipal que conduz ao Colmeal da Torre, passando a Norte de Centum Cellas.

Quanto às termas e à pars rustica, as suas zonas ainda não foram objecto de escavação, existindo a forte possibilidade de se encontrarem irremediavelmente perdidas para a investigação, ao terem sido destruídas com a plantação de vinhas, bem como com a construção de habitações recentes.

Texto: IPPAR

Centum de Cellas - monumentos.pt - 2

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Castelo ou Castro da Cidadelhe – Mesão Frio – Vila Real

Posted by mjfs em Novembro 17, 2008

 Castelo ou Castro Cidadelhe - Vila real - www.monumentos.pt

Classificado como “Imóvel de Interesse Público” em 1992 e presentemente inserido na área abrangida pelo “Alto Douro Vinhateiro”, incluído na lista de “Património Mundial”, o “Castro de Cidadelhe” ergue-se no cimo de uma colina situada nas imediações da localidade que lhe deu o nome, e cuja fundação será anterior à de Mesão Frio.

Sendo um dos povoados fortificados mais amplos da região, este castro da Idade do Ferro tem sido objecto de importantes escavações arqueológicas desde 1983, da responsabilidade de A. Coelho F. da Silva, A. Baptista Lopes e Manuel Tuna, que as têm conduzido em dois sectores correspondentes à zona mais elevada do interior do espaço definido pela primeira muralha e na zona mais baixa, junto à segunda muralha.

Com um sistema defensivo constituído por duas linhas de muralha aparelhadas em xisto (a segunda das quais com aproximadamente quatro metros de largura e cinco a seis de altura), é no interior da área delimitada pelo primeiro pano muralhado que foram identificados os alicerces de algumas estruturas habitacionais de planta predominantemente circular, tão característica desta tipologia arqueológica.

À semelhança do que sucede noutros povoados fortificados da Idade do Ferro desta região do país, também no “Castro de Cidadelhe” foram registados elementos estruturais decorrentes do processo de romanização ocorrido no seu espaço. Não obstante, pertence à Idade Média uma das estruturas mais evidentes e consistentes nele edificadas: uma torre de planta quadrangular, precisamente sobre um estrato de saibro que cobre algumas das habitações pré-romanas. Na realidade, o povoado terá pertencido a um território administrativo medieval bastante mais amplo, correspondente a uma paróquia suévica, à qual se reuniu uma congregação régia por ordem do rei Ordonho II da Galiza e da Terra Portucalense, logo no segundo ano do seu reinado, em 911.

 

Fonte: A Martins – IPPAR

 

OUTROS LINKS:

Castelo ou Castro da Cidadelhe (monumentos.pt)

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Castelo do Mau Vizinho ou dos Mouros – Chaves – Vila Real

Posted by mjfs em Novembro 16, 2008

 Castelo do Mau Vizinho - Vila Real - www.monumentos.pt

Foi numa plataforma superior de um picôto elevado, isolado e coberto de carvalhos sobranceiro ao vale do rio Mousse, situado a cerca de 35 km da cidade de Chaves, que se ergueu o “Castelo do Mau Vizinho”, ou o “Castelo dos Mouros”, como é geralmente conhecido.

Embora tenha sido descoberto por António da Eira e Costa entre os finais da década de sessenta e os inícios dos anos setenta do século XX, foi apenas em 1981 que arrancou a primeira campanha arqueológica neste local, seguida de uma outra realizada passados somente sete anos.

O sistema defensivo deste “castelo” era originalmente composto de uma linha de muralha erguida com blocos de xisto, e que terá sido completado pela própria natureza defensável do sítio, cujos afloramentos possibilitaram a construção de um torreão central, bem como de outras estruturas de carácter perecível, eventualmente relacionadas com a existência de uma segunda linha de defesa.

Durante algum tempo, interpretou-se este sítio arqueológico como um santuário pré-romano, contrariando, desse modo, a inferência que se poderia retirar da própria designação do monumento, ou seja, enquanto Castro. Dentro deste contexto, alguns investigadores, como J. R. dos Santos Júnior, tentaram interpretar os vestígios estruturais aí registados como fazendo parte integrante desta hipotética realidade antiga, que algumas lendas locais pareciam confirmar. Contudo, as disposições artificiais assinaladas no local não parecem assemelhar-se às identificadas noutros sítios cultuais existentes na zona, como no caso particular de Panóias. E mesmo que algum do espólio recolhido pareça apontar para uma utilização deste espaço durante a Idade do Ferro, a parte mais significativa dos materiais cerâmicos encontrados indiciará a fruição deste lugar em plena Idade Média.

Fonte: AMartins – IPPAR

OUTROS LINKS:

  • Castelo do Mau Vizinho (IPA / DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Castelo do Mau Vizinho (Pesquisa de Património / IPPAR)
  • Castelo do Mau Vizinho ou Castelo dos Mouros (pt.wikipedia)
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    Castro de Moldes – Castelo do Neiva – Viana do Castelo

    Posted by mjfs em Outubro 23, 2008

    Castro de Moldes - Castelo de Neiva - Foto Maria Ines Dias-2006 . - IPPAR

    Erguido na Idade do Ferro, o “Castro de Moldes”, também conhecido por “Monte do Castelo de Neiva”, situa-se na margem direita do Rio que lhe deu nome (Neiva), e de onde se desfruta de uma excelente visibilidade sobre a extensa planície que se espraia em seu redor, bem como sobre a própria foz.

    As escavações arqueológicas realizadas no sítio durante a primeira metade dos anos oitenta do século passado permitiram colocar a descoberto um povoado de consideráveis dimensões dotado de um assinalável sistema defensivo constituído por cinco linhas de muralha reforçado por torreões localizados na vertente Sul, acompanhando, quase sempre, a geografia do terreno.

    Quanto à área definida pela muralhada interior, ela alberga uma notável densidade de estruturas de carácter doméstico de planta predominantemente circular (em cuja edificação se utilizou o próprio afloramento rochoso), algumas das quais com vestíbulo e apartadas por ruas lajeadas em granito. De entre estes elementos, destaca-se uma habitação pelo facto de possuir uma espécie de assento corrido coberto por placas rectangulares de ardósia.

    As investigações evidenciaram de igual modo a reutilização do espaço em épocas posteriores, designadamente durante o período de ocupação romana do actual território português, certamente pela sua inegável posição estratégica. Apontam, aliás, nesse sentido, alguns materiais exumados durante as diferentes campanhas, como artefactos de bronze (entre os quais uma fíbula), a par de um abundante número de fragmentos de cerâmica comum e de importação, a atestar, não apenas o carácter relativamente permanente das gentes que ocuparam o povoado neste período, como, sobretudo, a sua inserção numa complexa rede de relações comerciais, bem evidente na presença de inúmeros exemplares de diversos tipos de ânforas e respectivas tampas.

    A sua relevância táctica foi reforçada já em plena Idade Média, e em concreto, no início do século XII, do qual remonta a primeira referência de que há conhecimento até à data sobre a existência, no local, de um castelo, pouco antes de D. Afonso Henriques (1109-1185) ser cercado em Guimarães. Foi, a partir de então, palco de vários episódios relacionados com a consolidação do Reino de Portugal, em pleno processo de Reconquista, até que, em finais do século XIV, o castelo acabou por perder a sua anterior importância política na sequência da transferência da sede de julgado de Neiva, executada no âmbito de uma ampla reorganização administrativa do território. Foi, então, abandonado, entrando num lento processo de degradação, embora ainda sejam visíveis os sulcos onde assentavam os muros da torre e subsista a romaria à capela de N. Sra. das Oliveiras, construída num dos caminhos conducentes ao interior do povoado.

    Texto: IPPAR – [AMartins]

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    Coruto de Castelo de Penalva – Penalva do Castelo – Viseu

    Posted by mjfs em Julho 14, 2008

    Coruto do Castelo - Castelo de Penalva - www.monumentos.pt

    Cronologia

    Idade do Bronze Final – primeira ocupação do local, de que sobrevive vário espólio; séc. 01 / 04 – possível romanização do local; séc. 10 / 11 – provável construção do castelo no local; 1058 – foi conquistado por Fernando I, o Magno; 1758, 24 Maio – nas Memórias Paroquiais, o abade informa que do castelo só existiam as ruínas e os alicerces abertos na rocha viva, e que se encontrou, no local, uma epígrafe romana *1; 1874 – Pinho Leal refere o castelo como antiquíssimo, mas praticamente sem vestígios.

    Tipologia

    Arquitectura militar, medieval. Castelo roqueiro, que aproveita as condições naturais de defesa, complementada com troços de muralhas, dando origem a uma área de fortificação reduzida.

    Características Particulares

    Sítio onde se implementou um antigo castelo, aproveitando as condições naturais de defesa, reforçadas nos pontos mais frágeis com muralhas de que são testemunhos indirectos os rebaixamentos feitos nos afloramentos para suporte de blocos, de pequenas dimensões e não afeiçoados. A configuração do local é em forma de bossas de camelo, com uma ligeira depressão entre as duas pequenas elevações.

    Descrição

    Construído sobre a rocha, apresenta restos de muralhas a N.., construída com silhares pequenos e mal afeiçoados. Os afloramentos rochosos apresentam sulcos onde assentavam as muralhas e pequenas plataformas, formando degraus que talvez pertençam ao antigo adarve.

     

    Observações: *1 – lápide com paradeiro desconhecido, que apresentava a seguinte inscrição D. M. S. / PROCILI/AII LIBIIRT/AII RVFI / AN. L. ET / …M… PRÓ/CILIAII. PA / … (Consagrado aos deuses Manes. Procilia, liberta de Rufo, de 50 anos, e … Procilia …).

    Fonte: www.monumentos.pt

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    Castelo de Faria – Barcelos -Braga (Ruínas)

    Posted by mjfs em Maio 21, 2008

    Castelo de Faria - Barcelos - Braga - Foto Joao Carvalho

    Faria é um dos mais importantes e discutidos castelos do Entre-Douro-e-Minho. A sua primeira forma deve corresponder aos séculos IX-X, embora a primeira referência documental date apenas de de 1099, ano em que o comando da fortaleza estava entregue ao tenens Soeiro Mendes da Maia. Pelo apelido deste nobre, fácil é de perceber a importância do castelo no quadro da nobreza fundiária que, então, dominava a política portucalense, em pleno regime condal. Essa importância foi confirmada ao longo do século XII, por uma série de diplomas e pelo prestígio de alguns nobres que tiveram a fortificação a seu cargo, casos de Ermígio Riba Douro, Mem de Riba Vizela ou Garcia de Sousa.

    Cabeça da poderosa Terra de Faria, alguns autores pretenderam ver neste castelo um dos míticos locais onde deflagrou a revolta dos condes portucalenses contra D. Teresa, que conduziu à Batalha de São Mamede (1128) e à subida ao trono de D. Afonso Henriques. Um pouco antes desse recontro, algumas fortalezas juraram fidelidade ao futuro rei, por oposição a D. Teresa e Fernão Peres de Trava. Entre elas, contou-se a de Neiva (a Norte do Douro) e a da Feira (a Sul daquele rio), dando à “revolução” um sentido verdadeiramente “nacional”. A passagem de mãos destes castelos consta da Crónica galego-portuguesa de Espanha e de Portugal e, durante algum tempo, permaneceu a dúvida se o castelo da Feira mencionado não seria antes o de Faria. Após os estudos de MATTOSO, KRUS e ANDRADE, 1989, Feira tornou-se a opinião mais consensual, ainda que alguns argumentos de sentido contrário, invocados por A. de Almeida FERNANDES, 1991, nunca tenham sido devidamente refutados.

    O mais célebre episódio da sua história foi, todavia, o que ocorreu em 1373. O facto chegou-nos por via de Fernão Lopes e por uma versão romanceada de Alexandre Herculano, e narra a recusa de Nuno Gonçalves de Faria, então alcaide do castelo, em entregar as chaves da fortaleza ao exército galego invasor. No século XV, com a subida ao trono da dinastia de Avis, o castelo entrou em declínio e não mais voltou a ter a importância dos tempos baixo-medievais.

    É precisamente do século XIV o mais importante espólio resgatado, apesar de existirem outros materiais que podem recuar ao início da nacionalidade. Esporas de roldana, estibos, pomos de espadas, fivelas, fragmentos de malhas metálicas, pontas de virotão, etc., são alguns dos elementos que a arqueologia resgatou da arruinada fortaleza e que constituem um dos mais importantes núcleos nacionais de armamento medieval. Ainda do local procede um lote de moedas do reinado de D. Fernando e permanece a dúvida sobre a real origem do chamado “Túmulo de Faria”, alvo de recente estudo de Carla Varela FERNANDES, 2001-2002, e que Carlos Alberto Ferreira de ALMEIDA, 1990, p.39, admite poder ter vindo do castelo.

    Arquitectonicamente, a fortaleza encontra-se algo adulterada, quer pela erosão dos séculos, quer por algumas discutíveis opções do “Grupo dos Alcaides de Faria Pro-Franqueira”, fundado em 1929 e sediado em Barcelos, que aqui efectuou escavações em 1930, 1932, 1936 e 1949, e que iniciou a reconstrução da torre de menagem. A sua intervenção no local permitiu, no entanto, identificar vestígios de um povoado fortificado da Idade do Ferro, visível no muralhado duplo de pedra solta e irregular, nas habitações de planta predominantemente circular, com o respectivo buraco de poste ao centro, bem como noutras estruturas anexadas de planta rectangular, possivelmente destinadas a guardar gado, a par de arruamentos estreitos lageados e fragmentos cerâmicos característicos desta cronologia proto-histórica, a confirmar, no fundo, o seu posicionamento estratégico, ao proporcionar um bom domínio sobre a paisagem envolvente. Tipologicamente, o castelo é românico, com torre de menagem isolada no centro do recinto muralhado, cuja cerca interior é a única que parece ser medieval.

    PAF- IPPAR

     

    OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Ruínas do Castelo de Faria e estação arqueológica subjacente (Pesquisa de Património / IPPAR)
  • Castelo de Faria – pt.wikipedia
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    Menir de Aspradantas

    Posted by mjfs em Maio 17, 2008

    Aspradantas

    Monólioto erecto, talhado em calcário branco da região, com forma sub-cilíndrica. Mede 2m de altura, acima do solo, e 1.25mx0.63m, segundo dois eixos ortogonais, na sua maior espessura (volume proximal). Oferece extensas fracturas no volume mesial e distal, assim como tem uma extremidade amputada.
    Constitui, com 3 blocos de cerca de 1m de altura, cada, um pequeno alinhamento orientado na direcção NO-SE. o primeiro destes monólitos, de forma globular achatada, mostra algumas covinhas na superfície superior e está distanciado do menir 7.25m. O segundo encontra-se a 4.20m deste e o terceiro à mesma distância do anterior.

     (Texto: IPPAR)

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