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Archive for the ‘Porto’ Category

Palacete do Visconde de Vilar de Allen – Lordelo do Ouro – Porto

Posted by mjfs em Fevereiro 23, 2009

 Palacete do Visconde de Vilar de Allen

Foi mandada construir, nos últimos anos da década de 1920, pelo 3º Visconde de Villar d’Allen para sua residência, coincidindo com uma época em que o Porto assistia ao surgimento de uma série de palacetes, que imprimiram à cidade uma marca burguesa. Com ligações à Casa Ramos Pinto (através de laços matrimoniais e comerciais), Joaquim Ayres de Gouveia Allen, engenheiro de formação e cônsul da Bélgica no Porto, é definido como um “misto de aristocrata e capitalista”. O projecto para a sua casa de habitação foi concebido pelo arquitecto José Marques da Silva (1869-1947).

Os primeiros desenhos estavam concluídos em Abril de 1927, mas o casal Allen foi introduzindo múltiplas alterações ao projecto inicial que, de forma genérica, se prendiam com o hall de distribuição do espaço interno e com a localização da capela, que se pretendia de acesso directo ao exterior, sendo que todas estas questões acabaram por se reflectir na própria concepção das fachadas, também sucessivamente alteradas. Na sua Dissertação de Doutoramento, António Cardoso analisa este programa, considerando o Petit Trianon, de Versalhes, como o modelo principal da Casa Allen, numa escolha cuja responsabilidade imputa ao encomendador, e da qual resultou uma “imagem mitigada e adulterada de um Petit Trianon, agora portuense, numa linguagem academizante e involutiva”.

A planta estrutura-se em torno do hall central, a que se acede através da fachada principal, virada para a rua, e da fachada Sul, cuja monumentalidade acaba por inverter a importância dos alçados, quase anulando o principal. A capela abre-se no alçado Norte, que se articula em três corpos diferenciados.

Ambas as fachadas, de aparelho rusticado, caracterizam-se pela simetria na abertura dos vãos, pelos remates em platibanda, que quase cobrem o telhado, e pelos pórticos, numa linguagem de cariz neoclássico. De acordo com António Cardoso, reside na concepção destes alçados, de leitura equívoca em relação ao interior, uma das novidades do projecto: “a suposta ambiguidade das fachadas significava, afinal, a sua visão totalizadora, uma nova concepção do projecto, e uma nova forma de abordagem”. Os jardins, que aproveitam três frentes da casa, distribuem-se da seguinte forma: na entrada e na área lateral Sul, respeitam um esquema racional, e na zona posterior invocam a influência inglesa.

Naturalmente, os projectos para habitações particulares revestem-se de algumas pré determinações, impostas pelos proprietários; facto de grande significado para a análise e contextualização da obra. No que respeita à Casa Allen encontramos vários destes particularismos e, quer de um ponto de vista da integração do edifício no conjunto de obras de Marques da Silva, quer num contexto da própria cidade, a verdade é que o imóvel acaba por se salientar, reflectindo o gosto do seu encomendador. De facto, os eclectismos, e neste caso, os de sabor neoclássico, prolongaram-se, no nosso país, até à década de 1920 mas, de acordo com António Cardoso, a marca ecléctica e neoclássica da Casa Allen constituiu uma expressão academizante no conjunto da obra de Marques da Silva. Por outro lado, nestes anos 20, o imóvel é quase uma excepção na própria dinâmica de opções arquitectónicas da cidade do Porto. Muito embora possamos encontrar pontos de contacto com a Casa de Serralves, do mesmo autor, as linhas art déco desta última assumem-se como um dos mais significativos exemplos desta estética no nosso país, afastando-se dos modelos da Casa Allen. Em todo o caso, não deixa de constituir um importante marco arquitectónico e urbanístico da cidade do Porto.

Mais recentemente, em 1991, foi construída, nos seus jardins, a Casa das Artes, projecto do Eduardo Souto Moura (com data de 1980). A qualidade desta arquitectura, com as características fachadas cegas deste autor, mas abrindo-se para a cidade com a fachada em vidro, a Norte, mereceu a Souto Moura o Prémio Secil.

Fonte: (RC) / IPPAR

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Igreja de São Francisco – São Nicolau – Porto

Posted by mjfs em Novembro 28, 2008

 Fachada Principal

A chegada dos frades franciscanos à cidade do Porto aconteceu praticamente ao mesmo tempo que o estabelecimento da ordem nas cidades mais populosas do Sul do país (Lisboa e Santarém), estando a sua presença na cidade da foz do Douro testemunhada logo em 1223. A construção da sua igreja iniciou-se, ao que tudo indica, em 1244, mas as resistências por parte das autoridades religiosas tradicionais da cidade e a eventual falta de apoio financeiro, determinaram que as obras se tivessem arrastado por todo o século XIII e que o resultado final tenha sido um templo modesto, de dimensões reduzidas e, muito provavelmente, de uma só nave (BARROCA, 2002, p.51).

No reinado de D. Fernando, monarca que concedeu particular protecção aos franciscanos, procedeu-se à construção do templo que hoje subsiste. As obras iniciaram-se já no ano da morte do rei, em 1383, e prolongaram-se pelos primeiros anos do século XIV, entrando, muito provavelmente, pela segunda década.

Pretendeu-se, acima de tudo, dotar a instituição de condições mais favoráveis à sua acção, pelo que se ampliou consideravelmente a anterior igreja. O resultado foi um templo de três naves de cinco tramos, transepto saliente e profusamente iluminado e cabeceira tripartida, com capela-mor mais profunda e cintada por grossos contrafortes. O modelo planimétrico adoptado não foi mais que o já ensaiado em variadíssimos templos góticos do país, a partir do gótico mendicante do século XIII. Mas a obra de São Francisco do Porto possui uma marca regional importante, que ajuda a caracterizar o Gótico nortenho da transição para a dinastia de Avis. Sintoma disso mesmo é o “lacrimal decorado com bolas” na parte superior das frestas da capela-mor (BARROCA, 2002, pp.52-53), elemento que prova uma certa influência galega na região Norte do país por esta altura.

Nos séculos seguintes, a igreja de São Francisco do Porto foi objecto de várias campanhas artísticas. Ainda do século XV, do reinado de D. João I, é a pintura mural alusiva à Senhora do Rosa, obra atribuída a António de Florentim e uma das mais antigas pinturas murais conservadas no país. Da década de 30 do século XVI data a Capela de São João Baptista, desenhada por João de Castilho e que constitui um dos momentos-chave na evolução deste que foi um dos principais arquitectos do ciclo manuelino.

Mas a principal campanha moderna da igreja de São Francisco foi efectuada na época barroca, remodelação que confere ao interior do templo, ainda hoje, o estatuto de igreja forrada a ouro. Com efeito, nos inícios do século XVIII, todo o interior, engrandecido ao longo da centúria anterior, foi objecto de uma remodelação radical, construindo-se, então, os principais retábulos de talha dourada. O retábulo-mor, dedicado à Árvore de Jessé, foi reformulado entre 1718 e 1721 por Filipe da Silva e António Gomes, sobre uma obra pré-existente, e constitui o mais exuberante exemplo desta temática em Portugal. Mais modesto, o Retábulo de Nossa Senhora da Rosa data já da década de 40, da responsabilidade do arquitecto Francisco do Couto. E foram muitas as actualizações estéticas que se prolongaram por todo o século XVIII, como o prova ainda o portal, enquadrado por pares de colunas salomónicas suportando um amplo entablamento, e outras obras já rococós.

No século XIX, com a extinção das ordens religiosas e um violento incêndio ocorrido em 1833, logo a seguir ao cerco do Porto pelas tropas miguelistas, o convento entrou em decadência. O claustro foi arrasado para dar lugar ao Palácio da Bolsa e a igreja foi ocupada para diversos fins, como o de armazém da Alfândega da cidade.

A importância desta igreja para o Porto e para toda a História da Arte portuguesa está bem expressa na atenção que a DGEMN lhe consagrou aquando do restauro iniciado em 1957. Ao contrário do que sucedeu na esmagadora maioria dos nossos monumentos de origem medieval, em que toda a obra pós-medieval foi sacrificada, em São Francisco do Porto tudo se manteve.

Texto: PAF / IPPAR

Fachada

Portal

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Capela dos Pestanas – Porto

Posted by mjfs em Novembro 27, 2008

Capela Divino Coracao de Jesus - Exterior

A capela neogótica dos Pestanas, assim designada por se situar junto ao Palácio desta família e por ter sido encomendada pelo Engenheiro José Joaquim Pestana, à altura o proprietário do Palácio, foi construída entre 1878 e 1890, ano em que abriu as portas ao culto. O seu arquitecto foi José de Macedo Araújo Júnior, um dos mais importantes engenheiros do Porto do último quartel do século XIX, tendo-se destacado na condução de obras tão importantes como o Palácio da Bolsa ou parte da Alfândega da cidade.

De nave única e capela-mor semicircular, a construção impõe-se urbanisticamente pela elevada torre adossada à fachada principal, que protege a entrada no templo. De secção quadrangular, eleva-se em quatro registos individualizáveis. No último, duas janelas geminadas em cada face antecedem a terminação em empena cónica, encimada por uma cruz de ferro. A ladear a fachada, nos extremos do edifício, dois baldaquinos albergam as imagens de São José e de São Joaquim, obras do escultor Soares dos Reis.

O ambiente neogótico inspirado nas catedrais góticas testemunha-se tanto no exterior como no interior. A par da alta torre ocidental, o exterior do edifício é caracterizado por contrafortes terminando em pináculos que enquadram janelões de arco quebrado, que por sua vez marcam a divisão interior em tramos. O interior da capela foi concebido para albergar um dos mais impressionantes programas decorativos do nosso neogótico. As paredes e os tectos foram revestidos por pinturas inspiradas na Sainte Chapelle de Paris. A esmagadora maioria do mobiliário e algumas obras de devoção foram realizados na cidade de Liège, na casa Wilmotte. E os autores do retábulo-mor, logo em 1885, foram agraciados com a medalha de ouro na Exposição Internacional de Anvers.

O conjunto do Palacete Pestana haveria, posteriormente, de ser praticamente destruído, construindo-se um prédio no antigo jardim e reduzindo-se drasticamente os limites da antiga propriedade. A capela do Divino Coração de Jesus, porém, mantem-se como testemunho de uma das mais originais empresas neogóticas do Porto e, seguramente, do país.

Fonte: PAF / IPPAR

Capela Divino Coracao de Jesus - Fachada Principal

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Livraria Académica – Porto

Posted by mjfs em Novembro 14, 2008

Livraria Academica - www.cm-porto.pt

EFEMÉRIDES

1912
16 de Novembro. Fundada a Livraria Académica, por Joaquim Guedes da Silva.
Local: Rua das Oliveiras, 75.
Objectivo: Comercialização de todo o tipo de livro, novo ou usado.

1913
– Transferência para a Rua dos Mártires da Liberdade, nº 10, onde ainda se encontra.

– Com o decorrer dos anos foi-se especializando no comércio do livro seleccionado e raro.

– Publicou várias dezenas de catálogos, descrevendo espécies bibliográficas bastante raras, e efectuou diversas Exposições, de que se destacam: Cidade do Porto – Trás-os-Montes – Lutas Liberais – Jornalismo – Camões – Descobrimentos – Renascença Portuguesa – Camilo Castelo Branco – Encadernações – Livros Sobre livros, etc.

1992
– Comemoração do 80º aniversário. Presença do Senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares.
Cunhagem de medalha alusiva à efeméride.

1994
– Publicação de “Subsídios para uma Bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro“, por Nuno Canavez.

1998
– Publicação de “Novos Subsídios para uma Bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro“, por Nuno Canavez.

2000
– Exposição bibliográfica sobre o tema Brasil – Achamento, Lugares, Literatura. Por conveniência de espaço, teve lugar no estabelecimento da Livraria Nuno Canavez (Filho), no nº 137 da Rua dos Mártires da Liberdade, e decorreu entre 27 de Abril e 10 de Maio, coincidindo com as celebrações do V Centenário do Achamento do Brasil. Ver foto.

I Exposição e Feira do Livro – em Chaves, de 1 a 9 de Julho, organizada pelO Grupo Cultural Aquae Flaviae e ADRAT

2002
Comemoração do 90º aniversário. Abertura da exposição CAPAS DE LIVROS da autoria dos melhores ilustradores nacionais e estrangeiros. Lançamento do livro “Novos Subsídios para uma Bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro“, por Nuno Canavez.
Veja o artigo do Semanário Expresso sobre o acontecimento, e algumas fotos da cerimónia.

2004
20.Maio – Nuno Canavez é homenageado com um BRONZE. Veja uma pequena reportagem do acontecimento.

2008
Nova homenagem, na forma de livro: NUNO CANAVEZ – As Palavras da Amizade

Fonte: Livraria Académica

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Casa Vicent – Porto

Posted by mjfs em Novembro 12, 2008

Casa Vicent - Porto - foto Manuel de Sousa

A Casa Vicent é um antigo estabelecimento comercial na cidade do Porto, em Portugal.

A Casa Vicent localiza-se no número 174 da Rua de 31 de Janeiro, na freguesia da Santo Ildefonso, em plena Baixa do Porto.

Caracterização

A Casa Vicent está em vias de classificação, na sequência de Despacho de 24 de Agosto de 1995.

O edifício destaca-se, sobretudo, pela utilização de ferro fundido dourado na fachada, com contornos constituídos por uma cadeia de elementos arqueados formando motivos vegetalistas, rematada superiormente com uma concha coroada por um elemento vegetal, cujas formas parecem remeter para a sobrevivência de um certo gosto rocaille.

No interior, o espaço mantém todo o mobiliário original, incluindo vitrinas, balcões e candeeiros, onde o dourado se revela uma constante. E é ainda no interior que podemos admirar as paredes forradas a papel, os tectos estucados e pintados, além dos pavimentos de madeira.

História

No início do século XX, o Porto ostentava diversos espaços urbanos de elevado requinte e elegância, dispostos numa atmosfera verdadeiramente cosmopolita, em boa parte mercê do desenvolvimento do comércio do vinho do Porto e da enorme influência que a comunidade britânica exercia na cidade.

Tal como nos principais centros europeus da época, foi no dealbar do século XX que a cidade assistiu ao florescimento do movimento da Arte Nova, cujas linhas arquitectónicas e decorativas eram preferencialmente apostas em edifícios comerciais e cafés. Os novos materiais — como o ferro e o vidro — evocavam o poder industrial e o avanço científico-tecnológico operado ao longo do século XIX. São disso bons exemplos edificações emblemáticas como o Café Majestic, a Ourivesaria Cunha e a Reis & Filhos, onde o trabalho do ferro fundido se acerca da elaboração da prata lavrada e cinzelada.

Localizada na Rua de 31 de Janeiro, a fachada da Casa Vicent foi elaborada em plena Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1915, com materiais provavelmente encomendados à Companhia Aliança, fundada no Porto, em 1852 pelo Barão de Massarelos. Desconhece-se o seu arquitecto. A designação Vicent vem do comerciante espanhol que nele se instalou, numa época em que esta rua se transformou numa das principais artérias comerciais do quotidiano portuense.

Fonte: wikipédia.pt

 

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Igreja e Convento dos Grilos – Porto

Posted by mjfs em Novembro 9, 2008

 igreja dos grilos - porto

O início da sua construção data do ano de 1577 em estilo maneirista. A frontaria monumental é composta por dois registos, e nela se acumulam frontões, entablamentos, cornijas pilastras e janelas. No primeiro rasgam-se três portas com frontões, sendo a do meio decorada com um portal formado por colunas coríntias gémeas assentes sobre pedestais e por um entablamento com pedras no friso. No alto vêem-se dois nichos vazios, nos extremos duas janelas, e a meio a divisa da Companhia de Jesus, com separação feita por pilastras toscanas. No segundo registo, ao centro, podemos ver uma janela e por cima o brasão de Frei Luís Álvares de Távora, a rematar este conjunto a Cruz de Malta sobre um pedestal. De ambos os lados encontramos nichos vazios, por cima destes janelas e a rematar, frontões interrompidos sustentados por colunas jónias, dos quais rompem pirâmides. As partes externas do edifício pertencem às torres, cobertas com grandes volutas e cúpulas em tijolo.
No interior a nave apresenta-se coberta por uma abóbada de granito, de volta perfeita e em caixotões. As paredes são sustentadas por largas pilastras toscanas, com nichos escavados no topo, onde se encontram as imagens dos Evangelistas e dos Apóstolos, em barro pintado.
Pilastras clássicas enquadram o arco triunfal. Sobre o entablamento, de cornija muito saliente, ergue-se até à abóbada um frontão complexo, decorado com motivos jesuítas e flamengos e interrompido pelo nicho de São Lourenço.
A capela-mor é coberta por uma abóbada também de caixotões, que contêm cartelas guarnecidas com pedras. Nas paredes vêem-se pilastras jónicas de fuste canelado e, entre elas, estuques decorativos. Existe também nesta capela um painel da autoria de João Baptista Ribeiro e a imagem de Santo Inácio, única na cidade. Na sacristia, com tecto de madeira apainelada, existe um retábulo e quatro quadros emoldurados com boa talha rococó, de finais do século XVIII.

Fonte: AAM/IPPAR

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Muralhas Fernandinas – Porto

Posted by mjfs em Outubro 11, 2008

Muralhas Fernandinas - Porto - www.monumentos.pt - 1

Antes de, em 1336, D. Afonso IV ter ordenado a construção de uma nova muralha, que reflectisse o grande desenvolvimento do burgo, existiu uma primitiva cerca, de menores dimensões e rodeando uma área consideravelmente inferior. Esta muralha românica, construída no século XII, corresponde à consolidação administrativa e urbanística do Porto (REAL, 1993, p.48), depois de um longo período de povoamento disperso, em bairros mais ou menos afastados entre si.

Dessa estrutura, restam ainda importantes vestígios, não obstante ter sido fortemente desmantelada nos últimos séculos. Rodeando o morro da Sé (verdadeiro centro nevrálgico da cidade medieval), possuía uma planta irregular ovalada, e era cortada por quatro portas principais, entre as quais a de Vandoma (demolida pela Câmara Municipal em 1885). Ainda desse período é a primeira fase construtiva da Casa da Câmara, no limite Norte da cerca, cujas ruínas chegaram até aos nossos dias.

A diferença de extensão entre esta cerca românica e a construída no século XIV revela o enorme desenvolvimento do Porto em escassos duzentos anos, atingindo uma população intra-muralhas estimada em cerca de 10 000 pessoas. A cidade havia-se estendido em todas as direcções, mas particularmente para Ocidente e para Norte, ligando os pontos elevados da Vitória e da Batalha. O seu traçado é ainda facilmente reconhecível na malha urbana citadina e dela restam partes consideráveis. O principal troço conservado localiza-se na zona nascente, facilmente visível da Ponte D. Luís, e compõe-se de uma secção de muralha ameada, com caminho de ronda e protegida por duas torres quadrangulares.

“A localização das portas da nova muralha deixa bem claro o traçado das primitivas vias que, do burgo do Bispo, saíam para São João da Foz e Bouças, Braga, Guimarães e Penafiel. Na rede viária intramuros vai salientar-se o largo de S. Domingos, como o de circulação fundamental no panorama das ligações internas da urbe” (REAL e TAVARES, 1993, p.67).

Nos séculos seguintes, foram muitas as alterações efectuadas nesta muralha. A maioria afectou as portas e as vias de comunicação com o exterior. Assim, em 1551, a Porta dos Carros substituiu um postigo aqui construído no reinado de D. João I. A Porta Nova é ligeiramente anterior, do reinado de D. Manuel (1522), edificada em substituição do postigo da praia. Ambas foram destruídas no século XIX, aquando dos programas de modernização urbanística portuense. Uma terceira porta, a Leste, denominada Porta da Ribeira, foi demolida na época dos Almadas, no âmbito das reformas setecentistas da cidade.

No século XX, as muralhas medievais do Porto foram objecto de uma grande campanha de restauro, ao sabor do revivalismo restaurador que caracterizou a política do Estado Novo. Os trabalhos principais decorreram entre 1959 e 1962, actuando prioritariamente sobre a escarpa dos Guindais. Nestas obras, foi descoberta uma casa-torre gótica, na Rua de D. Pedro Pitões, fronteira à Sé Catedral. Restaurada por Rogério de Azevedo, instituiu-se como ex-libris da estrutura militar medieval da cidade, albergando inicialmente o Gabinete de História da Cidade. Mais recentemente, algumas intervenções arqueológicas vieram contribuir decisivamente para o melhor conhecimento da evolução militar portuense, designadamente no morro da Sé, onde, na Alta Idade Média, se estabeleceu um dos muitos núcleos de povoamento da região.

Texto: IPPAR – PAF

 

Muralhas Fernandinas - Porto - Manuel de Sousa - 2

 

OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR)
  • Muralhas do Porto (pt.wikipedia)

     

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    Forte de São João Baptista da Foz – Foz do Douro – Porto

    Posted by mjfs em Outubro 10, 2008

    Forte São João Baptista da Foz - Porto - www.monumentos.pt

    O Forte de São João Baptista da Foz, também conhecido como Castelo de São João da Foz, localiza-se na freguesia de Foz do Douro, no concelho e Distrito do Porto, em Portugal.

    Ergue-se em posição dominante na barra do rio Douro, guarnecendo o acesso fluvial à cidade do Porto.

    História

    Iniciado durante o reinado de D. Sebastião (1557-1578), em 1570, sob a supervisão de João Gomes da Silva, diplomata e homem de confiança da Corte, constituía-se em uma simples estrutura abaluartada, envolvendo o hospício (mosteiro) e a igreja dos beneditinos de Santo Tirso (Igreja Velha) antigas estruturas medievais.

    O bispo de Viseu, D. Miguel da Silva edificou neste local uma igreja e paço abacial anexo, para os quais recorreu aos projectos do arquitecto Francesco de Cremona recrutado em Itália; conjuntamente com o Farol de São Miguel-o-Anjo (concluído em 1527), que dista do local poucas centenas de metros, resultaram da sua acção mecenática e constituiram a primeira manifestação de arquitectura renascentista no Norte de Portugal (a capela-mor e nave da igreja, com o envolvimento da estrutura abaluartada e o desmonte da cobertura, funcionaram como praça de armas do forte).

    Com a Guerra da Restauração da independência impôs-se a remodelação da fortificação. Receando uma invasão espanhola pela fronteira norte do reino, o rei D. João IV (1640-56), em 1642 despachou para a cidade do Porto o novo Engenheiro-mór do Reino, o francês Charles de Lassart. Este teve oportunidade de constatar, in loco, a ineficácia da estrutura seiscentista diante dos meios ofensivos setecentistas, e elaborou-lhe um novo projeto que a ampliava e reforçava. As obras ficaram a cargo do jesuíta João Turriano. Entretanto, problemas suscitados pela fonte dos recursos junto à Câmara Municipal do Porto e problemas pessoais do Tenente-governador da fortificação Pinto de Matos (1643-1645) atrasaram sensívelmente o início das obras.

    Com a nomeação de Martim Gonçalves da Câmara, como substituto de Pinto de Matos (Maio de 1646), as obras foram finalmente iniciadas, com a demolição da Igreja Velha no mesmo ano. Tornadas prioritárias diante a invasão do Minho por tropas espanholas, encontravam-se concluídas em 1653. Dois anos mais tarde, era considerada a segunda do Reino, logo após a de São Julião, e a chave dela [cidade do Porto] com a qual não só se [a] assegurava mas toda a Província do Entre-Douro e Minho e a da Beira. Ao final do século XVII, em 1684 estava guarnecida por 22 artilheiros, congregando seis regimentos de Cavalaria e dezoito de Infantaria.

    No início do século XIX durante a Guerra Peninsular, a 6 de Junho de 1808, o Sargento-mor Raimundo José Pinheiro ocupou as suas instalações, e, na madrugada seguinte, fez hastear no seu mastro a bandeira das Quinas, primeiro ato de reação portuguesa contra a ocupação napoleônica. A fortificação estaria envolvida poucos anos mais tarde nas Revoltas liberais, tendo protegido, durante o cerco do Porto (1832-1833), o desembarque de suprimentos para a cidade.

    Diante da evolução das embarcações e da artilharia, progressivamente perdeu a função defensiva, sendo utilizada como prisão para presos políticos. Entre os nomes ilustres que estiveram detidos nos seus cárceres, relancionam-se os de José de Seabra da Silva (à época do Marquês de Pombal) e os liberais José de Passos Manuel e Duque de Terceira.

    No século XX foi residência da poetisa Florbela Espanca, esposa de um dos oficiais da guarnição. Recentemente, na primeira metade da década de 1990, o monumento sofreu intervenção arqueológica sob a responsabilidade do Gabinete de Arqueologia Urbana da Divisão de Museus e Patrimônio Histórico e Artístico da Câmara Municipal do Porto. Atualmente sedia o Instituto da Defesa Nacional.

    Características

    No século XVII, o projecto de Lassart, embora modificando a orgânica da estrutura, não tocava no essencial da defesa quinhentista. A antiga igreja, inserida na área militar, foi demolida, desaparecendo a parte central da fachada, sendo abertas as torres, removidas as lajes das campas no seu pavimento (reaproveitadas na alvenaria) e apeada a abóbada (a primeira em estilo renascentista do país). Agora a céu aberto, passou a servir como praça de armas, enquanto os seus anexos foram soterrados para consolidar o terrapleno do baluarte leste. Os nichos dos altares laterais foram entaipados por muros de alvenaria de pedra.

    A partir da realidade imposta pela irregularidade do terreno e pela fortificação preexistente, a planta da nova estrutura apresenta o formato de um quadrilátero retangular orgânico com três baluartes e um meio baluarte, concentrando o fogo da artilharia pelo lado de terra, dadas as dificuldades naturais de transposição da barra do rio Douro. O único baluarte de traçado regular é o que aponta para a barra; dos dois voltados para o lado de terra, o do leste, é excepcionalmente pontiagudo, terminando num esporão de grande altura, enquanto que do oeste prolonga-se por um espigão destinado a eliminar um ângulo morto, atualmente quase encoberto pelo aterro viário.

    O novo portal de acesso ao forte, em estilo neoclássico, foi construído pelo Engenheiro Reinaldo Oudinot (1796), dotado de ponte levadiça, corredor de entrada acasamatado e corpo de guarda tapando a fachada palaciana no lugar de um revelim seiscentista. Esta foi a última obra promovida, embora ainda se encontrasse incompleta em 1827.

    (Texto: Wikipedia)

     

    OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR)
  • Forte de São João Baptista da Foz (pt.wikipedia)
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    Forte de São Francisco Xavier do Queijo – Foz do Douro – Porto

    Posted by mjfs em Agosto 17, 2008

    Castelo do Queijo - Porto - Foto Mafalda Trinca - 2006 - IPPAR

    O Forte de São Francisco Xavier foi erigido junto à rochosa foz do rio Douro, sobre o penedo do Queijo, cuja toponímia acabaria por dar origem ao nome pelo qual a fortaleza é habitualmente conhecida, Castelo do Queijo.

    Integrada no plano de defesa da costa marítima portuguesa, levado a cabo no período pós-Restauração, a construção da fortaleza foi inicialmente delineada em 1561 pelo engenheiro francês Lassart, responsável por “inspeccionar as fortificações existentes e projectar as que fossem necessárias” na zona norte do país. No entanto, “o escasso interesse estratégico” da zona do Queijo fez com que a edificação fosse adiada, iniciando-se somente cerca de 1661, segundo plano do engenheiro Miguel de L’École.

    De planta trapezoidal “baseada num triângulo equilátero cujo vértice aponta ao mar”, o forte possui panos muralhados rodeados por fosso, com canhoeiras e guaritas rematadas por cúpulas. O grande portal de acesso ao interior, com ponte, é encimado pelo escudo real, permitindo o acesso ao átrio da praça, onde se edificou a Casa do Governador e espaços de aquartelamento de um piso. Uma rampa, colocada numa das extremidades da praça, dá acesso à bateria.

    A obra, dirigida pelo capitão Carvalhais Negreiros, foi edificada a expensas da edilidade local, que ficou também responsável pela sua manutenção futura, o que em muito desagradou aos vereadores da cidade do Porto. Estes acabariam por pedir ao rei D. João V, em 1717, que desactivasse as funções defensivas da fortaleza e extinguisse a sua companhia, por considerarem que o Castelo do Queijo era “inútil e supérfluo, que nenhuma utilidade é a dele, pois aquela costa por si se defende” (www.jf-nevogilde.pt). No entanto, e apesar dos argumentos apresentados, o monarca manteve a praça activa.

    No início do século XIX, a estrutura da fortaleza era considerada obsoleta, não tendo tido qualquer papel de relevância na defesa da cidade durante as Invasões Francesas. Porém, durante o cerco do Porto, entre 1828 e 1834, as tropas miguelistas ocuparam o Castelo do Queijo, num período conturbado que em muito contribuiu para a destruição de parte da estrutura. Depois da derrota absolutista, o forte ficou votado ao abandono, chegando a ser saqueado pela população.

    O Castelo do Queijo passou por diversas tutelas ao longo dos séculos XIX e XX, até que em 1978 foi entregue à Associação de Comandos. Com a estrutura primitiva restaurada, o Forte de São Francisco Xavier serve actualmente como espaço cultural e museológico, albergando um museu histórico-militar.

    Texto: Catarina Oliveira – IPPAR

    OUTROS LINKS:

  • Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
  • Instituto Português de Arqueologia
  • Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR)
  • Junta de Freguesia de Nevogilde
  • Castelo do Queijo – (pt.wikipédia)
  • Castelo do Queijo – (fotos – wikimedia)
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    Castelo de Aguiar de Sousa (Restos da Torre) – Paredes – Porto

    Posted by mjfs em Julho 15, 2008

    Torre do Castelo Aguiar de Sousa - Restos - Foto www.monumentos.pt

    Cronologia

    Séc. 10 – Provável construção do Castelo; 995 – Foi tomado por Almançor; 1220 – Nas inquirições, esta zona é dominada pelos Sousas, e é designada pelo Termo de Ferreira e Termo de Aguiar, sendo o centro administrativo no Castelo de Aguiar de Sousa; 1258 – É criado o Julgado de Aguiar de Sousa; 1411- Foral de D. João I; 1513, 25 Novembro – D. Manuel II atribui o Foral a “Aguyar de Soussa”; 1758 – Aguiar de Sousa pertencia à Comarca de Penafiel; 1837 – Aguiar de Sousa é extinto como concelho e é integrado em Paredes; 1999 – a proprietária era a viúva do Sr. Amável Costa.

     

    Enquadramento

    Rural, isolado, implanta-se no cimo de uma elevação de forma cónica, entre dois altos eucaliptos, junto a uma espécie de ravina rochosa. O acesso à torre dificultado pela quantidade de vegetação, vai-se constituindo num percurso elicoidal até uma plataforma. Aí são visíveis alguns muros de aparelho regular de alvenaria de xisto , constituindo-se na zona mais elevada numa espécie de muralha com degraus integrados. No cimo dos muros da base da torre disfruta-se do vale do Rio Sousa e das serras envolventes.

    Descrição

    Vestígios de torre de planta quadrangular, descentrada relativamente aos restos de um contorno de muralha de forma ovalóide. Uma das faces da torre apresenta uma interrupção , possível lugar de porta, com uma pequena escada de um único lanço. A marcar as ombreiras duas pedras paralelepipédicas apoiam nos muros. Em cada uma das faces da torre e ao mesmo nível dois orifícios.

     

    (Nota: No âmbito da implementação do circuito turístico-cultural denominado de “Rota do Românico do Vale do Sousa” (RRVS), que prevê várias intervenções de conservação, restauro e valorização nalguns monumentos integrantes decorreu, recentemente, a assinatura do auto de consignação da obra da Torre do Castelo de Aguiar de Sousa.)

     

    (Fonte: monumentos.pt)

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