ÍCONES DE PORTUGAL

Património de Portugal

Torre de Lapela – Monção – Viana do Castelo

Posted by mjfs em Outubro 15, 2008

Torre de Lapela - Monçao - V do castelo - www.monumentos.pt

É tudo o que resta do Castelo de Lapela, situado que foi poucos quilómetros a jusante de Monção, castelo este que defendia o vau do Rio Minho.

A torre situa-se numa laje de granito, no centro de apertado casario. É o que resta da velha fortaleza medieval demolida para com as suas pedras reforçar as muralhas de Monção e pavimentar as suas ruas.

Alexandre Herculano atribui a D. Afonso Henriques a fundação do povoado, consignando foros em carta de repovoamento datada de 1208.

O P. António Carvalho da Costa, Pinho Leal e José Augusto Vieira atribuem a sua fundação a Lourenço de Abreu, senhor do couto de Merufe e de outras terras do Alto Minho, pelo facto de este ter combatido nos Arcos de Valdevez ao lado de D. Afonso Henriques.

Contudo, uma análise pormenorizada deste conjunto monumental pode levar-nos à construção de um desaparecido castelo em 1130, mas não à da torre. Esta teria sido construída já no tempo de

D. Fernando I e na vigência de Vasco Gomes de Abreu como senhor de Lapela.

E isto porquê?

Porque a estrutura do monumento denuncia influências góticas tardias e porque os cronistas não o mencionam nas descrições de guerra entre portugueses e castelhanos.

Além disso, o escudo de armas colocado sobre a porta de entrada ostenta 11 castelos, como no tempo de D. Fernando.

Ora segundo L. Figueiredo Guerra, primeiro teria sido construída a torre e só depois o castelo, no tempo de D. João I e D. Afonso V.

D. Manuel I teria então mandado reforçar as muralhas, nomeando seu primeiro alcaide Lopo Gomes de Abreu, descendente do já citado Vasco Gomes de Abreu.

Tendo D. João I subido ao trono por força de uma revolução, tinha de mexer nos benefícios concedidos por D. Fernando e por D. Leonor Teles. Logo concedeu a torre de Lapela a Vasco Fernandes Pacheco, por este lhe ter doado Monção e seu termo em 1423. Mas pelo facto de o donatário não se mostrar merecedor de tal benefício, o rei recuperou-a para si pouco depois.

Durante as Guerras da Restauração ocorreu em Lapela, no ano de 1658, o seguinte episódio:

D. Rodrigo Pimentel, Governador e Capitão Geral da Galiza, Marquês de Viana, entrou em Portugal por Valença e obrigou o alcaide de Lapela, Gaspar Lobato de Lanções, a render-se, enquanto outros galegos foram conquistar Monção. O castelo de Lapela só foi recuperado para os portugueses após o tratado de paz com Castela em 1668.

Segundo J. Augusto Vieira, o castelo foi demolido em 1706 para que as suas pedras fossem aplicadas no reforço das muralhas de Monção, e em 1860 a vereação requisitou o restante do castelo o calcetamento da vila.

Como podemos ver, os atentados ao património não são apenas de hoje!

Em 1836 caíu um raio na torre e abriu fendas nos muros, onde a infiltração de humidade permitiu o crescimento de loureiros e oliveiras no cume, que ainda hoje lhe dão um ar estranho.

A torre foi restaurada e limpa pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, ostentando na face principal a inscrição:

«A HISTÓRIA DESTE CASTELO FOI RECORDADA COM GRATIDÃO PELOS PORTUGUESES EM 1940»

A torre mede 35 metros de altura, 8 de largura e 2, 50 de espessura nas paredes.

Os silhares dos muros são de forma cúbica, bem trabalhados e assentes em argamassa.

A sua única porta, de arco apontado, situa-se do lado Norte, e uma pedra quadrangular e saliente serve-lhe de pátio e de soleira, à altura de cerca de 6 metros.

O acesso a esta porta faz-se por uma escada de ferro e madeira, presumindo-se que antes da demolição do castelo o acesso seria feito através de ponte levadiça.

Interior e exteriormente não se visualizam quaisquer ornatos.

A torre possui quatro andares, sendo o primeiro ao nível da porta principal. Não havendo qualquer comunicação com o rés-do-chão, desconhece-se de que modo o mesmo está ocupado.

É coroada por 24 ameias de granito.

Bibliografia:

LIMA, José Rodrigues, «Alto Minho – Lapela». In Diário do Minho, 20.11.2004.

VERBO – Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura

11º Volume – Lisboa – 1971

 

Observações

Segundo os desenhos de Duarte D’Armas, o castelo da Lapela teria, por volta de 1506, planta rectangular irregular, com face curva a SE., onde torre quadrada reforçava a muralha circundante, a qual era ladeada por balcão. Interiormente, o castelo surgia subdividido em várias zonas por muros; a O. tinha duas torres quadradas, com 12 varas de altura, telhadas, a da direita com dois vãos, as quais eram interligadas por muro disposto a E., pertencente a residência de dois sobrados, rasgada por vários vãos, sobre grande arco de passagem, que comunicava com as torres, possuindo muro que se interligava a SE. à muralha do castelo, e muro prolongado à direita a partir do qual se ligava à torre de menagem, talvez por passadiço superior. A torre de menagem, também conhecida por “Torre da Vara”, tinha 22 varas de altura, as fachadas rasgadas por três seteiras sobrepostas, era telhada e bem madeirada e possuía escadas de acesso ao adarve a E.. Pelo desenho representando o castelo por E., parece existir uma torre albarrã junto ao rio Minho que, apesar de não ser desenhada na planta do mesmo, é referida nas Memórias Paroquiais de 1755 como um outro pequeno castelo, de modo a ir-se buscar água para a Praça militar em segurança.

(Paula Noé) – IHRU

 

OUTROS LINKS:

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: