ÍCONES DE PORTUGAL

Património de Portugal

Igreja São João Batista de Tomar

Posted by mjfs em Março 8, 2008

Sao_Joao_Baptista_Tomar

(Foto: Osvaldo Gago)

 

A primitiva Igreja de São João Baptista de Tomar remonta ao tempo do Infante D. Henrique, sendo referenciada na documentação coetânea como ponto de reunião local. No início do século XVI a igreja foi reconstruída e ampliada, embora o nome do autor do projecto manuelino permaneça desconhecido.

Em 1510 documenta-se o final das obras e no ano seguinte concluía-se a estrutura da torre sineira. No ano de 1520 o rei D. Manuel decretou que a Igreja de São João Baptista fosse elevada a Colegiada, integrando as capelas de padroado real.

O templo manuelino desenvolve-se em planta rectangular, cuja tipologia se inspira no modelo das igrejas mendicantes. Dividindo-se em três naves, perfeitamente demarcadas no exterior, possui uma torre sineira de grandes dimensões edificada do lado esquerdo da fachada.

O portal principal, de gosto manuelino, apresenta um arco contracurvado enquadrado num alfiz totalmente decorado com relevos de motivos vegetalistas, zoomórficos e símbolos heráldicos. Este modelo apresenta muitas semelhanças com a “(…) obra francesa no âmbito da escultura ornamental das Capelas Imperfeitas da Batalha (…).

O interior, coberto por tectos de madeira, apresenta as naves divididas por arcos quebrados. A cabeceira tripla é ladeada por capelas comunicantes com cobertura de abóbada de nervuras cujas mísulas de apoio são decoradas com heráldica manuelina. Do programa decorativo destaca-se o púlpito de secção poligonal repleto de relevos vegetalistas lavrado em 1513, “(…) cujo gosto de gótico francês é correntemente sublinhado (…)”.

Os altares laterais, em cantaria, foram edificados no século XVII, na mesma época em que a cabeceira foi revestida de painéis de azulejos. Estes acabariam por ser retirados no primeiro quartel do século XVIII, quando foi colocado no seu lugar o retábulo-mor de talha dourada.

A Igreja de São João Baptista foi restaurada pela primeira vez em 1875, embora oito anos depois desta data se reclamassem novas obras no templo, nomeadamente o restauro do portal e do púlpito. Ao longo do século XX, a matriz foi sendo objecto de sucessivas obras de beneficiação de estruturas, limpeza e restauro do programa decorativo.

(Texto: IPPAR)

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